Oscar e lina: dois olhares sobre o brasil


Avant Garde na Bahia – 1959 a 1964



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Avant Garde na Bahia – 1959 a 1964

Este termo fora cunhado pelo brilhante sociólogo e poeta Antonio Riserio. Ele denomina o período fecundo de um renascimento nas artes na Bahia que desencadeou em dois movimentos de cunho brasileiro que romperam as barreiras nacionais para ganhar o mundo: Tropicalismo e Cinema Novo.

Se o primeiro é realmente um movimento baiano, tendo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé e Capinan no comando, ainda que contando com participação de pessoas de outros Estados como os paulistas do grupo Mutantes , o maestro Rogério Duprat e a carioca Nara Leão, o segundo é um movimento carioca iniciado por Nelson Pereira dos Santos e que contava com outras figuras emblemáticas como o Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues e Ruy Guerra. Entretanto, é na figura emblemática do baiano Glauber Rocha que o movimento adquire densidade e combustão para varrer o mundo além trópicos.

Tanto Caetano como Glauber foram crias de uma confluência de diversos personagens que agitaram o coreto na provinciana Bahia de 1959 até aproximadamente 1964 momento em que se instala a ditadura militar. A Bahia já contava com Jorge Amado, um de nossos maiores escritores, Lina Bo Bardi que assume o Museu de Arte Moderna da Bahia, o grande fotógrafo Pierre Verger registrava com suas lentes fotográficas os momentos daquela época de ouro, tínhamos o argentino Caribé que com suas aquarelas faz um registro inédito das religiões afro, catalogando e expressando os personagens desse mundo misterioso. Além deles, a UFBA universidade Federal da Bahia, com o reitor Edgar dos Santos coloca mais combustão na discussão trazendo figuras emblemáticas para a universidade, como os músicos experimentais Hans Joachin Koellreutter (alemão) e Anton Walter Smetak (suíço). Além deles Martim Gonçalves comandava a linha de frente do teatro da universidade, que anteriormente pronunciava apenas peças menores regionalistas e provincianas, começam a encenar Bertold Brecht, Tenesse Williams, adquirindo uma postura nunca antes vista fora do eixo Rio-São Paulo. Havia ainda o filosofo poeta Agostinho da Silva que criara na Bahia o Centro de Estudos Afro Orientais tendo como assessor ninguém menos que Roberto Pinho, grande figura da cultura e política baiana até os dias atuais.

Com todos estes profissionais e incentivadores, neste período a nova geração baiana começa a despontar para as artes, seja ela na música, nas artes plásticas ou no cinema. O que esta geração de professores e profissionais, quase em sua maioria expatriados da Europa e fugidos da segunda guerra propuseram em resumo, foi que na Bahia daqueles tempos o material humano em nada devia aos europeus ou os do sudeste brasileiro no quesito talento ou magma inventivo. Muito pelo contrário, os jovens precisavam retomar a auto-estima e tinham todas e talvez mais condições que as culturas desgastadas e decadentes, pois vinham de um solo fértil de cultura rica, sólida e genuína, caldo da seiva mais pura da cultura brasileira.




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