Oscar e lina: dois olhares sobre o brasil



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Bruto x Leveza

Oscar Niemeyer desde os anos 30 se transformara num comunista ferrenho. Doara sua casa no Rio a Luis Carlos Prestes e o Partido Comunista. Mas existe contradição de suas ideologias com relação à sua arquitetura palaciana? Para muitos sim. Mas se olharmos direito embora tenha trabalhado para governos militares, e outros com índoles duvidosas, vemos que ele acredita piamente de que não é de esmolas que o povo precisa, e sim de luxo, como repetia Joãosinho 30, rei do carnaval carioca! Luxo não no sentido pejorativo e sim no sentido de excelência, de caráter humanista e civilizatório. Mas para um povo de capitalismo dependente? Esta dicotomia óbvia gera suspeita. Mesmo assim, existe outra prerrogativa talvez como mostrou-nos Burle Marx, que plantava árvores as quais não veria em idade adulta, tendo em vista as dezenas de anos que isso demora em ocorrer. Oscar se posiciona como um Michelangelo que fizera a Capela Sistina para o papa e a elite cristã, mas que hoje se torna o espaço democrático dos cristãos e não cristãos do mundo inteiro. Os beneficiadores de hoje não serão nem lembrados amanhã.

Ele nunca escondeu que sofrera influência determinante de Le Corbusier, além do que, sabemos que o Brasil sofrera também muito mais influência francesa, reflexo da postura portuguesa que desde a vinda do próprio D.João VI, que trouxera consigo uma comitiva de franceses profissionais das artes. Oscar nunca quebrara com a linha evolutiva da arquitetura em especial de Le Corbusier, adaptando-a conforme os moldes da antropofagia de Oswald de Andrade. Ele comera as vanguardas européias e através de um processo endógeno criara uma arquitetura brasileira, que sim nova, mas advinda das tradições européias clássicas das belas artes francesas.

Lina inicialmente fizera um caminho semelhante. Através de Gio Ponti e sua aproximação com Bruno Zevi, sofrera a mesma influência de Le Corbusier e das belas artes francesas, mas em determinado momento de sua carreira sofrera a influência dos “Doces Bárbaros” baianos. Como mesmo atestara Antonio Riserio em seu livro, talvez os europeus que lá estavam na Bahia haviam sofrido mais influência tectônica do que o contrário em suas carreiras.

Lina após metade da década de sessenta também entrou em contato com a vanguarda paulistana, Zé Celso, Flávio Império entre outros e na arquitetura começara a desprezar o “stablishment” brasileiro, seja ele paulista ou carioca. Talvez muito em função de uma não aprovação de cadeira na FAU USP onde como professora auxiliar tentara sem sucesso uma cadeira no corpo docente. Era uma São Paulo que começara a virar a costas e uma outra, que docilmente se abria: a do teatro, das exposições, das cenografias dos filmes, ou seja, das “coisas” que os outros dispensavam.

Se Oscar criara uma paisagem idílica em Brasília, onde temos dúvidas do quanto realmente aquelas obras foram realizadas por seres humanos, com que tamanha insipidez, clareza e sutileza Lina caminhou por outros caminhos. INCIPIDEZ?

A própria escala dos prédios de Oscar se mostra monumental tamanha a relação humana com elas meio aos espaços circundantes. Também dentro dos prédios a mesma sensação se apresenta nesta escala. Lina também se aproveitara da escala monumental, seja no MASP em seu período miesiano ou o SESC em sua fase mais madura. Mas em ambos os prédios sentimos uma noção de acolhimento e brutalidade. São as lajes e o pórtico do MASP que se apresentam com as imperfeições e os sentidos das tábuas, seja no solarium do SESC, ou o claustro da Igreja do Espírito Santo do Serrado.

Se estes pontos são detalhes, desconfiaremos da arquitetura como um todo. O que seria a arquitetura que não abrigos de sensações! Livros a serem descobertos, e a cada leitura, mesmo sendo individual, são caminhos que se direcionam. Sentimos nós, aqueles que produzimos arquitetura, que o que ali está e que se apresenta é um discurso muitas vezes político (estamos falando de arquitetura e não de construção como um todo, onde não possui qualquer qualidade neste sentido: é apenas uma matéria que se apresenta abrigando quem vende um pão sem qualquer respeito por quem compra, ou pseudo-educa sem luz natural, isto é presenciamos bizarrices anômalas que uma sociedade com a ajuda de um pseudo-arquiteto produz).






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