Os moreira salles, os setúbal e os villela: a trajetória das principais famílias empresariais do setor bancário brasileiro



Baixar 67.75 Kb.
Pdf preview
Página1/4
Encontro29.10.2019
Tamanho67.75 Kb.
  1   2   3   4


 

 

OS MOREIRA SALLES, OS SETÚBAL E OS VILLELA:  



A TRAJETÓRIA DAS PRINCIPAIS FAMÍLIAS EMPRESARIAIS 

DO SETOR BANCÁRIO BRASILEIRO 

 

Rafael Vaz da Motta Brandão 



1

 

 



 

Introdução 

 

 



De acordo com o historiador econômico David Landes, a atividade bancária é o 

território mais fecundo para o desenvolvimento de empresas familiares por duas razões 

básicas (LANDES, 2007: 3). A primeira delas, refere-se ao fato de que, historicamente, 

o sucesso nessa atividade empresarial estaria sustentado, em grande parte, por relações 

pessoais  e  de  confiança.  A  segunda  é  a  de  que,  ao  contrário  das  muitas  atividades 

industriais, a atividade bancária teria basicamente a moeda como única mercadoria. Em 

função disso, o mundo das finanças não dependeria tanto do uso e do desenvolvimento 

constante  de  novas  tecnologias,  tornando-se,  assim,  menos  necessária  a  busca  por 

pessoas  tecnicamente  mais  capacitadas  fora  do  círculo  familiar  para  lidar  com 

inovações.  

 

De fato, a história dos grandes bancos brasileiros está intimamente relacionada à 



trajetória das  dinastias familiares.  Os Safra, por  exemplo,  fundaram um  banco que  até 

hoje  leva  o  nome  da  família.  Os  Aguiar,  cuja  trajetória  está  associada  ao  Bradesco,  é 

outro exemplo de dinastia ainda presente no setor bancário brasileiro, embora não mais 

atuem  diretamente  na  administração  da  instituição.  Os  Andrade  Vieira  formavam  uma 

influente  família  de  banqueiros  paranaenses,  controladora  do  Bamerindus.  Os  Calmon 

de Sá foram donos do Econômico que era, até sofrer a intervenção do Banco Central em 

1995, a mais antiga instituição bancária do país. Os Magalhães Pinto, controladores do 

Nacional,  possuíam,  em  Minas  Gerais,  talvez  o  mesmo  prestígio  e  poder  político  que 

exerciam  os  Calmon  de  Sá  na  Bahia.  Contudo,  nenhuma  outra  dinastia  está  tão 

                                                           

1

 Doutor  em  História  Social  pela  Universidade  Federal  Fluminense  (UFF).  Professor  visitante    do 



Departamento de Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em História Social da Faculdade 

de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ-FFP). 




 

 

fortemente associada à história dos bancos brasileiros  quanto  à trindade formada pelas 



famílias Moreira Salles, Setúbal e Villela.    

 

Os Moreira Salles foram donos do Unibanco. Na segunda década do século XX, 



a partir dos investimentos nos negócios do café, chegaram à atividade bancária. Desde 

então,  passaram  a  controlar  um  complexo  de  empresas  com  vínculos  com  o  capital 

estrangeiro, fazendo dos Moreira Salles a mais internacionalizada família de banqueiros 

brasileiros.   

   

Os  Setúbal  e  os  Villela,  por  sua  vez,  chegaram  ao  ramo  bancário  devido  às 



ligações  familiares  que  possuíam  com  Alfredo  Egydio  de  Souza  Aranha,  fundador  do 

Banco Central de Crédito, instituição bancária que deu origem ao Itaú. Olavo Setúbal e 

Eudoro  Villela,  respectivamente,  sobrinho  e  sogro  de  Alfredo  Egydio,  herdaram  a 

direção  do  banco  e  foram  os  responsáveis  por  um  intenso  processo  de  expansão  das 

atividades bancária a partir de fusões, aquisições e incorporações que transformariam o 

Itaú em um dos maiores grupos empresariais do país. 

 

Em novembro de 2008, as três famílias intensificaram ainda mais a sua posição 



monopolista  no  setor  bancário  brasileiro.  Estabeleceram  uma  fusão  de  seus  negócios 

financeiros,  criando  o  Itaú Unibanco, o maior banco  privado  da América  Latina  e  que 

ocupa, atualmente, a 42ª posição entre as maiores empresa do mundo, empatada com a 

seguradora norte-americana AIG.  

 

O  objetivo  deste  artigo  é  o  de  discutir  a  trajetória  destas  que  são  as  três  mais 



importantes  famílias  empresariais  do  setor  bancário  brasileiro,  relacionando  as  suas 

estratégias  de  crescimento  empresarial  às  políticas  públicas  para  o  setor  bancário-

financeiro emanadas em diferentes momentos pelo Estado brasileiro, da qual, em nosso 

entendimento, estas três dinastias foram amplamente favorecidas.  

 


Catálogo: resources -> anais
anais -> Microsoft Word 1279112989 arquivo artigoXencontrodehistoria doc
anais -> Microsoft Word 1372718783 arquivo artigofazendogenero doc
anais -> Raija maria vanderlei de almeida
anais -> A vida exemplar de Sor. Maria de Jesus, uma agostiniana estigmatizada do Convento de Santa Mônica de Goa (1604-1683)
anais -> Microsoft Word 1364428483 arquivo xxviisnh-aaplicacaodeconhecimentosuniversitariosnapraticaprofissional docx
anais -> Quem conta a história é quem dá o tom ou narrativas sobre as bonecas abayomi: ancestralidade e resistência das mulheres negras ou romantizaçÃo da escravidãO?
anais -> Cultura africana
anais -> Eliane alves leal
anais -> São caetano do sul e a construçÃo de suas memórias ao longo do século XX
anais -> Microsoft Word 1364223650 arquivo recortesdeumahistoriacotidiana doc


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal