Os historiadores no labirinto da pós-modernidade Aline Loretto Garcia Introdução



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Os historiadores no labirinto da pós-modernidade

Aline Loretto Garcia*



Introdução

A história desde seu nascimento se encontra em crise. Crise esta que remete á ambivalência do discurso histórico, sempre tensionado entre o real e a ficção.

Heródoto, aquele que nos foi apresentado por Cicero como o pai da história, encarna bem em sua obra essa tensão. Em seu trabalho, Histórias, assistimos a transição do poeta contador de lendas e que tem como missão celebrar a glória imortal do herói, para um personagem até então desconhecido, o histôr, que tem como tarefa retardar o desaparecimento dos traços das atividades dos homens.

Essas foram às primeiras palavras de Heródoto no inicio de sua obra A Guerra:

Heródoto de Halicarnasso apresenta aqui os resultados de sua investigação, para que o tempo não apague os trabalhos dos homens e para que as grandes façanhas, realizadas pelos gregos e pelos bárbaros não caiam no esquecimento. (HERÓDOTO, 1994, p.53).

Através desse trecho fica claro que o objetivo de Heródoto era atribuir aos indivíduos uma reputação de herói, a fama eterna, a lembrança do seu nome e dos seus feitos. Heródoto só queria evitar o esquecimento das singularidades humanas, e para fazer isso se permitia a invenção a criação. O belo, a emoção estava acima do rigor documental.

Alguns anos depois de Heródoto nasce Tucídides. Este conta que quando criança teve oportunidade de ouvir Heródoto contar suas histórias em Olímpia. E que diante de tanta beleza chorou de emoção. Apesar desse encantamento, o filho mata o pai, e Tucídides passa a desqualificar a obra de Heródoto, cujas composições ,segundo ele, visam agradar o ouvinte, e não a verdade. Segundo Tucídides,” Heródoto é um mitólogo e ele é diferente do seu mestre por buscar a verdade” . “Eu só falo com testemunha ocular ou depois de uma critica atenta e tão completa quanto possível das minhas informações.” (TUCÍDIDES 1987, p.22).

Para François Dosse, delimitando seu campo de investigação ao que ele poderia observar, Tucídides reduziu a operação historiográfica a uma restituição do tempo presente, resultando de um ocultamento do narrador que se retira para poder falar os fatos. No próprio nascimento do gênero histórico, encontra-se, portanto, essa ilusão do auto ocultamento do sujeito histórico e de sua prática de escrita para melhor dar ao leitor a impressão de que os fatos falam por si mesmos. (DOSSE, 2003).

O relato feito acima mostra que o saber histórico nasce de um embate como se a verdade estivesse em oposição a uma narrativa cujo propósito seja emocionar os ouvintes.

Passado mais de dois mil anos desde que Heródoto e Tucídides publicaram suas obras a história ainda não saiu do divã.

Segundo Alfredo Oliva no mundo contemporâneo o mal estar no campo historiográfico poderia ter uma dupla origem: discussões que se originaram no próprio campo historiográfico e que estariam em andamento desde o início do século XX, quando alguns estudiosos teriam começado a questionar as dificuldades ou impossibilidades de construir o que aconteceu no passado, e debates que se iniciaram fora do campo historiográfico, e que envolvem a conceituação e a análise do que seria a modernidade e a pós-modernidade bem como as implicações da virada linguística para o conhecimento histórico. (OLIVA, 2011).

Este texto é uma tentativa de refletir acerca deste mal estar historiográfico contemporâneo. Entender quais sentidos são colocados em circulação a partir dele, bem como inserir a historiografia brasileira no interior deste debate. Minha proposta é discutir uma historiografia pós-moderna a partir dos teóricos da história no Brasil. Tendo como questão central perpassando o texto: o que a passagem da modernidade para a pós-modernidade significou para a historiografia brasileira?

Sendo a pós-modernidade apontada como uma das razões do mal estar historiográfico contemporâneo cabe aqui uma tentativa de problematizar o significado do conceito pós-moderno.


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