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Fagundes

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Fagundes

Telles


Os contos

Lygia


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Para Marina e Lygia, as minhas meninas

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Antes do  

Baile Verde 

[1970]

Os Objetos 

17

Verde Lagarto Amarelo 

23

Apenas um Saxofone 

32

Helga 

39

O Moço do Saxofone 

45

Antes do Baile Verde 

51

A Caçada 

59

A Chave 

64

Meia-Noite em Ponto  

em Xangai 

72

A Janela 

78

Um Chá Bem Forte  

e Três Xícaras 

84

O Jardim Selvagem 

89

Natal na Barca 

96

A Ceia 

101

Venha Ver o Pôr do Sol 

111

Eu Era Mudo e Só 

119

As Pérolas 

126

O Menino 

134

Seminário  

dos Ratos 

[1977]

As Formigas 

145

Senhor Diretor 

152

Tigrela 

164

Herbarium 

170

A Sauna 

176

Pomba Enamorada ou  

Uma História de Amor 

199

wm 

205

Lua Crescente em Amsterdã 

213

A Mão no Ombro 

218

A Presença 

225

Noturno Amarelo 

230

A Consulta 

242

Seminário dos Ratos 

251

Sumário

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Lygia Fagundes Telles

A Estrutura  

da Bolha de Sabão

[1991]

A Medalha 

265

A Testemunha 

271

O Espartilho 

279

A Fuga 

307

A Confissão de Leontina 

313

Missa do Galo (Variações  

sobre o Mesmo Tema) 

342

Gaby 

350

A Estrutura da Bolha  

de Sabão 

377

A Noite Escura  

e Mais Eu

[1995]

Dolly 

385

Você Não Acha que Esfriou? 

397

O Crachá nos Dentes 

405

Boa Noite, Maria 

407

O Segredo 

420

Papoulas em Feltro Negro 

425

A Rosa Verde 

433

Uma Branca Sombra Pálida 

442

Anão de Jardim 

451

Invenção  

e Memória

[2000]

Que se Chama Solidão 

461

Suicídio na Granja 

466

A Dança com o Anjo 

470

Se és Capaz 

475

Cinema Gato Preto 

481

Heffman 

487

O Cristo da Bahia 

493

Dia de Dizer Não 

496

O Menino e o Velho 

503

Que Número Faz Favor? 

507

Rua Sabará, 400 

510

A Chave na Porta 

515

História de Passarinho 

520

Potyra 

523

Nada de Novo na Frente 

Ocidental 

534

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Antes do Baile Verde

Um Coração  

Ardente

[2012]

Um Coração Ardente 

543

Dezembro no Bairro 

548

O Dedo 

554

Biruta 

558

Emanuel 

565

As Cartas 

571

O Noivo 

578

A Estrela Branca 

586

O Encontro 

593

As Cerejas 

599

Contos Esparsos

O Tesouro 

609

Negra Jogada Amarela 

629

O Muro 

634

Hô-Hô 

641

A Viagem 

665

A Sonata 

677

Os Mortos 

683

A Recompensa 

694

Correspondência 

700

Endereço Desconhecido 

711

Felicidade 

718

Ou Mudei Eu? 

726

Posfácio — 

O Olhar de Uma Mulher, Walnice Nogueira Galvão 

729 

Créditos das Imagens 

745

Sobre a Autora 

747

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Antes do  

Baile Verde 

[1970]

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Para meu filho Goffredo

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Antes do Baile Verde

Os Objetos

Finalmente pousou o olhar no globo de vidro e estendeu a mão.

— Tão transparente. Parece uma bolha de sabão, mas sem 

aquele colorido de bolha refletindo a janela, tinha sempre uma jane-

la nas bolhas que eu soprava. O melhor canudo era o de mamoeiro. 

Você também não brincava com bolhas? Hein, Lorena?

Ela esticou entre os dedos um longo fio de linha vermelha pre-

so à agulha. Deu um nó na extremidade da linha e, com a ponta da 

agulha, espetou uma conta da caixinha aninhada no regaço. Enfia-

va um colar.

— Que foi?

Como não viesse a resposta, levantou a cabeça. Ele abria a 

boca, tentando cravar os dentes na bola de vidro. Mas os dentes res-

valavam, produzindo o som fragmentado de pequenas castanholas.

— Cuidado, querido, você vai quebrar os dentes!

Ele rolou o globo até a face e sorriu.

— Aí eu compraria uma ponte de dentes verdes como o mar com 

seus peixinhos ou azuis como o céu com suas estrelas, não tinha uma 

história assim? Que é que era verde como o mar com seus peixinhos?

— O vestido que a princesa mandou fazer para a festa.

Lentamente ele girou o globo entre os dedos, examinando a 

base pintalgada de cristais vermelhos e verdes.

— Como um campo de flores. Para que serve isto, Lorena?

— É um peso de papel, amor.

— Mas se não está pesando em nenhum papel — estranhou ele, 

lançando um olhar à mesa. Pousou o globo e inclinou-se para a ima-

gem de um anjo dourado, deitado de costas, os braços abertos. — E 

este anjinho? O que significa este anjinho?

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18

Lygia Fagundes Telles

Com a ponta da agulha ela tentava desobstruir o furo da con-

ta de coral. Franziu as sobrancelhas.

— É um anjo, ora.

— Eu sei. Mas para que serve? — insistiu. E apressando-se an-

tes de ser interrompido: — Veja, Lorena, aqui na mesa este anjinho 

vale tanto quanto o peso de papel sem papel ou aquele cinzeiro sem 

cinza, quer dizer, não tem sentido nenhum. Quando olhamos para 

as coisas, quando tocamos nelas é que começam a viver como nós, 

muito mais importantes do que nós, porque continuam. O cinzeiro 

recebe a cinza e fica cinzeiro, o vidro pisa o papel e se impõe, esse 

colar que você está enfiando… É um colar ou um terço?

— Um colar.

— Podia ser um terço?

— Podia.

— Então é você que decide. Este anjinho não é nada, mas se 

toco nele vira anjo mesmo, com funções de anjo. — Segurou-o com 

força pelas asas. — Quais são as funções de um anjo?

Ela deixou cair na caixa a conta obstruída e escolheu outra. 

Experimentou o furo com a ponta da agulha.

— Sempre ouvi dizer que anjo é o mensageiro de Deus.

— Tenho então uma mensagem para Deus — disse ele e encos-

tou os lábios na face da imagem. Soprou três vezes, cerrou os olhos 

e moveu os lábios murmurejantes. Tateou-lhe as feições como um 

cego. — Pronto, agora sim, agora é um anjo vivo.

— E o que foi que você disse a ele?

— Que você não me ama mais.

Ela ficou imóvel, olhando. Inclinou-se para a caixinha de contas.

— Adianta dizer que não é verdade?

— Não, não adianta. — Colocou o anjo na mesa. E apertou os 

olhos molhados de lágrimas, de costas para ela e inclinado para o 

abajur. — Veja, Lorena, veja… Os objetos só têm sentido quando têm 

sentido, fora disso… Eles precisam ser olhados, manuseados. Como 

nós. Se ninguém me ama, viro uma coisa ainda mais triste do que 

essas, porque ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, va-

zio. É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem 

anjo, fico aquela adaga ali fora do peito. Para que serve uma adaga 

fora do peito? — perguntou e tomou a adaga entre as mãos. Voltou-

-se, subitamente animado. — É árabe, hein, Lorena? Uma meia-lua 

de prata tão aguda… Fui eu que descobri esta adaga, lembra? Es-

tava na vitrina, quase escondida debaixo de uma bandeja, lembra?

Ela tomou entre as pontas dos dedos o fio de coral e balan-

çou-o num movimento de rede.

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