Os 150 anos do início da Guerra de Secessão dos Estados Unidos da América: resistências, memória e esquecimento



Baixar 93.74 Kb.
Pdf preview
Página2/5
Encontro17.03.2020
Tamanho93.74 Kb.
1   2   3   4   5
“Circular  armado  de  facas  e  armas  de  fogo  se  tornou  o  hábito  diário  de  muitos  senhores  e 

capatazes. E, se os vencedores armados, em momentos de ira, às vezes voltavam suas armas um contra o 

                                                            

3

  “memória  é  usualmente  invocada  em  nome  da  nação,  etnicidade,  raça,  religião  ou  a  necessidade  de 



alguém de pertencimento a uma comunidade. Frequentemente prospera nas queixas e na elaboração da 

invenção de tradições; é a vida em mitos”.  

4

  FRANKLIN,  John  Hope.  Raça  e  história:  ensaios  selecionados  (1938-1988).  Rio  de  Janeiro:  Rocco, 



1999.  P. 117. 


 

Anais do XXVI Simpósio Nacional de História 

– ANPUH • São Paulo, julho 2011 



outro, não era mais do que se devia esperar no meio de um aglomerado de homens armados. O governo 



da tirania pelo qual eles viviam alimentava, naturalmente, uma independência e auto-suficiência – somos 

tentados a chamá-las uma supremacia individual – que, de quando em quando, explodiam em toda fúria, 

em suas altercações de um contra o outro.” (FRANKLIN, 1999: 120)

5

 

 

A  partir  da  historiografia  do  período  anterior  a  Guerra  de  Secessão  percebe-se 



que  o  nacionalismo  que  acompanhou  a  Revolução  Americana  (ou  Independência) 

incutiu  no  enaltecimento  da  participação  dos  estados  nesse  conflito  mais  do  que  na 

percepção do Sul como uma região com características próprias. A partir de 1840 o Sul 

começou  a  encarar  o  passado  com  um  espírito  menos  unionista.  Estavam 

comprometidos  a  perpetuar  um  sistema  de  escravidão  cada  vez  mais  condenado  pelo 

resto do mundo ocidental e pensavam neles mesmos como tendo uma série de valores, 

problemas,  perigos  e  aspirações  comuns  que  os  separavam  dos  outros  americanos. 

Inevitavelmente chegavam a acreditar que tinham uma história comum e característica. 

Forjaram um estilo de vida peculiar para acompanhar a instituição peculiar. 

 

Os  sulistas  após  a  guerra  civil  voltaram  sua  atenção  para  seu  próprio  passado, 



com  uma  concentração  tão  grande  que  o  culto  da  história  se  tornou  um  ingrediente 

perene e fundamental da cultura sulista. Através de monumentos, sociedades patrióticas, 

canções,  versos,  celebrações  comemorativas  e  reminiscências  informais,  eles 

conservaram  diante  da  juventude  sulista  o  glorioso  passado  recente  em  que  o  Sul  se 

levantou no limiar da grandeza. Especialmente procuraram de fato explicar e justificar 

seus  atos  do  passado  aos  seus  contemporâneos  e  a  posteridade,  através  de  escritos 

históricos. 

 

Um  desses  escritos  que  ficaram  para  a  posterioridade  figura  os  do  soldado 



Charles Harvey Brewster. Soldado de Massachusetts, nascido em Northampton, serviu 

quando  tinha  27  anos  na  Companhia  C  da  Tenth  Massachusetts  Volunteers.  Esse 

unionista  deixou  mais  de  200  cartas  enviadas  a  mãe  e  irmã  durante  os  quatro  anos  de 

luta. Nos escritos oscila entre raiva, compaixão, desespero e coragem. Em 1880, como a 

maioria  dos  veteranos,  Brewster  estava  pronto  para  a  reconciliação  com  os  veteranos 

confederados.  Em  seus  escritos,  ele  parecia  adorar  reuniões  dos  regimentos  e  outras 

                                                            

5

 Op. Cit. p. 120. 




 

Anais do XXVI Simpósio Nacional de História 

– ANPUH • São Paulo, julho 2011 

atividades  da  GAR  (Grand  Army  of  the  Republic,  the  Union  Veterans  Organization). 



Em outubro de 1886 nas reuniões dos Blue-Gray

6

 em Gettysburg e Fredericksburg, ele 



escreveu aos seus filhos que “papa has had the grandest time He ever had in his life”. 

Sobre os veteranos confederados escreveu “of the confederate veterans, He could only 

marvel though we were brothers or cousins at least”. Ao estudar as cartas de Brewster, 

Blight considera que 

 

 


Catálogo: resources -> anais
anais -> Microsoft Word 1279112989 arquivo artigoXencontrodehistoria doc
anais -> Microsoft Word 1372718783 arquivo artigofazendogenero doc
anais -> Raija maria vanderlei de almeida
anais -> A vida exemplar de Sor. Maria de Jesus, uma agostiniana estigmatizada do Convento de Santa Mônica de Goa (1604-1683)
anais -> Microsoft Word 1364428483 arquivo xxviisnh-aaplicacaodeconhecimentosuniversitariosnapraticaprofissional docx
anais -> Os moreira salles, os setúbal e os villela: a trajetória das principais famílias empresariais do setor bancário brasileiro
anais -> Quem conta a história é quem dá o tom ou narrativas sobre as bonecas abayomi: ancestralidade e resistência das mulheres negras ou romantizaçÃo da escravidãO?
anais -> Cultura africana
anais -> Eliane alves leal
anais -> São caetano do sul e a construçÃo de suas memórias ao longo do século XX


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal