Orientadora: Professora Doutora Maria Helena Santa-Clara Pombo Rodrigues Júri: Presidente



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2.3 - Movimentos Fundamentais

Os movimentos fundamentais são habilidades motoras comuns típicas da nossa espécie como é o caso do andar, correr, saltar, lançar, agarrar e pontapear. Estes movimentos são normalmente desenvolvidos na segunda infância, ou seja entre 2 e os 6 anos, e servirão de base para outras atividades que se realizarão ao longo da vida (Cordovil & Barreiros, 2014). O fisiologista do exercício deve saber desconstruir estes movimentos e em que fase os trabalhar, o que poderá ser pertinente para ajustar a sua prescrição de exercício às crianças com quem trabalha. Assim sendo ao longo deste subtópico, abordar-se-ão os principais movimentos fundamentais, qual o seu aspeto no estádio inicial do desenvolvimento, qual o seu aspeto no estádio maturo e em que idade costumam ser adquiridos.


No estádio inicial do andar a criança tem dificuldade em manter a postura ereta, perdas constantes de equilíbrio, pernas rígidas, tronco inclinado à frente, pequeno comprimento da passada, base de apoio alargada, pé inteiro em contacto com o solo, rotação externa dos apoios e os braços em “guarda alta” (Cordovil & Barreiros, 2014). Nos primeiros 2 anos de vida da criança este padrão é desenvolvido até atingir o estádio maturo (Burnett & Johnson, 1971; Cordovil & Barreiros, 2014). Este estádio é caracterizado por oscilação automática dos braços em oposição às pernas, base de apoio reduzida, maior comprimento da passada, elevação vertical mínima, contacto do pé no chão a desenrolar do calcanhar para o dedo e calcanhar da perna de balanço a entrar em contacto com o solo no momento em que a perna de apoio se eleva, existindo uma fase de duplo apoio (Cordovil & Barreiros, 2014).
As primeiras manifestações do movimento correr surgem normalmente um pouco antes dos dois anos tendo como características do estádio inicial balanços da perna curtos e limitados; passos largos, irregulares e rígidos; fase aérea não observável; extensão incompleta da perna de apoio; balanço horizontal dos braços reduzido com variação dos graus de flexão do cotovelo; grande base de apoio e rotação externa do pé. Num estádio maturo do movimento deverão observar-se durante a corrida um máximo comprimento da passada; uma velocidade elevada, uma fase aérea definida; uma extensão completa da perna de apoio; uma recuperação paralela ao solo; uma oscilação vertical dos braços em oposição em relação às pernas; braços fletidos a 90 graus e uma mínima rotação do pé e da perna de trás (Cordovil & Barreiros, 2014).
Assim que uma criança adquire as capacidades físicas necessárias para correr, à partida terá também adquirido as capacidades necessárias para saltar (Cordovil & Barreiros, 2014). É, contudo, necessário ter em conta que existem diferentes tipos de salto com diversos níveis de dificuldade ordenados do mais fácil para o mais difícil da seguinte forma: descer um degrau de um pé para o outro, saltar a pés juntos na vertical, descer um degrau de um pé para dois pés, descer um degrau num salto a pés juntos, saltar de um pé para o outro em corrida, saltar a pés juntos na horizontal, correr e saltar a pés juntos, correr e saltar com um apoio e aterrar a pés juntos, saltar por cima de um obstáculo a pés juntos e, por último e mais difícil, saltar ao pé-coxinho ritmicamente (Cordovil & Barreiros, 2014). Abordando as características de um salto horizontal a pés juntos, num estádio inicial é normal observar-se um movimento limitado não iniciado por um movimento de braços; um movimento dos braços para o lado e para baixo, ou para trás e para cima, durante a fase de voo com o intuito de manter o equilíbrio, movimento vertical do tronco, pouco comprimento de salto, movimento preparatório inconsistente no que diz respeito à flexão das pernas, dificuldade em usar ambos os pés, extensão limitada das articulações dos membros inferiores no momento da impulsão e o peso do corpo para trás na receção ao solo. No estádio maturo do salto horizontal a pés juntos é suposto existir um movimento dos braços para cima e para trás na fase preparatória do salto, após a impulsão os braços devem subir com velocidade para a frente e manter-se elevados durante o salto, o tronco deverá estar inclinado a sensivelmente 45 graus na saída do solo; o movimento preparatório deverá ser amplo e consistente, deverá existir uma extensão completa dos tornozelos, joelhos e anca durante a impulsão, durante a fase de voo a as coxas deverão manter-se paralelas ao solo enquanto as pernas pendem na vertical e na receção o peso deverá ser transposto para a frente (Cordovil & Barreiros, 2014).
Por volta dos seis meses de idade já se consegue observar um padrão rudimentar de lançamento que ocorre normalmente na sequência da rejeição de um objeto. Ao longo do desenvolvimento da criança esse padrão rudimentar evolui no sentido de incutir direccionalidade e distância ao lançamento (Cordovil & Barreiros, 2014). Num estádio inicial o movimento de lançar é caracterizado pelo utilização exclusiva do cotovelo que se mantém à frente do corpo, pela separação dos dedos no momento de lançar o objeto, pelo acompanhamento do objeto para a frente e para baixo, pela manutenção do corpo perpendicular ao objeto durante todo o lançamento (apenas com uma ligeira rotação no momento de lançamento), pelo peso do corpo se deslocar ligeiramente para trás para manter o equilíbrio, pela inexistência de movimento ao nível dos pés, ou, pela existência de um movimento ocasional na fase de preparação mas que em nada contribui para a eficácia do lançamento. Num estado maturo, normalmente por volta dos cinco anos de idade, o braço já se inclina par trás na preparação do lançamento; o cotovelo contralateral é elevado para manter o equilíbrio; o movimento braço para a frente inicia-se no ombro, é seguido pelo cotovelo e termina na mão; o tronco roda para o lado da mão que lança na fase preparatória; durante o lançamento a rotação das pernas, bacia, tronco e ombros; o peso é mantido no pé de trás durante o movimento preparatório, sendo transferido para a frente no momento do lançamento e acompanhado de um passo à frente com o pé contralateral à mão que lança (Cordovil & Barreiros, 2014).

O movimento de agarrar é bastante complexo uma vez que implica que a criança tenha de gerir um grande número de variáveis externas ao seu corpo como o tamanho do objeto, a sua velocidade, a distância que este percorre, as condições em que foi lançado e o ângulo de aproximação. A tentativa mais precoce de agarrar um objeto ocorre quando, em bebé, se tenta encurralar com as pernas ou com as mãos uma bola que rola pelo chão. O movimento de agarrar progride de futuro de um movimento de abraçar um objeto com o corpo para agarrar um objeto utilizando exclusivamente as mãos. E à medida que a criança joga e se desenvolve este padrão de movimento evolui para que ela consiga agarrar objetos enquanto se move, andando ou correndo, e analisa o ambiente em redor (Cordovil & Barreiros, 2014). Num estádio inicial de maturação o movimento de agarrar a criança tem tendência a fugir com a cabeça e a fechar os olhos; a manter os braços estendidos à frente do corpo; a limitar a sua ação aos braços e antebraços; a agarrar com assistência do tronco; a manter as palmas das mãos viradas para cima; a manifestar diversos erros de antecipação que levam a um insucesso frequente. Num estádio maturo não há reação de fuga; os olhos seguem a bola até às mãos; os braços ajustam-se à trajetória da bola; há um amortecimento do impacto da bola; as mãos e dedos agarram a bola; os apoios participam ativamente na receção; há uma adoção de diferentes técnicas de agarrar e uma preparação imediata para qualquer ação posterior a este movimento. O movimento de agarrar é complexo e o seu desenvolvimento depende de muitos fatores externos, mas estima-se que por volta dos 11 ou 12 anos as crianças comecem a ser bem-sucedidas em 80% das suas tentativas (Cordovil & Barreiros, 2014).


O pontapear é um movimento fundamental no qual o pé é utlizado para bater na bola incutindo-lhe determinada velocidade e direção. Esta habilidade surge quando a criança é capaz de se equilibrar sobre um pé e com a outro incutir força numa bola ou objeto. Por volta do 5º ou 6 º ano de escolaridade a maioria das crianças já terá atingido o padrão maturo do pontapear (Cordovil & Barreiros, 2014). Desconstruindo o movimento, um estádio inicial do pontapear é caracterizado por movimentos limitados à ação da perna; pela manutenção do tronco direito toda a ação; pela utilização dos braços para manter o equilíbrio; pelo movimento limitado da perna que pontapeia para trás e por parecer que criança empurra a bola mais do que a pontapeia. Um estádio maturo do movimento é caracterizado pelo movimento dos braços que se deslocam em oposição um ao outro no momento de pontapear; pelo movimento da perna que pontapeia se iniciar na coxa; pelo avançar da coxa e pela extensão da perna no momento antes do contacto com a bola; pela flexão ligeira da perna de apoio no momento do contacto; por existir uma flexão do tronco durante o acompanhamento da bola após o contacto; pelo movimento da perna que pontapeia continuar mesmo após o contacto da bola fazendo com a base da perna de apoio seja reduzida à ponta dos pés ou mesmo se perca porque o pé deixou de estar em contacto com o solo e pela aproximação à bola ser feita através de uma corrida ou de um salto (Cordovil & Barreiros, 2014).





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