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Documento Curricular do Estado do RN Educacao Infantil ebook final 2018(1)
CAÇA PREDATORIA
APROFUNDANDO O TEMA
Larrosa Bondía (2002) define que a palavra ‘experiência’ contém insepa-
ravelmente a dimensão de travessia e perigo, pois o componente funda-
mental da experiência é sua capacidade de formação e transformação. 
É experiência aquilo que “nos passa”, ou que nos toca, ou que nos acon-
tece; e ao nos passar, nos forma e nos transforma. Somente o sujeito da 
experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação.
Assim, é possível identificar essa capacidade de formação e transforma-
ção – componente fundamental da experiência apontando por Larrosa 
Bondía nos princípios apresentados por Dewey para constituição de uma 


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HISTÓRICO E FUNDAMENTOS
Currículo e Experiências
experiência educativa – suas características de liberdade, continuidade 
e transformação (DEWEY, 2007; 2011). A transformação possibilitada pela 
experiência pode ser explicada na seguinte definição:
A experiência é fruto de uma elaboração, portanto, mobiliza 
diretamente o sujeito, deixa marcas, produz sentidos que podem ser 
recuperados na vivência de outras situações semelhantes, portanto, 
constitui um aprendizado em constante movimento. Aprender em 
si mesmo, como processo que alavanca o desenvolvimento, é uma 
experiência fundamental às crianças e compromisso de uma boa 
instituição educativa (AUGUSTO, 2013, p. 05).
É possível dizer, portanto, que as crianças se apropriam de conhecimen-
tos e linguagens em suas experiências cotidianas, que precisam se cons-
tituir como educativas. Barbosa (2009) considera que a ampliação dos 
conhecimentos cotidianos e científicos das crianças precisa estar pre-
sente nos objetivos, finalidades, organização e práticas cotidianas dos 
estabelecimentos educacionais, para tanto, ressalta que é preciso prio-
rizar, selecionar, classificar e organizar conhecimentos de modos mais 
próximos das experiências dinâmicas das crianças e não da visão frag-
mentada da especialização disciplinar. Nesse sentido, define que:
O objetivo da educação infantil, do ponto de vista do conhecimento 
e da aprendizagem, é o de favorecer experiências que permitam às 
crianças a apropriação e a imersão em sua sociedade, através das 
práticas sociais de sua cultura, das linguagens que essa cultura 
produz, e produziu, para construir, expressar e comunicar significados e 
sentidos (BARBOSA, 2009, pp.47-48).
Dessa forma, a autora propõe “o currículo em ação”, onde há lugar para a 
ludicidade, tempo para a construção de cultura de pares, espaço para o 
encontro e interlocução entre as crianças e os professores, tendo como 
base a articulação de princípios educativos, considerando os conheci-
mentos explícitos e o que está oculto nas práticas cotidianas.
Os contextos sociais e familiares podem ter destaque na formulação 
destes princípios e dos conhecimentos curriculares, pois “o ensino de 
conhecimentos sistematizados e tradicionalmente vinculados à lógica 
escolar não dão conta do universo complexo dos mundos da infância 
porque, ao seccionar o cotidiano em disciplinas, reduz o poder do pen-
samento complexo das crianças” (BARBOSA, 2009, p. 51). Em função disso, 
a vida social em sua complexidade precisa estar presente no currículo 
da educação infantil. 


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HISTÓRICO E FUNDAMENTOS
Currículo e Experiências
As experiências educativas aparecem e são propostas, então, em oposi-
ção ao currículo organizado por eixos/blocos/áreas de conhecimentos 
e/ou disciplinas curriculares. Oliveira (2015) ressalta que as experiências 
foram pensadas por possibilitarem o reconhecimento do protagonismo 
da criança, a valorização do sentido pessoal que cada criança empresta 
às vivências propostas e aos conhecimentos nelas construídos e o cará-
ter prático-reflexivo que devem assumir as práticas pedagógicas propos-
tas às crianças.
O desafio que se coloca para a elaboração curricular, segundo Olivei-
ra (2013), consiste em transcender a prática pedagógica centrada no(a) 
professor(a) e garantir experiências que possibilitem “o encontro de ex-
plicações pela criança sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma, 
enquanto desenvolvem formas de sentir, pensar e solucionar problemas” 
(Ibid.; p. 06). Deste modo, não se trata de pura transmissão de uma cultu-
ra considerada pronta, mas, de promover interações nas quais as crian-
ças busquem compreender o mundo e a si mesmas, através de processos 
de significação e construção de cultura, de um modo muito próprio e 
marcado pelo momento histórico.
Na proposta do currículo organizado por experiências, Augusto (2013) escla-
rece que os saberes das crianças devem ser validados pela escola e consi-
derados desde o planejamento do professor, visando à sua articulação aos 
novos conhecimentos. Desse modo, espera-se que a criança possa envol-
ver-se em processos de significação tomando os novos conhecimentos e 
diferentes modos de aprender como parte de sua própria experiência.
Define-se assim, que sejam garantidas experiências educativas que en-
volvem objetivos que visam à aprendizagem dos conhecimentos cons-
truídos socialmente em diferentes âmbitos e das diferentes linguagens 
em suas variadas formas de expressão e interação, no contexto de currí-
culos e práticas cotidianas da Educação Infantil. Tais experiências e sua 
materialização nas práticas curriculares têm como eixos norteadores
as interações e a brincadeira, que, por sua vez, constituem os processos 
de aprendizagem e desenvolvimento da criança, conforme amplamente 
discutido no capítulo três deste documento.


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HISTÓRICO E FUNDAMENTOS
Currículo e Experiências
A Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017), ancorada nas Diretrizes 
Curriculares Nacionais para Educação Infantil (BRASIL, 2009a), propõe o 
currículo da Educação Infantil organizado por Campos de experiências 
a partir de Direitos de aprendizagem e desenvolvimento da criança. No 
capítulo que segue são apresentados os Direitos e Objetivos de Apren-
dizagem e Desenvolvimento a serem garantidos no desenvolvimento dos 
cinco Campos de Experiências definidos na BNCC. 

Art . 9º As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem 
ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo experiências que:
I - 
promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências 
sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da 
individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança;
II -
favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas 
de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical;
III -
possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a 
linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos;

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