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A PRIMEIRA INFÂNCIA Especificidades da Criança 36



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Documento Curricular do Estado do RN Educacao Infantil ebook final 2018(1)
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A PRIMEIRA INFÂNCIA
Especificidades da Criança


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INTERAÇÕES
 
O brincar é uma das especificidades da infância, das 
crianças. Em todas as culturas, a criança brinca. A 
brincadeira é o modo essencial como a criança produz 
cultura – a cultura lúdica. Mas, o brincar não é natural 
e nem espontâneo na criança. É uma prática cultural, 
aprendida em seu meio social; depende, desde o início, 
de uma interação, de uma relação com os outros, 
que suscitam e interpretam gestos da criança como 
brincadeira, assim, essas ações vão sendo aprendidas 
como sendo brincadeiras. (UBARANA, LOPES, 2012, p. 20).
3 . INTERAÇÕES, 
BRINCADEIRA E 
APRENDIZAGEM
DA CRIANÇA
 A
 
criança aprende e se desenvolve nas interações e brincadeira
mediadas pelo outro e pela linguagem. Este capítulo apresenta 
os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança, os 
fatores, mecanismos e dimensões envolvidos nesses processos. Parte da 
centralidade da brincadeira como constitutiva da cultura infantil e discu-
te o papel das interações e da mediação pedagógica na aprendizagem da 
criança, destacando o lugar do adulto-educador em sua educação.


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INTERAÇÕES
 
O desenvolvimento das crianças se processa desde o nascimento. É nas 
interações com diferentes parceiros em situações diversas que lhes é 
possibilitado apropriar-se de amplas aprendizagens, bem como signifi-
cados que permeiam a cultura vivida através das gerações. É pelo signi-
ficado do outro que a criança passa a ser capaz também de significar o 
mundo à sua volta, atribuindo-lhe sentido próprio.
É por serem sujeitos de direitos, pessoas concretas e capazes, que seus 
modos de ser e estar no mundo ganham caráter ativo, sendo aptos não 
somente a apropriarem-se dos objetos da cultura, mas também a pro-
duzi-los. A Abordagem Histórico-Cultural, de Lev Vigotski, e a Abordagem 
Sociogenética, de Henri Wallon, trouxeram contribuições significativas às 
concepções e estudos relativos ao desenvolvimento humano e aos mo-
dos de ser da criança, ao considerar sua constituição social e histórica 
dentro de uma cultura.
O presente documento assume que é nas/pelas interações sociais que 
as crianças se desenvolvem e se constituem sujeitos culturais, e é por 
meio do compartilhamento e da apropriação de práticas culturais, me-
diadas pelas relações sociais e pela linguagem, que elas se apropriam da 
cultura em seus contextos de vida.
Mediante tais experiências, torna-se possível compartilhar as práticas 
da cultura – conhecimentos do mundo natural e social, múltiplas lin-
guagens, em especial a brincadeira – reconhecendo sua capacidade de 
aprender e se desenvolver quando lhe são dadas condições para isso. 
Permite, ainda, produzir cultura, ser e agir de modo integral, em sua glo-
balidade, bem como, expressar sua forma de se relacionar com o mundo 
por meio da brincadeira, da imaginação e da fantasia, participando e 
intervindo nos contextos em que vive.
As teorizações de Vigotski (2007), fundamentadas na concepção de de-
senvolvimento humano que se produz na história e na cultura, a partir 
de processos de significação e sentidos, enfatizam a natureza social e 
simbolicamente mediada do desenvolvimento psicológico, de modo a 
definir a lei geral do desenvolvimento cultural, que afirma: “[...] qualquer 
função no desenvolvimento cultural da criança aparece em cena duas 
vezes, em dois planos – primeiro no social, depois no psicológico, primei-
ro entre as pessoas como categoria interpsicológica, depois – dentro da 
criança.” (VIGOTSKI, 2000, p. 26).


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INTERAÇÕES
 
Isso significa que o desenvolvimento humano se configura em processos 
de transformações ao longo da vida, de sua condição de ser biológico 
em ser cultural, mediados pelo outro (PINO, 2005), resultantes da inter-
nalização de funções psíquicas – transformação de modos de ser e vi-
ver compartilhados entre pessoas, nas relações sociais – a exemplo das 
significações culturais e dos valores, em algo próprio – que se converte, 
mediante processo de significação, por meio de signos, em modos indi-
viduais de funcionamento que caracterizam o modo particular de cada 
sujeito. Logo, não nos relacionamos diretamente com o mundo, mas com 
um mundo interpretado pelos outros.
Para analisar as relações entre aprendizagem e desenvolvimento, Vigot-
ski (2007) elabora o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal. Esta 
se refere à distância entre o nível de desenvolvimento real do sujeito, 
quando consolida a apropriação de processos sendo capaz de agir auto-
nomamente, e o desenvolvimento potencial, quando requer mediação do 
outro para realizar/consolidar processos em amadurecimento que não 
aconteceriam sem o auxílio do outro mais experiente. Com isso, pode-se 
afirmar que entre esses níveis há uma zona propícia à intervenção peda-
gógica, onde professores podem atuar na apropriação de aprendizagens 
que se encontram em processo de constituição e por vez, não ocorreriam 
espontaneamente. Logo, é necessário reconhecer o papel fundamental 
da mediação na promoção de aprendizagens e desenvolvimento:
[...] o mero contato com objetos do conhecimento não garante 
a aprendizagem, assim como a simples imersão em ambientes 
informadores não promove, necessariamente, o desenvolvimento, 
balizado por metas culturalmente definidas. A intervenção deliberada 
dos membros mais maduros da cultura do aprendizado das crianças é 
essencial ao seu processo de desenvolvimento (OLIVEIRA, 2000, p. 15).
Ao afirmar que a relação dos indivíduos com o mundo não é direta, mas 
mediada pelos signos, Vigotski (2007) atribui à linguagem seu papel cen-
tral, constituindo-se, no processo mais importante no desenvolvimento, 
uma vez que permite uma mudança significativa nos processos da cons-
ciência, organizando o pensamento, o comportamento e promovendo o 
desenvolvimento das funções psicológicas tipicamente humanas, tais 
como a atenção e memória voluntária, a linguagem e o pensamento. As-
sim, pela linguagem é possível comunicar-se e significar o mundo através 
do uso de signos construídos historicamente.



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