Organizador francisco josé gondim


Exercício físico, obesidade central e saúde



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Exercício físico, obesidade central e saúde
O excesso de peso é estabelecido pelo índice de massa corporal igual ou aci-
ma de 25kg/m
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 e a atividade física insuficiente quando menos que 3,5 horas de 
exercício físico moderado a intenso na semana. Ambos podem representar 31% 
de todas as mortes prematuras, além de 59% de mortes por doenças cardiovas-
culares e 21% de mortes por câncer em mulheres não fumantes (HU et al., 2004).
Uma das formas mais eficazes de tratamento para pacientes obesos, espe-
cialmente aqueles com excesso de gordura abdominal, é a prática de exercícios 
físicos, pois além de provocar uma mudança no estilo de vida e reduzir risco de 
mortes, resulta em diminuição da circunferência da cintura (adiposidade vis-
ceral) e nível de TG circulantes (gordura ectópica) e, consequentemente, risco 
cardiometabólico melhorado (DESPRÉS, 2012). 
Em relação aos efeitos do treinamento físico para diminuir o TAV, basean-
do-se nos resultados apresentados na literatura científica, pode-se dizer que, 
independente de sexo, todos que apresentam excesso de TAV podem reduzir 
este excesso quando feitos exercícios físicos adequadamente, e que tanto o vo-
lume,  o  modelo  e  a  intensidade  dos  exercícios  são  importantes  e  devem  ser 
levados em consideração (VISSERS et al., 2013).
Quanto  ao  sexo,  evidências  indicam  que  os  exercícios  feitos  com  grupos 
de mesmo sexo (grupos formados somente por mulheres ou somente por ho-
mens), apresentaram melhores resultados (LOVEJOY & SAINSBURY, 2009). 
Em relação ao modelo de treino, a maioria dos estudos concentra-se em exer-
cícios aeróbios, resistidos e combinados (aeróbios e resistidos), e indicam que 
os aeróbios apresentam maiores reduções no TAV quando comparados ao re-
sistido,  apesar  de  que  estes  também  apresentam  redução,  e  que  os  modelos 
combinados  não  apresentaram  reduções  superiores  quando  comparados  aos 
outros dois modelos (SLENTZ et al., 2011).  
O  volume  do  treino  também  exerce  influência  sobre  a  redução  do  TAV. 
Neste caso, a teoria de quanto mais, melhor, não funciona, mas recomenda-se 
que a partir de 250 min/semana de treino é necessário para redução do TAV 
(ACSM,  2013).  Apesar  dessa  recomendação  do  ACSM,  quando  comparados 


Exercício físico na prevenção e tratamento de agravos metabólicos, 
cardiovasculares, respiratórios, osteomioarticulares, neurológicos e psiquiátricos
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resultados de mulheres pós menopausa que treinaram por um ano, três vezes/
semana, aproximadamente 180 min/semana em intensidade entre 50 e 60% fre-
quência cardíaca de reserva (FCR) nos primeiros três meses, e no restante do 
período  entre 70 e 80% da FCR, apresentaram redução do TAV acima do grupo 
controle (FRIEDENREICH et al., 2011), e esta redução não foi menor do que 
em  ensaio  clínico  controlado  cujas  mulheres  realizaram  treinamento  aeróbio 
ou  resistido,  entre  cinco  e  seis  dias/semana  em  intensidade  moderada  a  alta 
também durante um ano (IRWIN et al., 2003). 
Mais especificamente quanto à intensidade do treino, em revisão sistemática 
feira por Vissers et al. (2013), analisou-se os resultados de estudos que realiza-
ram treinamento em intensidade alta (>70% frequência cardíaca máxima-FCM 
ou maior que 55% do Vo2max ou maior que 70% da FCR), intensidade moderada 
( entre 60 e 70 70% da fcm ou 45 a 55% do Vo2max) e intensidade baixa (< 60% 
da FCM ou < 45% do VO2 max), e observaram que existe um “limiar” de inten-
sidade de treino necessário para redução do TAV, pois somente os estudos que 
realizaram atividades moderadas ou intensas, apresentaram diminuição do TAV.
Na mesma direção das evidências apresentadas anteriormente, recente ar-
tigo de opinião escrito com base em estudos sobre atividade física e gordura 
abdominal publicados na literatura nacional e internacional sugere exercícios 
físicos  (aeróbicos  e  resistidos),  com  duração  prolongada,  de  intensidade  mo-
derada  para  homens  e  de  intensidade  caminhada/moderada  para  mulheres, 
como as mais adequadas para prevenção/tratamento da obesidade abdominal 
(PITANGA; PITANGA & BECK, 2018).



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