Organizador francisco josé gondim



Baixar 16.84 Kb.
Pdf preview
Página356/368
Encontro03.06.2021
Tamanho16.84 Kb.
1   ...   352   353   354   355   356   357   358   359   ...   368
Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
344
da frequência cardíaca em imersão é influenciada por alguns fatores, como a 
temperatura da água, a profundidade de imersão e a frequência cardíaca ini-
cial de cada indivíduo. Esses parâmetros repercutem diretamente no cenário 
de treinamento físico, visto que esse comportamento mais baixo da frequência 
cardíaca  no  meio  aquático  persiste  em  intensidades  submáximas  e  máximas 
durante a prática de exercícios de hidroginástica, corrida em piscina funda e ci-
cloergômetro aquático (PENDERGAST et al., 1987; ALBERTON et al., 2014; 
CHRISTIE et al., 1990; Nakanishi; Kimura; Yokoo, 1999). Por esta razão, o uso 
de valores de frequência cardíaca mensurada em meio terrestre na prescrição 
de treinamento em meio aquático é um erro metodológico que deve ser evita-
do, pois superestima a intensidade de treinamento, podendo inclusive colocar 
os praticantes em um maior risco cardiovascular. Nesse sentido, protocolos es-
pecíficos de avaliação dos parâmetros cardiorrespiratórios máximos e submá-
ximos em meio aquático já estão disponíveis na literatura (PENDERGAST et 
al., 1987), viabilizando uma prescrição adequada a partir de testes avaliativos 
realizados em imersão.
Outra importante variável cardiovascular que parece responder à imersão é 
a pressão arterial. O fato do meio aquático proporcionar determinado aumento 
no débito cardíaco e redução na resistência vascular sistêmica leva a interessan-
tes indagações acerca do produto final desses parâmetros fisiológicos, que é a 
pressão arterial. Porém, em associação à diurese aumentada, tem sido observa-
do um efeito hipotensivo no meio aquático (RIM et al., 1997; SRÁMEK, 2000). 
Outro parâmetro fisiológico importante na prescrição de treinamento, do 
qual  devemos  conhecer  a  resposta  em  meio  aquático  é  o  consumo  de  oxigê-
nio. Entendendo esse parâmetro pela equação de Fick (POWERS; HOWLEY, 
2014), a qual o reporta como o produto do débito cardíaco e da diferença arte-
riovenosa de oxigênio, compreende-se que pelo aumento no débito cardíaco, o 
meio aquático possa proporcionar aumentado consumo de oxigênio. De fato, 
alguns sujeitos saudáveis experimentam leve aumento nesse parâmetro em re-
pouso quando imersos (ALBERTON et al., 2013), enquanto outros apresen-
tam valores semelhantes ao meio terrestre
 
(CHRISTIE et al., 1990; KRUEL, 
2013). Neste sentido, entendemos que em exercícios realizados no meio terres-
tre, o débito cardíaco aumenta em decorrência de uma maior demanda meta-
bólica, tendo total relação com o consumo de oxigênio sistêmico. Porém, em 
meio aquático, para uma mesma carga de trabalho, ocorre um maior débito car-
díaco quando comparado ao meio terrestre(PENDERGAST; LUNDGREN, 
2009; DÍEZ, 2017). Este aumento no débito cardíaco não implica em propor-
cional  aumento  no  consumo  de  oxigênio  tendo  em  vista  que  a  diferença  ar-
teriovenosa  é  menor  em  meio  aquático.  Assim,  mesmo  com  a  ocorrência  de 


Prescrição de exercícios físicos no meio aquático para prevenção e tratamento 
de hipertensão, diabetes tipo 2 e dispidemias
345
redistribuição  sanguínea  para  os  músculos  ativos,  este  aumento  no  débito 
cardíaco  não  seria  direcionado  expressivamente  aos  músculos  em  atividade. 
Além  disso,  pela  flutuabilidade  provocada  pelo  empuxo,  levando  a  uma  re-
dução do peso hidrostático em torno de 70% na profundidade de imersão de 
apêndice xifoide (DELEVATTI et al., 2015), alguns exercícios estacionários com 
deslocamentos predominantemente verticais acabam tendo menor consumo de 
oxigênio em relação ao meio terrestre. Já em exercícios com predominância de 
deslocamento horizontal, como na corrida em piscina funda e alguns exercí-
cios de hidroginástica, o consumo de oxigênio é otimizado substancialmente, 
podendo equiparar-se ao meio terrestre ou até superá-lo  (KALUPAHANA; 
MOUSTAID-MOUSSA, 2001; VERMES et al., 2003). Tais particularidades 
exercem influência também na sobrecarga articular, promovendo redução do 
impacto  articular  quando  o  exercício  é  realizado  em  imersão,  comparado  ao 
meio  terrestre  (ALBERTON  et  al.,  2015;  DELEVATTI  et  al.,  2015).  Com  isso, 
tem-se no meio aquático um excelente meio para realização de exercícios para 
pessoas obesas ou com sobrepeso.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   352   353   354   355   356   357   358   359   ...   368


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal