Organizador francisco josé gondim



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AERÓBIO
RESISTIDO
FLEXIBILIDADE
EQULÍBRIO
TIPO
Atividades 
cíclicas com 
grandes 
grupamentos 
musculares, que 
não imponham 
grande estresse 
ortopédico.
Grandes 
grupamentos 
musculares 
em máquinas.
Atividades que 
mantenham 
ou aumentem 
a flexibilidade 
de grandes 
grupamentos, 
alongamento 
estático ao invés 
de balístico. 
Para indivíduos com 
quedas frequentes ou 
mobilidade reduzida.
INTENSIDADE
30 minutos de 
intensidade 
moderada 
(Borg 5-6) ou 
20 minutos de 
intensidade alta 
(Borg 7-8).
Intensidade 
moderada 
(Borg 5-6) 
ou alta 
(7-8), 8-12 
repetições 
por exercício.
Intensidade 
moderada (Borg 
5-6).
Dificuldade progressiva 
e redução da base 
de suporte (duplo 
apoio – semitandem – 
tandem – apoio único), 
2) equilíbrio dinâmico 
(caminhada tandem), 
3) isometria de grupos 
musculares posturais 
(flexão plantar), 4) 
redução do estímulo 
sensorial (em pé de 
olhos fechados).
DURAÇÃO
20 a 30 minutos.
8-10 
exercícios.
O treinamento 
pode ter 
qualquer 
duração.
O treinamento pode ter 
qualquer duração.
FREQUÊNCIA
3 a 7/semana.
Pelo menos 
2/semana
Pelo menos 2/
semana
O treinamento pode 
ser feito em qualquer 
frequência.
Já nos estágios mais avançados (moderada:  CDR=2,0 e severa: CDR=3,0), 
quando o paciente apresentar limitação funcional e incapacidade, o ACSM re-
comenda a realização do protocolo básico de exercícios para indivíduos com 
doenças  crônicas  e  incapacidade  (Chronic  Diseases  and  Disabilities  4
th
  edition, 
CCD4) (GEOFFREY E. MOORE, 2016):


Distúrbios neurológicos e psiquiátricos
269
AERÓBIO_RESISTIDO_FLEXIBILIDADE_EQULÍBRIO_INTENSIDADE_E_DURAÇÃO'>AERÓBIO
RESISTIDO
FLEXIBILIDADE
EQULÍBRIO
INTENSIDADE E 
DURAÇÃO
Aumento da 
intensidade 
gradual de 3 
a 5/10 RPE. 
Duração de 
40 min ou 20 
min quando 
combinado 
com força.
1 série de 8-12 
repetições ou 
levantar e sentar 8x 
ou step 10x, a 50-
70%RM. Após duas 
semanas, deve-se 
aumentar para duas 
séries.
20 segundos 
por exercício, 
até o ponto de 
desconforto. 
Todas as sessões de 
treinamento devem 
ser compostas de 
aquecimento e 
recuperação (10 a 
15 min 3/10 RPE).
FREQUÊNCIA
4-5 vezes/
semana.
2-3 vezes/semana.
3 vezes/semana.
O treinamento 
pode ser feito 
em qualquer 
frequência.
Para idosos com DA o Exercise is Medicine (2014) do ACSM apresenta algu-
mas recomendações para a prática de exercício físico. As recomendações gerais 
são as seguintes:
AERÓBIO
RESISTIDO
FLEXIBILIDADE
INTENSIDADE 
Aeróbio contínuo ou 
intervalado, com intensidade 
entre 60-90% da FC
máx
. A 
percepção subjetiva de 
esforço (RPE) deve ser entre 
13 e 15 em uma escala de 
20 pontos, desde que não 
existam outros problemas de 
saúde que requer uma menor 
intensidade. 
3 séries de 6-12 
repetições máximas 
(RM) por exercício. 
É importante incluir 
os principais grupos 
musculares e 
selecionar movimentos 
funcionais: como 
agachamento, remada 
alta e outros exercícios 
que são semelhantes 
às AVD.
Deve incluir os 
principais grupos 
musculares e alongar 
até o limite com leve 
desconforto. Exercícios 
de 2 a 4 séries.
DURAÇÃO
20 a 60 minutos por sessão. 
O tempo total de exercício 
aeróbio deve ser de pelo 
menos 120 a 150 minutos por 
semana.
6 a 8 exercícios por 
sessão.
O treino de 
flexibilidade pode ter 
qualquer duração.
FREQUÊNCIA
3 a 5 vezes/ semana.
2 ou mais vezes/
semana.
2 a 3 vezes/semana.
Além das recomendações oficiais do ACSM, algumas questões específicas 
devem ser consideradas no treinamento com pacientes com Demências. A se-
guir serão descritas sugestões e recomendações baseadas nas evidências mais 
recentes da literatura científica. 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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Treinamento aeróbio:
Entre as possibilidades de treinamento em esteira ergométrica, nossa expe-
riência com projetos desenvolvidos na UNESP e na UFRJ mostram que a cami-
nhada pode ser uma opção eficiente e segura para pacientes com DA. Nas pes-
quisas desenvolvidas no projeto PROCDA na UNESP – Rio Claro, (COELHO, 
2014) primeiramente os idosos com DA realizavam um período de adaptação 
em dias alternados. O período de adaptação foi composto de 4 sessões, no qual, 
era ensinado ao idoso a forma correta de caminhar na esteira e a familiarização 
ao  equipamento.   A  intensidade  e  a  duração  foram  progressivas,  até  atingir 
4km/h e 25 minutos de caminhada. Desta forma, iniciou-se a adaptação com ve-
locidade de 2 km/h e duração de 10 minutos nas duas primeiras sessões e poste-
riormente foi aumentada a velocidade para 3 km/h e duração de 15 minutos na 
terceira sessão e 3,5km/h a 4 km/h e duração de 20 minutos na quarta e última 
sessão de adaptação. No entanto, a velocidade foi incrementada de acordo com 
o movimento de caminhar do idoso, observado pelo Profissional de Educação 
Física e de acordo com o auto relato do idoso, ou seja, a velocidade somente 
foi aumentada à medida que o idoso caminhava corretamente e sentia-se bem 
e tranquilo ao caminhar. Na adaptação os idosos foram familiarizados com a 
Escala de Borg, com o objetivo de relatar a PSE nesse período e também duran-
te o todo o treinamento. Cuidados importantes durante a adaptação e também 
durante o treinamento na esteira foram adotados. O Profissional de Educação 
Física ficava sempre ao lado da esteira, com uma das mãos localizada atrás das 
costas  do  idoso,  pronto  para  dar  suporte  em  caso  de  desequilíbrio  e  o  outro 
braço à frente do comando da esteira para que a qualquer momento que fosse 
necessário parar a esteira com urgência, a ação fosse rápida. O Profissional de 
Educação Física também incentivava o idoso a caminhar de forma tranquila e 
começar o passo com o apoio do calcanhar durante a caminhada. 
O treinamento era três vezes por semana, em dias alternados. O idoso ini-
ciava o treinamento com a velocidade de 4 km/h, duração de 25 minutos, e a 
inclinação na esteira era determinada pelo Limiar de Lactato (obtido em teste 
incremental) ou pela FC
max
.  A FC
max
 era obtida pela fórmula de Tanaka et al. 
(2001): FC
max
= 208 – (0,7 x Idade em anos). A inclinação na esteira correspondia 
a 90% da inclinação do Limiar de Lactato individual obtido no teste incremen-
tal,  o  que  correspondia  a  aproximadamente  75%FC
max
,  o  que  caracteriza  um 
treinamento  de  intensidade  moderada.   A  inclinação  da  esteira  era  mantida 
durante todo o treinamento, bem como a velocidade de 4 km/h. A sobrecarga 
do treinamento era realizada alterando o volume. Com o objetivo de seguir-
mos o princípio da sobrecarga, o treinamento durante as 9 primeiras sessões 


Distúrbios neurológicos e psiquiátricos
271
(3 semanas iniciais) teve duração de 25 minutos, nas 9 sessões seguintes de 30 
minutos, posteriormente 35 minutos, e por fim, 40 minutos nas últimas 9 ses-
sões (ver tabela 1). 
Durante as sessões de treinamento, a PSE era verificada a cada 5 minutos 
com o objetivo de verificar o esforço percebido pelo idoso; a FC e pressão arte-
rial dos participantes também eram averiguadas e anotadas a cada 5 minutos. 
Estes procedimentos eram efetuados como medida de segurança em relação à 
condição física dos idosos. A FC era calculada durante todo o treinamento para 
verificar se houve manutenção da intensidade do treinamento. 
Tabela 1
Estrutura do treinamento
Caminhada na Esteira Ergométrica – 12 semanas - 36 sessões
FASE 1 
9 sessões 
(3 semanas)
25 minutos 
FASE 2 
9 sessões 
(3 semanas)
30 minutos 
FASE 3 
9 sessões
 (3 semanas) 
35 minutos
FASE 4 
9 sessões
 (3 semanas)
40 minutos 
70% - 75%FC
max
Para fins de pesquisa, o treinamento na esteira teve duração de 12 semanas, 
no entanto, enfatiza-se a necessidade de oferecer este tipo de intervenção de 
forma contínua para um maior benefício para esta população. 
Treinamento de força:
Uma das principais valências físicas associadas à funcionalidade é a força, 
tanto  de  membros  superiores  quanto  de  membros  inferiores.  Com  o  envelhe-
cimento, redução de síntese de hormônios anabólicos e fatores de crescimento, 
associados à redução de estímulo físico, contribuem para o aumento de sarco-
penia e redução da força. Estima-se que haja uma redução de força de cerca de 
10% à década após os 50 anos de idade. Nesse sentido, o treinamento de força 
deve estar presente em toda prescrição de exercícios para idosos. Da mesma for-
ma, idosos com demências devem realizar uma rotina de exercícios com sobre-
carga,  desde  que  respeitados  quadros  clínicos  específicos  que  contraindiquem 
a  atividade,  como  lesões  ou  quadros  agudos  de  dor  ou  inflamação.  Em  nossa 
pesquisa realizada na UFRJ, pacientes com DA realizam exercícios de força em 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
272
equipamentos. A rotina de exercícios é realizada duas vezes por semana, 3 séries 
de 8 a 12 repetições máximas. Os idosos realizam um circuito com 5 equipamen-
tos: legpress, supino, remada sentada, cadeira extensora e cadeira flexora. A so-
brecarga progressiva é realizada em todos os equipamentos, e a carga é aumen-
tada sempre que o paciente consegue realizar mais do que 12 repetições. Dados 
preliminares não publicados mostraram um aumento de cerca de 100% de ganho 
de força em todos os equipamentos após três meses de treinamento.    
Treinamento multicomponentes:
Corroborando as recomendações do ACSM e do CCD4 do ACSM, o progra-
ma de treinamento que envolva múltiplos componentes é desejável para idosos, 
independente  da  presença  de  diagnóstico  de  demências.  Especificamente  em 
pacientes  com  demências,  Ohman  et  al.  (2016)  utilizaram  uma  intervenção  de 
uma hora de treinamento multicomponentes composto por exercícios aeróbios 
(caminhada, dança, remoergômetro), exercícios de força (equipamentos de mus-
culação), exercícios de equilíbrio (andar em uma linha, subir escadas, exercícios 
com bola, pegar objetos no chão) e treinamento de funções executivas (exercícios 
em dupla tarefa) (OHMAN et al., 2016). Cada uma das etapas tinha duração de 
15 minutos. Os autores verificaram uma boa adesão a este tipo de treinamento e 
uma melhora na capacidade funcional após 12 meses de treinamento. 
Nos  estudos  realizados  na  UFRJ,  pacientes  com  DA  realizam  um  treina-
mento multicomponentes durante uma hora, duas vezes por semana. O treina-
mento é composto por quatro etapas: 
•  30 minutos de caminhada na esteira (5 minutos de aquecimento, 20 min 
a 70%VO
2max
 e 5 minutos de recuperação)
•  Exercícios de força (legpress, cadeira extensora, cadeira flexora, supino e 
remada), 3 séries de 8-12 RM;
•  Exercícios  de  equilíbrio  (apoio  unipodal,  tandem,  semitandem,  flexão 
plantar, apoio em superfície instável);
•  Alongamento de membros superiores e inferiores. 
Os ajustes de carga e da dificuldade dos exercícios são realizados de acordo 
com a evolução individual de cada paciente, procurando obedecer ao princípio 
de sobrecarga progressiva.   
Na  UNESP-Rio  Claro,  os  pacientes  com  DA  realizaram  um  treinamento 
funcional (TF), desenvolvido três vezes na semana, com duração de uma hora 


Distúrbios neurológicos e psiquiátricos
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por sessão e os resultados apontaram que, após três meses, o TF foi importante 
para retardar o processo de deterioração cognitiva, funcional e física de idosos 
com DA (PEDROSO et al., 2017). O TF é um tipo de treinamento multicom-
ponentes que consiste na realização de exercícios integrados que simulam as 
AVD. As sessões de treinamento foram estruturadas da seguinte forma:
•  Aquecimento (exercícios de caminhada e alongamento dinâmico) – 10 
minutos; 
•  Circuito 1: atividades de locomoção (pequenas caminhadas, subir e des-
cer escadas, andar e transportar objetos, andar e ultrapassar obstáculos, 
caminhar em ambiente instável, caminhar em zigue-zague) – 15 minutos;
•  Pausa para hidratação – 5 minutos;
•  Circuito 2: atividades para as demais AVD (sentar e levantar da cadeira, 
abdominais, exercícios com exercise ball, simulação de “secar as costas”, 
entre outras ações integradas) – 15 minutos; 
•  Alongamento de membros inferiores e superiores – 10minutos.
Foi  aplicada  uma  sobrecarga  na  complexidade  e  variabilidade  dos  exer-
cícios a cada duas semanas. Os participantes foram encorajados a realizar as 
atividades em 60-75% da frequência cardíaca máxima.
Treinamento de dupla tarefa
Outra possibilidade de treinamento que envolva múltiplos componen-
tes para idosos com demência é o treinamento de tarefa dupla. No Projeto 
de  Extensão  PROCDA/UNESP-Rio  Claro,  o  treinamento  de  tarefa  dupla 
era constituído por exercícios aeróbios, exercícios de equilíbrio, agilidade, 
coordenação motora, treinamento com pesos e exercícios de flexibilidade e 
simultaneamente estímulos à atenção, à linguagem e as funções executivas, 
como  julgamento,  abstração,  flexibilidade  mental  e  autocontrole  do  com-
portamento. As intervenções ocorriam três vezes por semana, em dias não 
consecutivos e a sessão tinha a duração total de 60 minutos. Para cada dia 
da  semana  era  trabalhado  um  componente  funcional  diferente.  Desta  for-
ma, no primeiro dia da semana enfatiza-se o trabalho da agilidade e coor-
denação,  no  segundo  a  flexibilidade  e  no  terceiro  o  equilíbrio.  Contudo  a 
capacidade aeróbia e o treinamento com pesos eram enfatizados nas 3 ses-
sões. A sessão de 60 minutos era dividida em parte inicial, principal e final 
(C O E L H O , 2013)  (Tabela 2). 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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Tabela 2
Estrutura da intervenção de tarefa dupla



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