Organizador francisco josé gondim


Sobre o Método Self-healing: breve histórico e definições



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Sobre o Método Self-healing: breve histórico e definições 
O  Método  Self-healing  foi  desenvolvido  por  Meir  Schneider,  um 
Ucraniano  radicado  nos  Estados  Unidos  da América  do  Norte,  que  nasceu 
com  vários  problemas  visuais  (catarata  congênita,  astigmatismo,  nistagmo 
e estrabismo), passando por diversas cirurgias nos olhos e sendo considera-
do legalmente cego aos 7 anos de idade. Foi alfabetizado em Braile, e até a 
sua adolescência fazia uso de lentes muito grossas e desconfortáveis que lhe 
traziam  muita  dor  e  cansaço.  Entretanto,  ele  nunca  se  conformou  com  esta 
condição e com 16 anos foi apresentado por um amigo aos exercícios visuais 
desenvolvidos pelo Dr. Bates, oftalmologista final do século XIX e início do 
século XX, e que lhe trouxeram uma melhora gradativa da percepção da luz 
e a longo prazo a recuperação parcial de sua visão
4
. Aos poucos foi criando e 
4
  Atualmente Meir possui mais de 60% de visão funcional, possuindo carteira de motorista nos EUA.


Distrofias  Musculares Progressivas
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incluindo exercícios corporais e outras técnicas que lhe permitiram o desen-
volvimento de seu método (SCHNEIDER, 2005; SCHNEIDER et. al. 1999)
3
.
Em tradução livre para nosso idioma, o termo self-healing significa literal-
mente autocura, termo que para a nossa compreensão pode incorrer em equí-
vocos de interpretação, podendo ser confundido com curandeirismo ou char-
latanice. Soares (1999, p. 1-2) nos apresenta uma interpretação mais adequada 
para o termo considerando a essência da proposta, como segue:
O termo self-healing não possui equivalência em nosso idioma, ele privilegia a 
busca e a ampliação dos limites do indivíduo, podendo ser compreendido como 
autotratamento, autoajuda, autocura e até autocuidado. Todas as versões apre-
sentam a importância do indivíduo, da particularidade na própria condução do 
trabalho, só que algumas não relativizam essa autonomia ou não apresentam o 
terapeuta como educador desse processo. Em autotratamento fica registrada a 
existência de um processo terapêutico; em autoajuda, o outro (terapeuta, fami-
liar) nem é contemplado, em autocura, termo escolhido na publicação brasileira 
(SCHNEIDER et alli, op.cit.), a conotação é da remissão completa do problema, 
fato não assumido pelo método, e em autocuidado - na nossa opinião a melhor 
versão - está presente o aprendizado e a autonomia, sendo um termo originário 
da enfermagem e empregado na educação em saúde. 
Sendo assim, mesmo utilizando-nos do termo autocura, como é apresenta-
do nas publicações brasileiras, procuraremos abordar o assunto de forma que 
se evidencie a importância do envolvimento do sujeito no seu próprio processo 
de evolução, como uma forma de autocuidado, e também com a ênfase no viés 
pedagógico do método, no sentido da educação em saúde, mais adequado ao 
profissional de educação física.
Mesmo se tratando de um método que utiliza técnicas de massagem e ou-
tros exercícios, este não foge ao escopo da atuação do profissional de educação 
física. De acordo com Cesana et. al. (2002) a massagem e a educação física pos-
suem uma relação antiga, sendo que em seus primeiros currículos de formação, 
a primeira constava ora como disciplina, ora como especialização do profissio-
nal. Por ser um profissional da área da saúde e tratar especificamente do cor-
po em movimento, o profissional de educação física, devidamente habilitado, 
pode e deve lançar mão de diferentes abordagens que comprovadamente sejam 
benéficas para o desenvolvimento de seus clientes. O Método Self-healing está 
entre as possibilidades de atuação deste profissional.
Podemos definir o Self-healing como um método integrativo de autoconhe-
cimento que tem no movimento sua principal ferramenta de autotransformação. 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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Nas palavras do próprio Meir Schneider “na autocura, a nossa ênfase é no movimento, 
pois o movimento é a verdadeira essência da vida” (SCHNEIDER et al., 2009, p. XIV). 
Assim, com o movimento significando o ‘uso do corpo’ e aquilo que fazemos dele, 
o movimentar-se ganha um significado mais amplo no sentido da consciência ci-
nestésica que vamos perdendo ao longo da vida ao nos ocuparmos de nossas obri-
gações diárias (Op. Cit). Desta forma, todas as práticas que tornem o movimento 
mais fluido, cadente, harmônico e relaxado podem ser colocadas como ferramen-
tas práticas do método. Nas palavras de Toldrá et al. (2014, p. 161)
O  método  Self-healing  foi  desenvolvido  (...)  por  Meir  Schneider  como  um 
conjunto integrado de técnicas corporais, para serem aplicadas na prevenção 
e reabilitação de uma gama variada de doenças orgânicas, físicas e visuais. 
A aplicação dessas técnicas estimula e equilibra as funções orgânicas, físicas, 
psíquicas de modo harmônico, na medida em que possibilita o desenvolvi-
mento de um diálogo entre o corpo, a mente, as emoções e as sensações. 
É descrito como um método do movimento, tendo em vista que o movimento 
é  considerando  algo  inerente  ao  ser  humano  e  fundamental  à  vida.  O 
movimento envolve a relação corpo-mente, o que propicia o autoconhecimento. 
Movimentar-se sem sobrecarregar as estruturas do corpo é necessário para a 
manutenção da capacidade funcional do indivíduo. Assim, o método utiliza-se 
de movimentos leves, sutis, realizados sem esforço, para promover o relaxa-
mento da musculatura. 
No Self-healing, o entendimento sobre os processos de saúde e doença par-
tem do princípio de que nosso corpo, em estado natural e em condições propí-
cias, é capaz de se regenerar, de se autocurar. A perda dessa relação intrínseca, 
consciente com nosso próprio corpo, geralmente causada por situações prolon-
gadas de estresse físico e/ou mental para os quais construímos padrões de ação, 
é que gera condições para o adoecimento. Quanto mais arraigados os padrões 
de nosso cotidiano, mais distantes ficamos da consciência sobre nós mesmos 
(SCHNEIDER et al., 2009).
Desta forma, os objetivos do Método Self-healing não são outros do que a 
integração do sujeito através da consciência cinestésica, do relaxamento corpo-
ral e da quebra dos seus padrões limitantes. Para tanto, conta com uma série de 
ferramentas de trabalho corporal, das quais podemos destacar a massagem e 
automassagem, os movimentos corporais, a respiração consciente, a visualiza-
ção e os exercícios visuais. Toldrá et al. (2014, p. 161), elucidam os efeitos destes 
procedimentos, como segue: 


Distrofias  Musculares Progressivas
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O  movimento  realizado  de  forma  consciente  requer  a  atenção  direcionada 
para a região do corpo, articulação ou órgão interno em questão, o que fa-
vorece a utilização de todo o grupo muscular de forma mais equilibrada e o 
despertar da consciência corporal. Com isso, estimula-se a circulação sanguí-
nea, o alívio de tensões, a percepção do movimento, a diminuição ou até eli-
minação de padrões que favorecem o aparecimento de sintomas de doenças 
e agravos à saúde. 
A  respiração  profunda  e  lenta  permite  a  identificação  das  necessidades  e  li-
mites  do  próprio  corpo,  considerada  pelo  método  como  a  chave  para  a  au-
topercepção. A utilização da respiração consciente associada aos movimentos 
corporais  promove  a  percepção  cinestésica,  o  que  facilita  a  consciência  do 
movimento. A  automassagem  permite  a  melhora  da  transmissão  neurológi-
ca, aumento da mobilidade articular, bem como o relaxamento e preparação 
para o movimento. A visualização consiste na imaginação do movimento, da 
respiração ou do alongamento de partes do corpo antes e durante a ação pro-
priamente dita, considerada um ato mental, pois estimula os mesmos circuitos 
cerebrais usados para o ato físico, o que amplifica o efeito das demais técnicas.
Apesar de seu caráter terapêutico, é no viés pedagógico que o Método Self-
healing é inovador, pois suas práticas podem ser aprendidas e incorporadas à 
rotina do sujeito, uma vez que entre seus objetivos está a mudança de padrões 
de comportamento. Assim, não se tratam de técnicas aplicadas por um terapeuta 
e recebidas de forma passiva pelo paciente, mas sim uma troca e uma interação, 
onde o comprometimento do sujeito com a sua melhora é tão ou mais importante 
do  que  as  técnicas  em  si.  Por  seu  caráter  pedagógico,  pode  ser  vivenciado 
em  grupos  ou  individualmente,  adaptado  à  realidade  de  seus  praticantes  e 
recomendado a pessoas saudáveis ou acometidas por enfermidades.



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