Organizador francisco josé gondim



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Frequência semanal - O treinamento com exercícios requer uma frequência 
suficiente para obter benefícios à saúde e qualidade de vida. Deve-se estimular 
os cardiopatas a realizarem de três a cinco sessões semanais. Se possível, orien-
tar que exercícios como caminhar e pedalar podem ser realizados diariamente 
(HERDY et al., 2014).
Intensidade - A intensidade do treinamento deve se ajustar ao quadro clí-
nico  do  executante.  O  teste  ergoespirométrico  é  padrão  ouro  na  prescrição 
do  exercício  e  tem  por  objetivo  avaliar  o  comportamento  dos  sistemas  car-
diovascular,  pulmonar  e  muscular  em  situações  de  esforço.  Visa,  também, 
estabelecer a FC de treino, correspondente aos limiares ventilatórios (primei-
ro e segundo limiares). Ademais, o teste ergométrico (TE) máximo é exame 
mais utilizado e deve orientar o prescritor a estabelecer zona alvo em torno 
60 a 85% da FC
máx
 ou logo abaixo da FC que induz a angina estável (HERDY, 
2014; GHORAYEB et al., 2013). Independente do teste e protocolo realizado, 
é importante que o cardiopata inicie na RC o quanto antes. Por esse motivo, 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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é comum a realização do exame após as primeiras semanas da admissão no 
programa  de  exercícios,  a  fim  de  familiarizar  com  os  cicloergômetros  e  os 
membros da equipe.
Recentemente,  o  exercício  intervalado  de  alta  intensidade  (HIIT-High 
Intensity Interval Training) tem recebido especial atenção, apresentando-se 
sob  diversas  formas  e  como  opção  adicional  ao  treinamento  utilizado  em 
programas de RC (ROGNMO et al., 2004; WISLOFF et al., 2007; TJONNA et 
al., 2008; SCHJERVE et al., 2008; MOHOLDT et al., 2009; MOHOLDT et al., 
2011; HAFSTAD et al., 2011; MOHOLDT et al., 2012; RAKOBOWCHUK et 
al., 2013; CURRIE et al., 2013; NORMANDIN et al., 2013; KOUFAKI et al., 
2014). Suas principais características são sessões com duração mais curtas 
e  com  sets  (tiros)  em  elevadas  intensidades  (90%  do  VO
2máx
  ou  85  a  95% 
da FC
Máx
), intercalados com pequenos períodos de recuperação passiva ou 
ativa.  Surge  como  uma  alternativa  ao  treinamento  convencional  e  alguns 
estudos  tem  mostrado  ser  mais  cardioprotetor  que  o  exercício  moderado 
(WISLOFF et al., 2007; MOHOLDT et al., 2012).
Mesmo  assim,  as  Associações  Europeia  (PIEPOLI  et  al.,  2010),  a  Norte-
Americana  (AACPR  GUIDELINES,  2013),  Canadense  (STONE  et  al.,  2009)  e 
Sul-Americana (HERDY et al., 20014) não a especificam em suas recomenda-
ções. Na França, recomendam sets de até dois minutos a 80-95% do VO
2máx
 e 
recuperação ativa a 20-30% do VO
2máx
 (PAVY et al., 2012), enquanto na Holanda 
os tiros são de quatro minutos a 80-90% do VO
2máx
 e recuperação ativa a 40-50% 
do VO
2máx
 (ACHTTIEN et al., 2013).
Parece que, no HIIT, sets de curta duração e recuperação passiva apresen-
tam  maior  tolerância,  melhor  recuperação  e  tempo  até  a  exaustão  mais  pro-
longado quando comparado aos sets maiores e recuperação ativa (GUIRAUD 
et al., 2010; MEYER et al., 2012). Independente do modelo, é importante que 
os  profissionais  apliquem  com  prudência  estes  resultados  na  prática  clínica. 
Deve-se levar em consideração que pesquisas são realizadas por profissionais 
altamente experientes e em ambientes adequados. E os participantes são crite-
riosamente selecionados e com baixo risco de complicações.
Distantes da realidade dos centros estruturados de RC, é importante tornar 
viável a prática de exercícios em regiões com pouca estrutura, como em muitas 
Unidades Básicas de Saúde do País. (SOUZA et al., 2015). Nesses locais difi-
cilmente haverá exame de esforço e o médico responsável poderá se valer de 
avaliação clínica criteriosa para encaminhamento aos programas de exercício. 
Embora não seja indispensável, o exame não pode ser limitador para aqueles 
que necessitam aderir à prática de atividades físicas, comuns nos afazeres do-
mésticos e laborais.


Reabilitação Cardíaca
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A  Diretriz  Sul-Americana  de  Prevenção  e  Reabilitação  Cardiovascular 
(2014), documento elaborado para estimular intervenções para massificação 
destes  programas,  recomenda  que,  na  ausência  de  avaliação  direta  ou  in-
direta da capacidade funcional, pode-se inferir que o cardiopata que subir 
dois lances de escada, sem sinais e sintomas de instabilidade, tenha capa-
cidade  funcional,  pelo  menos,  moderada  (HERDY  et  al.,  2014).  De  forma 
paralela, o profissional de Educação Física poderá realizar testes submáxi-
mos  para  obtenção  de  informações  suficientes  para  prescrição.  O  teste  de 
caminhada de seis minutos e o teste do degrau parecem alternativas viáveis 
para prescrição (OLIVEIRA et al., 2016). Independente da forma utilizada 
para encontrar a zona alvo, deve-se associá-la à sensação subjetiva de esfor-
ço pela Escala de Borg (BORG, 1974).



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