Organizador francisco josé gondim



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Exercício de força 
A quantidade de ensaios clínicos randomizados investigando o impacto do 
treinamento da força sobre a pressão arterial é sensivelmente menor do que o 
encontrado para o treinamento aeróbio, particularmente envolvendo indivíduos 
hipertensos. Os resultados de meta-análises recentes, porém, sugerem que essa 
modalidade de exercício pode ter efeito anti-hipertensivo isolado, que pode até 
mesmo rivalizar com os do treinamento aeróbio, ao menos no caso de indivíduos 
com pressão arterial elevada (CORNELISSEN, FAGARD, 2005; CORNELISSEN 
et al., 2011; CORNELISSEN, SMART, 2013; MACDONALD et al., 2016).
Quanto às características da intervenção, a maior parte dos posicionamen-
tos  e  meta-análises  indica  uma  frequência  semanal  de  2  a  3  vezes  por  sema-
na para o treinamento de força para hipertensos, seja isolado ou como parte 
de  treinamento  concorrente  (PESCATELLO  et  al.,  2004;  HURLEY,  GILLIN, 
2015;  MACDONALD,  FARINATTI,  PESCATELLO,  2015;  PESCATELLO, 
MACDONALD, JOHNSON, 2015; MACDONALD et al., 2016; CORSO et al., 
2016; QUEIROZ et al., 2016). Contudo, em função dos objetivos da prescrição, 
séries parceladas podem ser aplicadas, de modo que o praticante trabalhe gru-
pamentos  musculares  diferentes  em  cada  dia.  Pode-se,  então,  chegar  a  uma 
frequência  semanal  total  de  4  a  6  vezes,  com  um  mesmo  grupamento  sendo 
trabalhado dois ou três dias na semana, dependendo do tipo de parcelamento 


Cardiovasculares
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adotado (FLECK, KRAEMER, 2014). As necessidades dos praticantes em ter-
mos de deficiência de força podem determinar os parcelamentos do trabalho, 
nos diferentes dias de treinamento. Em geral, pode-se assumir que intervalos 
de 48 horas entre sessões de treinamento sejam adequados para indivíduos se-
dentários e considerando o treinamento envolvendo grupamentos musculares 
diversificados (ACSM, 2009; RHEA, 2003; FLECK, KRAEMER, 2014). 
A  intensidade  do  exercício  de  força  é  influenciada  pela  interação  entre 
cargas e repetições, número de séries e intervalo entre séries. No caso de pa-
cientes  hipertensos,  as  recomendações  de  intensidade  variam  de  60–80%  da 
carga correspondente a uma repetição máxima (1RM) e as repetições podem 
variar de 8 a 12 em cada série (PESCATELLO et al., 2004; HURLEY, GILLIN, 
2015;  MACDONALD,  FARINATTI,  PESCATELLO,  2015;  PESCATELLO, 
MACDONALD, JOHNSON, 2015;  MACDONALD et al., 2016; CORSO et al., 
2016). Aconselha-se, no caso de indivíduos sedentários (caso frequente dos pa-
cientes hipertensos), evitar-se a falha concêntrica do movimento ao longo das 
séries – então, coerentemente com o exposto na seção de “Cuidados durante 
a realização dos exercícios”, não há necessidade de se executarem repetições 
máximas em cada série. Uma estratégia interessante para determinar a relação 
ótima entre cargas e repetições nos exercícios de força consiste em observar a 
repetição a partir da qual o praticante começa a perder velocidade de movi-
mento, ou seja, o início de falha concêntrica do movimento. Nesse momento, a 
série pode ser interrompida. Quanto ao número de séries, não se trata de algo a 
priorizar em praticantes que se iniciam em programas de treinamento – rotinas 
com apenas uma série são capazes de acarretar ganhos iniciais de força em in-
divíduos fisicamente inativos (GARBER et al., 2011). Contudo, em termos prá-
ticos, é mais comum iniciar a prescrição utilizando 2 ou 3 séries por exercícios. 
Os intervalos entre séries devem ser estabelecidos para uma recuperação que 
permita a realização da série subsequente, bem como para reduzir seu efeito 
cumulativo sobre a pressão arterial – períodos de aproximadamente 2 minutos 
parecem ser suficientes, independentemente da proporção que se aplique para 
a razão trabalho vs. recuperação (POLITO et al., 2004;  MONTEIRO et al., 2013). 
Intervalos menores podem não ser suficientes para evitar fadiga e minimizar 
respostas hemodinâmicas agudas. No entanto, pode-se encurtá-los pela apli-
cação de estratégias como alternância de segmentos (VELOSO, MONTEIRO, 
FARINATTI, 2003) ou, ainda, pela simples observação do início da falha con-
cêntrica – caso o praticante consiga realizar o número de repetições proposto, o 
intervalo será adequado. Caso contrário, deverá ser aumentado.
A duração usualmente recomendada para sessões de treinamento da força si-
tua-se entre 30 a 60 minutos (PESCATELLO et., 2004; CORNELISSEN, FAGARD, 


Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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2005;  CORNELISSEN  et  al.,  2011;  GARBER  et  al.,  2011;  MACDONALD  et  al., 
2016). Evidentemente, isso pode variar na dependência de outras variáveis, como 
os  objetivos  do  treinamento  ou  o  fato  de  ser  realizado  de  maneira  isolada  ou 
combinada  (exercício  concorrente).  Outro  aspecto  que  não  pode  ser  negligen-
ciado é a adesão dos pacientes às rotinas de exercício. Não se deve esquecer que 
o treinamento da força para hipertensos deve ser visto como complementar ao 
aeróbio  (CHONABIAN  et  al.,  2003;  PESCATELLO  et  al.,  2004;  WILLIAMS  et 
al., 2007; MALACHIAS et al., 2016; PIEPOLI et al., 2016; QUEIROZ et al., 2016; 
ACSM, 2018), em que pesem meta-análises indicando que pode ter efeito anti-
-hipertensivo mesmo quando praticado de forma exclusiva (MACDONALD et 
al.,  2016).  Logo,  a  relação  custo-benefício  entre  efeitos  desejados,  objetivos  do 
programa de treinamento de maneira mais ampla e prazer do praticante durante 
as sessões influenciará o tempo diário dedicado aos exercícios de força.  
Quanto ao tipo de atividade, incluem-se preferencialmente exercícios que 
envolvam movimentos requisitados nas atividades diárias (CORNELISSEN, 
FAGARD,  2005;  CORNELISSEN,  SMART,  2013;  DIAZ,  SHIMBO,  2013; 
HURLEY, GILLIN, 2015; MACDONALD et al., 2016; MALACHIAS et al., 2016; 
QUEIROZ et al., 2016).  As recomendações propõem, via de regra, 8 a 10 exer-
cícios para grupamentos musculares variados, os quais podem ser realizados 
em máquinas ou pesos livres, dependendo dos recursos disponíveis e necessi-
dades dos praticantes (PESCATELLO et al., 2004; MACDONALD et al., 2016). 
Obviamente, a técnica de execução dos exercícios precisa ser bem trabalhada 
no iniciante, por uma questão de segurança (FLECK, KRAEMER. 2014). Isso 
vale especialmente para o hipertenso, na medida em que a técnica nos exercí-
cios pode afetar a relação carga-repetições e, consequentemente, as respostas 
hemodinâmicas e fadiga durante as séries. 
Enfim,  deve-se  comentar  a  possibilidade  de  se  trabalhar  com  exercí-
cios  estáticos,  como  o  handgrip. Apesar  de  algumas  meta-análises  sugerirem 
que  seriam  efetivos  para  reduzir  a  pressão  arterial  (KELLEY,  KELLEY,  2010; 
CORNELISSEN, SMART, 2013), estudos experimentais recentes não vêm con-
firmando essa hipótese (ASH et al., 2017). Isso, somado ao fato de os exercícios 
dinâmicos  aproximarem-se  mais  das  necessidades  cotidianas,  fazem  deles  a 
opção preferencial para a intervenção com pacientes hipertensos.



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