Organizador francisco josé gondim



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Orientações para avaliação e prescrição de exercícios físicos direcionados à saúde
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uma forma fixa, rígida e engessada de planejamento e prática, servindo apenas 
como  um  modelo  pedagógico/didático  de  ações.  É  necessário  observar  se  os 
objetivos propostos estão sendo alcançados, fundamental para decidir se a pe-
riodização será ou não mantida. 
Além disso, a periodização do treinamento físico para pacientes oncoló-
gicos deve seguir o calendário do tratamento convencional (quimioterapia, 
radioterapia ou outro que possa interferir nas capacidades físicas e estresse 
imunológico). Em um estudo de caso que envolveu um portador de Linfoma 
de Hodgkin, realizado pelo nosso grupo, foi desenvolvido um programa de 
treinamento físico global (força muscular e resistência cardiorrespiratória), 
organizado  por  meio  de  periodização  ondulatória  concomitante  ao  trata-
mento  quimioterápico  quinzenal.  Destacam-se,  além  dos  benefícios  deste 
tipo de periodização para a melhoria das capacidades físicas gerais e ganho 
de  hipertrofia  muscular  esquelética,  a  adequação  da  organização  das  car-
gas  de  treino  com  o  calendário  do  tratamento  quimioterápico  quinzenal. 
Ademais, houve monitoramento por meio da percepção subjetiva de esfor-
ço (escala de BORG CR10), e por questionários que permitiram identificar 
escores  de  sinais  e  sintomas  de  estresses  imunológicos  e  psicobiológicos. 
Ainda, no campo dos dados coletados, foram aproveitados os resultados de 
coletas  de  sangue  utilizadas  para  a  estratégia  do  tratamento,  objetivando 
monitorar a contagem de células hematológicas (leucócitos/células imunes 
e eritrócitos) e  plaquetas. Os resultados  demonstraram melhora  nas  capa-
cidades  físicas  gerais,  manutenção  na  contagem  de  células  hematológicas 
dentro dos valores de referência, baixa incidência de sintomas de estresse 
imunológico e aumento de desempenho físico durante o período de trata-
mento quimioterápico (NOGUEIRA e LIMA, 2016).
Portanto, além da organização do planejamento do treinamento físico, 
por  meio  de  periodização  com  adequação  ao  calendário  do  tratamento,  é 
necessário utilizar instrumentos que gerem dados seguros para monitorar 
tanto  as  cargas  aplicadas  nas  sessões  de  treino,  quanto  à  magnitude  dos 
estímulos e das respostas adaptativas. Para tanto, uma forma interessante e 
adequada seria a utilização de escalas e questionários, que objetivam anali-
sar os parâmetros psicobiológicos relacionados ao exercício físico. Dentre as 
mais usadas, destacam-se a escala de Borg (CR10) para a percepção subjetiva 
de esforço (PSE), possuindo grande relação com as respostas bioquímicas e 
fisiológicas, como estresse metabólico (lactato), respostas cardiovasculares, 
perfil hormonal, estresse imunológico e outros (NAKAMURA, MOREIRA e 


Câncer
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AOKI, 2010); o Wisconsin Upper Respiratory Symptom Survey-21 (WURSS-21) 
que quantifica o estresse imunológico mediante perguntas sobre sintomas e 
quanto os sintomas interferem na rotina diária do sujeito; e, o Daily Analysis 
of Life Demands in Athletes (DALDA) que verifica quais as fases responsivas 
ao  treinamento  físico  ou  aos  estímulos  estressores  diversos  (alarme,  assi-
milação  compensatória  ou  monotonia)  (MOREIRA  e  CAVAZZONI,  2009).  
Apesar de inicialmente desenvolvidas para aplicação junto aos indivíduos 
praticantes  do  esporte  competitivo  (atletas),  estas  escalas  e  questionários 
têm  sido  utilizados  em  outras  populações,  inclusive  sendo  aplicadas  em 
pacientes oncológicos (NOGUEIRA e LIMA, 2016).
Diante destas argumentações, uma proposta de periodização do treinamento 
físico para pacientes oncológicos, conforme o calendário do tratamento conven-
cional quimioterápico, será apresentada a seguir nos quadros 02, 03 e 04.
Nas planilhas de periodização indicadas como exemplo, há de se consi-
derar a relação entre o período de intervalo entre as sessões de tratamento 
convencional  e  as  cargas/características  dos  treinamentos  propostos.  Em 
linhas  gerais,  entendendo  que  na  semana  de  tratamento  farmacológico  o 
paciente estaria mais vulnerável fisiologicamente, seria coerente adotar na 
prescrição do microciclo, cargas de treino com intensidade entre leve e mo-
derado, enquanto nas semanas que o paciente não estaria sendo submetido 
ao tratamento, aplicar-se-iam cargas de treino mais intensas (NOGUEIRA e 
LIMA, 2016). Contudo, quando o tratamento proposto for do tipo radiote-
rapia (aplicação diária - INCA, 2017c), o quadro 02 (intensidade de cargas: 
leve  a  moderada)  seria  o  mais  indicado,  uma  vez  que  o  paciente  poderia 
apresentar,  frequentemente,  efeitos  colaterais  importantes  a  partir  do  tra-
tamento farmacológico diário. Isto permite uma importante observação: as 
planilhas abaixo se caracterizam por exemplos meramente didáticos, sendo 
que cada caso deverá ser minuciosamente estudado, levando-se em consi-
deração os diversos aspectos inerentes aos princípios científicos do treina-
mento desportivo, inclusive o da individualidade biológica.

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