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2 - Texto I
Texto II
Leandro Karnal detalha o que, a seu ver, seriam os valores por trás da expressão “de bem”. Uma pessoa 
trabalhadora, honesta, pai/mãe de família, temente a Deus, não assassino, não drogado e não envolvido 
com maracutaias políticas. “O curioso é isso estar sempre associado a um valor ético. Ser pai deriva de 
ser fértil e ter capacidade reprodutiva, não de ser ético. Ser temente a Deus implica uma adesão a um 
conjunto de crenças que me marcam e não, exatamente, uma pessoa ética. Tanto que os tementes a 
Deus levaram a inquisição adiante”, lembra o historiador. [...] Para Esther Solano, socióloga e profes-
sora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) “Se esse discurso [“de bem”] tem uma penetração 
tão grande é porque, historicamente, o Brasil se configurou nessa dicotomia do cidadão de bem e o 
bandido, o inimigo. Há uma estrutura muito desigual, de raça e de classe, por trás disso”, [...] o “de bem” 
estará geralmente associado a pessoas brancas, de classes média e alta. O inimigo, por sua vez, será 
negro e periférico. [...] o bandido também pode ser o político de determinado partido, o estudante que 
fuma maconha”, exemplifica. [...]No confronto entre bem e mal, continua Solano, cria-se uma lógica 
de guerra em que o cidadão de bem deve ser protegido. E contra o inimigo vale tudo: inclusive matá-lo. 
“Isso estabelece a lógica de que nem todo mundo é cidadão. Pode parecer uma ideia positiva a de haver 
um cidadão de bem, mas essa dicotomia é muito perigosa para a democracia”, afirma a pesquisadora.
CARPANEZ, Juliana. O que está por trás do termo ‘cidadão de bem’, usado pelos presidenciáveis?, Uol, São Paulo, 2018. (adaptado) 
Disponível em: https://cutt.ly/gnSQNLe . Acesso: 12 jun. 2021.
As críticas à expressão “cidadão de bem” presentes nos textos I e II podem ser resumidas na seguinte 
afirmação:
a)  Está muito bem definido para toda a sociedade que existem de fato grupos desviantes e grupos 
não desviantes. Por isso, aos desviantes, deve ser aplicada a “lei e a ordem” e o extermínio.
b)  A expressão é arbitrária e pode criar visões preconceituosas que legitimam atos de violência 
contra minorias sociais e as criminalizam por suas características culturais, raciais, econômicas 
e políticas.
c)  A Democracia só poderá ser de fato instaurada quando toda a sociedade pensar e agir de 
uma única forma, seguindo e respeitando os valores tradicionais do trabalho, da família e do 
cristianismo.
d)  É muito importante que o cidadão de bem seja protegido dos bandidos. Por isso, a liberação do 
porte de armas é urgente para a garantia do Estado de Direito no Brasil.
e)  Só é cidadão no Brasil aquele ou aquela que aceita, sem questionar, as condições de vida e as 
leis, mesmo que essas não encontrem seus interesses e não melhorem suas condições de vida.


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