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proprietários e o poder público afetam diretamente a 
vida dos habitantes urbanos. Esse conflito se expressa, por exemplo, na desigualdade de acesso a ser-
viços, na distribuição da infraestrutura urbana, na violência (não só da criminalidade mas do próprio 
Estado), e nas várias formas da luta social (de associações, sindicatos, partidos e movimentos sociais) 
pelo direito à cidade, à cidadania e à moradia.
Os conceitos marxistas de valor de troca e valor de uso nos ajudam a entender a natureza dos conflitos 
de interesse entre as elites empresariais (“o Mercado”) e os interesses dos moradores da cidade, que 
são em sua grande maioria trabalhadores. Para os moradores o valor da cidade está na utilidade e na 
qualidade dos equipamentos urbanos como as moradias, o lazer, as escolas, os postos de saúde, os 
hospitais, o saneamento básico e o transporte público. Ou seja, para quem vive na cidade seu valor está 
na forma como ela beneficia a vida das pessoas, na forma como elas utilizam seu espaço, logo, a cidade 
tem um valor de uso para elas. 


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Para as classes dominantes, proprietárias dos meios de produção de riqueza (bancos, indústrias, gran-
des terrenos, grandes redes de lojas, grandes empreiteiras, grandes redes imobiliárias), a cidade não 
é apenas o lugar onde as mercadorias são produzidas e consumidas. Para elas, a própria cidade, seu 
território, sua área construída, é uma mercadoria. Além do valor de uso ela também possui um valor de 
troca. Ou seja, seu espaço físico pode ser trocado e vendido para gerar lucro. Resumindo, para a popu-
lação em geral a cidade é um local para se viver, para o capitalista, uma oportunidade de extrair lucro.
Quando os membros da elite econômica não têm políticos que os representem, votando projetos de 
lei que beneficiem seus negócios na cidade, eles mesmos acabam ocupando cargos como vereadores, 
deputados, juízes, prefeitos, governadores e até mesmo presidentes. Assim, eles conseguem usar o 
Estado em seu próprio benefício. É por isso que em sociedades capitalistas existe uma forte tendência 
de o Estado beneficiar as elites, já que ele é apropriado por elas.
O avanço do interesse privado sobre o interesse público é uma das consequências da ideologia Neo-
liberal. Simplificando bastante, esse conjunto de ideias defende que todos os aspectos da vida podem 
se tornar fontes de lucro para a iniciativa privada. Ou seja, sob essa ideologia muito do que se considera 
direitos como saúde, educação, saneamento básico, transporte público ou aposentadoria podem e de-
vem se tornar negócios privados que geram lucros. São as empresas, no lugar do Estado, que passam a 
oferecer esses serviços. Daí o termo privatização. Quando uma empresa pública é privatizada, ela não 
pertence mais à sociedade e aos cidadãos. Com isso, o controle da sociedade sobre o preço da água 
tratada, por exemplo, no caso da privatização de uma companhia pública de saneamento básico, é re-
duzido. Agora essa companhia passa a ser propriedade de alguém ou algum grupo que vende o serviço. 
Frente a isso podemos considerar que existem duas tendências contrapostas na gestão das cidades. 
Uma mais econômica, que entende a cidade como um negócio a ser gerido para o interesse de poucos 
proprietários e outra, mais política, que defende a 

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