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ATIVIDADES
1 – Leia o primeiro parágrafo do romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. 
Depois responda o que se pede:
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em 
primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nas-
cimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou 
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a se-
gunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua 
morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/
bn000167.pdf - Acesso em: 14 maio 2021
Quais foram as duas considerações que levaram Brás Cubas a contar em primeiro lugar a sua morte? 
2 – Ainda sobre o trecho lido de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, responda: o 
romance narra, em vida, que Brás Cubas escreveu vários poemas e artigos para jornais e revistas. Como 
isso confirma o fato de que ele é um “defunto autor” e não um “autor defunto”? 


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Agora, para responder as perguntas, você precisa ler um trecho do romance “O mulato”, de Aluísio 
de Azevedo:
Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um silêncio:
– Já 
viu o
 amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mu-
lher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo 
que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor, porém, não imagina o que é por 
cá a prevenção contra os mulatos!… Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para 
realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco 
de lei, português ou descendente direto de portugueses!… O senhor é um moço muito digno, muito 
merecedor de consideração, mas… foi forro à pia, e aqui ninguém o ignora.
– Eu nasci escravo?!…
– Sim, pesa-me dizê-lo e não o faria se a isso não fosse constrangido, mas o senhor é filho de uma 
escrava e nasceu também cativo.
Raimundo abaixou a cabeça. Continuaram a viagem. E ali no campo, à sombra daquelas árvores co-
lossais, por onde a espaços a lua se filtrava tristemente, ia Manoel narrando a vida do irmão com a 
preta Domingas. Quando, em algum ponto hesitava por delicadeza em dizer toda a verdade, o outro 
pedia-lhe que prosseguisse francamente, guardando na aparência uma tranquilidade fingida. O ne-
gociante contou tudo o que sabia.
– Mas que fim levou minha mãe?… a minha verdadeira mãe? perguntou o rapaz, quando aquele ter-
minou. Mataram-na? Venderam-na? O que fizeram com ela?
– Nada disso; soube ainda há pouco que está viva… É aquela pobre idiota de São Brás.
– Meus Deus! Exclamou Raimundo, querendo voltar à tapera.
– Que é isso? Vamos! Nada de loucuras! Voltarás noutra ocasião!
Calaram-se ambos. Raimundo, pela primeira vez, sentiu-se infeliz; uma nascente má vontade contra 
os outros homens formava-se na sua alma até aí limpa e clara; na pureza do seu caráter o desgosto 
punha a primeira nódoa. E, querendo reagir, uma revolução operava-se dentro dele; ideias turvas, 
enlodadas de ódio e de vagos desejos de vingança, iam e vinham, atirando-se raivosos contra os 
sólidos princípios da sua moral e da sua honestidade, como num oceano a tempestade açula contra 
um rochedo os negros vagalhões encapelados. Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensa-
mentos: “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o 
seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias.
– Mulato!
3 – 
O texto nos mostra que o romance trata de um tipo de preconceito. Qual preconceito é esse? Justifique.


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4 – 
O texto apresenta indícios de um prejuízo social? Qual trecho pode comprovar essa afirmação? Como 
este prejuízo ainda está presente na nossa sociedade?


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