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TEORIA POLÍTICA DE NICOLAU MAQUIAVEL



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TEORIA POLÍTICA DE NICOLAU MAQUIAVEL
As influências de Platão e Aristóteles no terreno da reflexão política foram marcantes tanto na Antigui-
dade como na idade média. A ideia de que a política tem como objetivo o bem comum, que em Platão 
seria a justiça e em Aristóteles a vida boa e feliz, orientaria grande parte da reflexão política. Entre os 
filósofos da roma antiga (como Cícero e Sêneca), a teoria política passou a privilegiar a formação do 
bom príncipe, educado de acordo com as virtudes necessárias ao bom desempenho da função admi-
nistrativa. na prática, porém, essa tendência revelou-se muitas vezes catastrófica, predominando até 
o período medieval. 
O filósofo italiano Nicolau Maquiavel (1469- -1527) é considerado o fundador do pensamento político mo-
derno, uma vez que desenvolveu sua filosofia política em um quadro teórico completamente diferente 


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do que se tinha até então. Como vimos, no pensamento antigo a política estava relacionada com a ética 
e, na idade média, essa ideia permaneceu, acrescida dos valores cristãos. Ou seja, o bom governante 
seria aquele que possuísse as virtudes cristãs e as implementasse no exercício do poder político. Ma-
quiavel observou, porém, que havia uma distância entre o ideal de política e a realidade política de sua 
época. Escreveu então o livro O Príncipe (1513-1515), com o propósito de tratar da política tal como ela se 
dá, isto é, sem pretender fazer uma teoria da política ideal, mas, ao contrário, compreendendo e escla-
recendo a política real. Dessa forma, o filósofo afastou-se da concepção idealizada de política. Centrou 
sua reflexão na constatação de que o poder político tem como função regular as lutas e tensões entre 
os grupos sociais, os quais, em seu entendimento, eram basicamente dois: o grupo dos poderosos e 
o povo. Essas lutas e tensões existiriam sempre, de tal forma que seria ilusão buscar um bem comum 
para todos. Mas se a política não tem como objetivo o bem comum, qual seria então seu objetivo? Ma-
quiavel respondeu: a política tem como objetivo a manutenção do poder do Estado. E, para manter o 
poder, o governante deve lutar com todas as armas possíveis, sempre atento às correlações de forças 
que se mostram a cada instante. Isso significa que a ação política não cabe nos limites do juízo moral. O 
governante deve fazer aquilo que, a cada momento, se mostra interessante para conservar seu poder. 
não se trata, portanto, de uma decisão moral, mas sim de uma decisão que atende à lógica do poder.
Para Maquiavel, na ação política não são os princípios morais que contam, mas os resultados. É por isso 
que, segundo ele, os fins justificam os meios. Desse modo, escreveu em O príncipe: 
“Não pode e não deve um príncipe prudente manter a palavra empenhada quando 
tal observância se volte contra ele e hajam desaparecido as razões que a motiva-
ram. [...] Nas ações de todos os homens, especialmente os príncipes, [...] os fins é 
que contam. Faça, pois, o príncipe tudo para alcançar e manter o poder; os meios 
de que se valer serão sempre julgados honrosos e louvados por todos, porque o 
vulgo [o povo, a maioria das pessoas] atenta sempre para aquilo que parece ser e 
para os resultados.” (O príncipe, p. 112-113.)


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