Oficina de história: volume 1



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Murex trunculus e Murex brandaris, Mar Mediterrâneo, Sardenha, 2012.

VILLA DEI MISTERI, POMPEIA, ITÁLIA



Cena de festa, anônimo. Afresco, c. 60 a.C.

Na cena, as figuras vestem ricos tecidos tingidos com o famoso pigmento produzido pelos fenícios.


Página 53

ROTAS COMERCIAIS FENÍCIAS (SÉCULOS IX-VIII a.C.)



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em DUBY, G. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987.

O comércio fenício

O desenvolvimento da sociedade fenícia não se baseou na agricultura, como no caso das sociedades mesopotâmica e egípcia. Os fenícios tornaram-se famosos por serem habilidosos navegadores, comerciantes e artesãos. Organizaram-se em cidades-Estado independentes cujos governantes eram denominados sufetas. Suas principais cidades-Estado foram Biblos (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Béritos (Beirute) e Arados.

O comércio florescente permitiu aos fenícios expandir suas rotas marítimas e seus domínios territoriais pelo Mediterrâneo, formando aquilo que alguns historiadores denominam de talassocracia (do grego, thálassa: mar e kratía: poder/governo), ou seja, tornaram-se uma potência marítima que disputaria a supremacia do mar Mediterrâneo com outros povos.

A partir de 1200 a.C., mercadores fenícios estavam presentes na península Ibérica, no sul da Palestina, em Cartago e no norte da África, assim como no Egito, sobretudo na região do delta do Nilo. Na região do Magreb, no norte da África, os fenícios introduziram a tecnologia do ferro e fundaram Cartago em 814 a.C., que viria a se tornar um dos principais entrepostos mercantis, subordinada à cidade de Tiro. Com a tomada de Tiro pelas tropas babilônicas em 650 a.C., Cartago tornou-se autônoma e passou a controlar outras possessões fenícias no Mediterrâneo.

A navegação favoreceu os conhecimentos de Astronomia, enquanto as necessidades comerciais impulsionaram a Matemática. Também em decorrência da cultura mercantil, os fenícios desenvolveram um alfabeto fonético simplificado, composto de 22 letras, mais prático para a comunicação e para as transações comerciais do que os alfabetos hieroglíficos. O alfabeto fenício permitia o registro das palavras por meio da combinação de letras equivalentes a sons, poupando os usuários do trabalho de memorizar milhares de diagramas. Assimilado por gregos e romanos, o alfabeto fenício é a base do alfabeto ocidental atual. Trata-se de uma contribuição de valor inestimável para a humanidade.

Os baalim

Os fenícios eram politeístas e adoravam as imagens de seus deuses, conhecidos como baalim, plural de baal, senhor. A influência politeísta de diversos povos semitas e não semitas da região de Canaã pode ser observada na passagem bíblica em que os hebreus deixam de servir Iavé (Iahweh) para cultuar Baal:



"[...] e deixaram Iahweh para servir a Baal e às astartes. Então a ira de Iahweh se acendeu contra Israel. E os abandonou aos saqueadores que os espoliaram, e os entregou aos inimigos que os cercavam, e não puderam mais oferecer-lhes resistência."

Jz, 2, 13-14. A Bíblia de Jerusalém.

São Paulo: Paulinas, 1985.

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