Oficina de história: volume 1



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EGITO ANTIGO

Pré-dinástico

5000 a.C.▾

Assentamentos agrícolas.

Constituição de unidades políticas: nomos.

Invenção da escrita hieroglífica.



MUSEU BRITÂNICO, LONDRES, INGLATERRA

Dinástico Inicial

3100 a.C.▾

Fixação da escrita hieroglífica.

Unificação do Baixo e Alto Egito por Narmer.

Capital Tínis e necrópolis Abydos.

Fundação de Mênfis.

Primeiras populações se instalam na região de Kerma (próxima à 3.ª catarata).

Antigo Império

2686 a.C.▾

Mênfis: centro do poder político.

Construção da pirâmide escalonada projetada por Imhotep (III Dinastia).

Construção das Grandes Pirâmides de Guizé (IV Dinastia).

Anexação dos territórios ao sul da 1.ª catarata.

Comércio com a Ásia e a África subsaariana.



Declínio da economia e fragmentação política.

JOSÉ I. SOTO/DREAMSTIME.COM

Império Médio

2040 a.C. ▾

Reunificação do Egito.

Expansão das fronteiras até 2.ª catarata.

Declínio do poder central.

Invasão do hicsos.



Reino de Kush com Kerma como centro de poder.

MUSEU EGÍPCIO DO CAIRO, EGITO

Império Novo

1570 a.C. ▾

Expulsão dos hicsos.

Reunificação do poder central.

Rainha Hatshepsut governa como faraó.

Império alcança maior expansão territorial.

1350-715 a.C. ▾

Monoteísmo de Akhenathon, culto ao deus Aton.

Centro de poder de Kush desloca-se para a cidade de Napata.

Decadência de fragmentação política.

Domínio do Império de Kush sobre o Egito.

Período Tardio

525 a.C. ▾

Egito dominado sucessivamente por assírios e persas.

Alexandre da Macedônia conquista o Egito.

Período greco-romano

332 a.C.-641 d.C. ▾

Governo dos Ptolomeus.

Tomada de Alexandria pelos romanos.

Roma passa a administrar diretamente a província egípcia.

O poder kushita desloca-se para a cidade de Meroé.

Kush governado pelas candaces.


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O VALE DO NILO

Como ocorrem altas temperaturas durante todo o ano no vale do Nilo, as quatro estações não são facilmente identificáveis lá. Para conhecer os tempos da natureza, os antigos egípcios observaram o rio e então dividiram o ano em três estações, cada uma com duração de aproximadamente quatro meses.

O início da primeira estação coincidia com a chegada do ano novo e era marcada pelo ressurgimento da estrela Sothis (também chamada de Sírio, Alpha Canis Majoris), a mais brilhante durante a noite nos céus, após 70 dias "desaparecida". Era a estação da inundação, que durava de julho a outubro. Durante a cheia, as águas do rio invadiam um conjunto de tanques interligados e separados por diques que controlavam a entrada e saída da água. Essa água era então escoada para os campos por uma rede de canais.

Em novembro, quando os nilômetros (marcadores de nível da água do Nilo) indicavam a normalização do volume de água no rio, iniciavam-se os trabalhos de plantio: na estação da semeadura, que durava até fevereiro, os egípcios plantavam sobretudo linho, para a fabricação de roupas; cevada, para a fabricação de cerveja; e trigo, para a produção de pão.

Em março chegava a estação da colheita, que durava até junho. Nesse período os egípcios encarregavam-se, também, da manutenção do sistema de irrigação. Quando a colheita estava prestes a terminar – e Sothis, a reaparecer nos céus –, o Nilo adquiria uma coloração esverdeada, sinal de que em breve as águas novamente subiriam e o rio adquiriria a cor avermelhada característica da estação da inundação.

O Egito e a Núbia são duas regiões que, ligadas entre si pelo rio Nilo, constituem um único vale. A história do Egito faraônico talvez seja a mais conhecida. No entanto, entre a segunda e a sexta cataratas do Nilo, num território que corresponderia mais ou menos ao atual Sudão, se desenvolveu o Império de Kush ou a sociedade kushita (voltaremos ao assunto mais adiante). O Império foi contemporâneo do Egito, do qual era vizinho e potente concorrente político.

O EGITO ANTIGO

O Egito foi povoado desde tempos muito remotos, mas a desertificação da região foi fator decisivo para o desenvolvimento dos núcleos humanos. A agricultura e a criação de animais se estendiam por uma grande faixa em cada lado do curso do rio Nilo. Entre cerca de 3300-3100 a.C., estabeleceu-se a configuração da região: o delta, com maior extensão de terras aráveis, de pastos e pântanos; o vale, estreita faixa de terra arável entre desertos. Ao mesmo tempo, desenvolveu-se uma agricultura de irrigação, com aproveitamento e controle das cheias anuais do Nilo, principalmente no vale de Faium e na faixa sudoeste do delta do Nilo.

O sistema de irrigação egípcio era diferente do sistema mesopotâmico, pois a cheia do Nilo que fertilizava a terra era mais regular e menos destrutiva que a dos rios Tigre e Eufrates. Passados os meses de inundação, tanto o delta quanto o vale tinham suas terras drenadas, quase naturalmente.

A agricultura gerava grãos duros e resistentes, a exemplo do trigo e da cevada, que, mantidos secos em armazéns, alimentavam contingentes populacionais cada vez maiores.

Os nomos: unidades político-administrativas

A agricultura irrigada teve papel muito importante na formação e consolidação de comunidades locais, mais conhecidas como nomo, sob a liderança de um chefe local chamado de nomarca.

Essas comunidades se comunicavam facilmente umas com as outras através do Nilo, pois, para se ir ao norte, os barcos eram empurrados pela corrente do rio até a foz. Em sentido contrário, era suficiente aproveitar os ventos que sopram constantemente do mar Mediterrâneo em direção ao sul e que permitem subir o rio a vela.

A vida dos antigos egípcios estava diretamente ligada aos ciclos da natureza e às relações entre morte e renascimento. Os rituais representavam de maneira simbólica a morte e o renascimento dos grãos, que, jogados à
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OS NOMOS (c. 3100 a.C.)

terra, renasceriam com a semeadura. Isso ajuda a entender também por que os egípcios acreditavam na continuação da vida após a morte.

Cada nomo possuía um totem, ou seja, um objeto sagrado, animal ou vegetal, adorado como um antepassado da comunidade, como uma divindade local. Tais totens, geralmente, apresentavam corpo de homem e cabeça de animal. Uma característica denominada antropozoomorfismo.

A autoridade do chefe nomo estava relacionada à sua força física e à sua capacidade de garantir a prosperidade da terra. Simbolicamente, os chefes estavam associados ao totem da sua comunidade. Possivelmente, como resultado de guerras e alianças, ocorreu um processo de articulação dos nomos em duas grandes confederações: uma no norte e outra no sul. As duas unidades territoriais e políticas elevaram seus chefes à dignidade real, cada qual com sua insígnia. O Alto Egito (ao sul), cuja capital era Hieracômpolis, se estendia da primeira catarata do Nilo até a cidade de Mênfis. A alta coroa branca e a flor de lótus eram seus símbolos. O Baixo Egito (ao norte), cuja capital era a cidade de Buto, compreendia a região do delta do Nilo. A baixa coroa vermelha e o papiro constituíam as suas insígnias.

A teocracia e a sociedade egípcia

Ao final do IV milênio a.C., formava-se na bacia do Nilo um Estado centralizado. Durante quase 3 mil anos, o Egito se organizou em uma teocracia (do grego, theós: deus e kratía: poder, governo), ou seja, uma forma de organização política vinculada e subordinada às normas e às autoridades religiosas.

Para os egípcios, toda felicidade dependia do faraó, e seu poder era ilimitado. Comandava os exércitos, aplicava a justiça, organizava as atividades econômicas. Ostentava uma coroa e um cetro, símbolos de sua autoridade. O faraó deliberava sobre todas as atividades da sociedade, estendendo seu poder, desse modo, a todos os setores sociais. Comandava um exército de funcionários responsáveis por inúmeras tarefas, como recolher impostos, fiscalizar obras de irrigação e o trabalho na terra, administrar projetos de construção, manter registros e supervisionar os armazéns governamentais, onde se guardava o cereal excedente que supriria a falta de alimentos em caso de má colheita.






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