Oficina de história: volume 1



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ANÁLISE DE IMAGEM

ARTEFATO DE MADEIRA



A paz, estandarte de Ur (detalhe)

Material: Madeira, madrepérola e lápis-lazúli

Caixa de madeira que apresenta dois lados, conhecidos como lado da guerra e lado da paz.

Datação: 2600 a.C.



Exposto atualmente no Museu Britânico, Londres, Inglaterra.

musEu BriTÂNiCo, LoNdrEs, Inglaterra


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DISPUTA PELA HEGEMONIA NA MESOPOTÂMIA (2100-1800 a.C.)



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em KINDER, H.; HILGEMANN, W. Atlas histórico mundial. Madrid: Akal, 2006.

O IMPÉRIO BABILÔNICO

Os amoritas, povos de origem semita vindos do deserto sírio-árabe, começaram um processo de ocupação ao longo do III milênio a.C., fundando a cidade de Babilônia. Construída na região de confluência dos rios Tigre e Eufrates, converteu-se em cruzamento das rotas comerciais. Esses povos, que passaram a ser conhecidos por babilônios, adotaram o sistema educacional, a escrita, a arte, a literatura e boa parte da religião sumério-acadiana.

Os babilônios foram assim chamados em virtude da construção do império a partir de sua capital, Babilônia. Mas, originalmente, esse povo tinha outras denominações: amoritas, elamitas e cassitas.

Após um período de guerras e disputas, a Babilônia ganhou importância e iniciou um processo de expansão territorial e controle sobre as cidades vizinhas. A independência babilônica foi consolidada através de vitórias sucessivas sobre estas cidades.

O governo de Hamurabi

Foi somente no governo de Hamurabi (1728-1686 a.C.) que, através de conquistas, alianças e habilidade política, a Babilônia atingiu seu apogeu em termos de unidade política e centralização do poder. Seu império se estendia desde a Assíria, na Alta Mesopotâmia, até a Caldeia, no sul. A capital Babilônia se converteu num grande centro político, cultural e religioso.

Hamurabi empreendeu uma reforma religiosa transformando Marduk, deus da cidade, na principal divindade da Mesopotâmia. Em homenagem a Marduk teria sido erguido o zigurate de Babel, semelhante à construção citada na Bíblia, como uma torre para se chegar ao céu.

Preocupado em regular a vida e as propriedades de seus súditos, Hamurabi organizou um código de leis que levou seu nome. O Código de Hamurabi defendia basicamente a vida e o direito de propriedade, mas também contemplava a honra, a dignidade e a família. Fundamentava-se, sobretudo, no princípio do "olho por olho, dente por dente". Previa que, para punir os crimes, deveriam ser aplicados castigos como o afogamento, a amputação da língua e de outras partes do corpo, por exemplo.

Hamurabi mandou gravar o código em um bloco de pedra de basalto para que fosse colocado no templo do deus Sol a fim de disciplinar os maus e "impedir que os fortes oprimissem os fracos". O código também apresenta a sociedade dividida em diferentes categorias: no topo estava o rei; abaixo havia três grupos sociais: os homens livres que gozavam de plenos direitos (awilum), os homens livres, mas com status inferior – provavelmente os que dependiam do palácio (muskehenum) – e os escravizados (wardum). Os direitos, deveres e privilégios desses grupos dependiam de sua categoria.

O comércio expandia-se e, com ele, ocorria a ascensão de um novo grupo social, sem ligações diretas com os templos ou o governo real. Trata-se das famílias que enriqueciam através da aquisição de terras e escravizados. Mas,
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apesar da riqueza desse período, ondas invasoras de hititas e cassitas, revoltas internas e a morte de Hamurabi favoreceram a fragmentação do Império Babilônico.

A região voltaria a ser dividida entre o sul e o norte, depois que os reis cassitas, procedentes das montanhas iranianas, derrubaram a dinastia de Hamurabi em 1530 a.C. Os cassitas mantiveram a cultura e as tradições babilônicas, mas transformaram o reino com uma ampla reestruturação administrativa. A dinastia cassita governou até cerca de 1160 a.C., e seu domínio foi marcado por uma significativa produção de textos. Após o período dessa dinastia, a Babilônia perdeu sua influência política, ao mesmo tempo que o poderio dos assírios crescia consideravelmente.

IMPÉRIO BABILÔNICO SOB HAMURABI (SÉCULO XVII a.C.)



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em KINDER, H.; HILGEMANN, W. Atlas histórico mundial. Madrid: Akal, 2006.

O IMPÉRIO ASSÍRIO

Os assírios, povos semitas vindos do Cáucaso, ocuparam a região do alto Tigre, norte da Mesopotâmia, fundando a cidade de Assur por volta de 2400 a.C. Entretanto, sua localização a tornava uma cidade vulnerável a invasões. Após séculos de dominação, Assur se tornou independente.

Aproximadamente no II milênio a.C., os mercadores de Assur já haviam estabelecido colônias na Anatólia. Essas colônias eram postos autônomos de comércio e estavam espalhados pelo altiplano da Anatólia e no norte da Mesopotâmia.

O comércio assírio estava nas mãos de empresas familiares. O cabeça da família vivia em Assur, enquanto os membros mais jovens exerciam o papel de agentes comerciais residentes no entreposto mercantil. Geralmente a família financiava o empreendimento, mas não raro se formavam associações para reunir os recursos necessários. Tecidos de lã e estanho eram transportados em lombo de burro pelas extensas planícies do norte da Mesopotâmia até Kanesh, de onde eram distribuídos para outros postos comerciais.

Aos poucos edificaram um forte Estado militarizado. Seus carros de guerra e as unidades de cavalaria combinadas a uma potente infantaria foram fundamentais em sua política expansionista. Entre os séculos IX e VIII a.C., os assírios conquistaram a Mesopotâmia, a Palestina e o Egito e fizeram da cidade de Assur sua capital.

Uma elite formada por sacerdotes e guerreiros submetia a população, cobrando impostos tanto na forma de trabalhos como em mercadorias. Os comandantes do exército formavam o grupo mais rico e poderoso. As populações derrotadas durante as conquistas eram escravizadas.

A sociedade assíria foi fortemente influenciada pela cultura da Babilônia. Assurbanipal, principal monarca assírio (668-626 a.C.), organizou a biblioteca real, na cidade de Nínive, reunindo textos babilônicos sobre diversos assuntos, com cerca de 22 mil plaquetas de argila.

Sob a administração de Assurbanipal, as estradas foram melhoradas, estabeleceram-se serviços de mensageiros e foi instituída uma rígida política de controle marcada pelo terror. Por meio da tortura, de amputações e dos castigos mais variados, os guerreiros assírios criaram um clima de medo entre os vencidos. Entretanto, em 612 a.C., uma coalizão de povos medos e caldeus saqueou Nínive.




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