Oficina de história: volume 1



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O poder do mito

O templo não era apenas o centro da vida religiosa, mas também da vida econômica e política das cidades. Era o centro de armazenagem e redistribuição das riquezas.

O templo fazia empréstimos em nome dos deuses: sementes, animais ou arado aos agricultores, matéria-prima aos artesãos. No entanto, o devedor não somente tinha que pagar o empréstimo, como também acrescentar uma pequena oferenda em gratidão. Essas oferendas seriam uma espécie de juros cobrados pelos sacerdotes em nome dos deuses.

Outra forma de tributo e exploração era o trabalho obrigatório nas obras de grande porte (construção de templos, diques, manutenção dos canais de irrigação). Essa foi a principal forma de acumulação de riquezas de templos e palácios.

Os sacerdotes também detinham o controle sobre a conservação e transmissão dos conhecimentos. Portanto, possuíam autoridade para impor, organizar e coordenar grandes obras, além de controlar a sociedade como um todo. O templo constituiu-se no centro espacial da cidade, cercado por muros para delimitar o território sagrado dos deuses e barrar os maus espíritos. Entretan-

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to, o que no início se destinava à função religiosa, mais tarde tornou-se proteção eficiente para a cidade contra invasores humanos.

Cidades-Estado sumérias

A Suméria não se constituiu como um Estado forte e centralizado, mas se caracterizou pelo desenvolvimento de diversas cidades autônomas. Por volta de 3000 a.C., a Suméria já se encontrava distribuída em 15 ou 20 cidades-Estado: pequenas unidades urbanas independentes politicamente, cada qual governada por um sacerdote que combinava as funções de chefe religioso e militar, o chamado patesi. Todas elas tinham em comum a língua e a religião; economicamente, eram interdependentes.

Entretanto, como dependiam das planícies irrigadas para sua sobrevivência, ocorriam constantes disputas e rivalidades sobre o uso, direito e controle das terras. Além disso, precisavam praticamente das mesmas matérias-primas, o que tornavam também constantes as disputas comerciais entre as cidades autônomas. Havia ainda guerras entre as diversas dinastias.

Os conflitos constantes levaram as cidades sumérias a construir grandes muralhas para se defenderem umas das outras e de invasores estrangeiros. As guerras também favoreceram o fortalecimento de uma elite militar, que começou a disputar o controle interno das cidades com os sacerdotes.

Por volta do II milênio a.C., a autoridade política passou a ser representada pelo rei (lugal), que se tornou também um representante dos deuses, e o centro político-econômico deslocou-se do templo para o palácio.

Uruk era a cidade mais importante da Mesopotâmia e centro da sociedade suméria. Ocupava uma vasta área com palácios e templos monumentais. Na Bíblia, Uruk aparece como Erech, atualmente, Warka.

OS ACADIANOS: O PRIMEIRO IMPÉRIO MESOPOTÂMICO

Desde 3000 a.C., povos de origem semita vindos do deserto da Síria iniciaram um processo de ocupação ao norte da Suméria, assumindo gradativamente um papel preponderante na região.

Após a queda da última dinastia suméria, em torno de 2350 a.C., diversos grupos se instalaram na Baixa Mesopotâmia. Surgiram pequenos reinos rivais que lutavam pela hegemonia política na região. As principais cidades que disputavam o predomínio político eram Isin e Larsa.

Enquanto as cidades-Estado sumérias viviam em guerra pela supremacia, os acadianos (ou acádios) expandiram-se e fundaram um reino sob o governo de Sargão I, fundador de uma dinastia semita, cuja capital era a cidade de Acade. Situada na margem esquerda do rio Eufrates entre as cidades de Sippar e Kish, Acade também era a denominação dada a toda a região entre os rios Tigre e Eufrates.

MESOPOTÂMIA SOB DOMÍNIO DE SARGÃO I (2350-2300 a.C.)



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em KINDER, H.; HILGEMANN, W. Atlas histórico mundial. Madrid: Akal, 2006.
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Sargão I unificou politicamente o centro e o sul, dominando os sumérios e, em reconhecimento por seus feitos, ficou conhecido como o "soberano dos quatro cantos do mundo", em alusão às quatro cidades: Acade, Babel, Uruk e Calné. Os acadianos incorporaram muitos elementos da cultura sumeriana, adotando, principalmente, a escrita cuneiforme, mas em língua semítica.

Assim, construíram um império, ou seja, o exercício do controle político, econômico e administrativo sobre um vasto território que incluía diversas cidades-Estado. O Primeiro Império Mesopotâmico, que se estendia do golfo Pérsico ao mar Mediterrâneo. Por volta de 2100 a.C., o império desmoronou; invasões e disputas internas provocaram sua queda. Seguiu-se um período de conflitos e invasões dos gútios, nômades originários dos montes Zagros, no alto Tigre.

Renascimento sumério

O enfraquecimento do Império Acadiano favoreceu um breve renascimento de algumas cidades sumérias. Por volta de 2100 a.C., uma dinastia proveniente da cidade suméria de Ur, cujo soberano era Ur-Nammur, pôs fim ao domínio dos gútios, reunificou a região e fundou a Terceira Dinastia de Ur. Entre as grandes construções do período constam os zigurates nas cidades de Ur, Eridu, Uruk e Nippur.

O núcleo do império era formado por 33 cidades-Estado da Suméria e Acade. Civis (pertencentes à família real) e chefes militares, nomeados diretamente pelo rei, governavam estas cidades, que mensalmente pagavam tributos. Outros povoados da região ao norte e a leste estavam sob controle de militares, que tinham de pagar um tributo anual. O rei de Ur ainda mantinha aliança com outras cidades-Estado através de casamentos ou tratados. As terras e rendimentos dos templos passaram a ser administrados diretamente pelo rei.

Com o declínio da dinastia de Ur, a Baixa Mesopotâmia voltou a ser palco de invasões e disputas pelo seu controle. Povos semitas vindos da região ocidental do vale se instalaram na Baixa Mesopotâmia, constituindo cidades-Estado. No decorrer de disputas pela hegemonia, destacaram-se primeiramente Isin, depois Larsa e, finalmente, a Babilônia.



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