Oficina de história: volume 1



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ANÁLISE DE IMAGEM ESCULTURA

Vênus de Willendorf

Material: Esculpida em pedra calcário e pintada com ocre vermelho. Mede cerca de 11 cm de altura.

Datação: c. 24000-20000 a.C.

Exposta atualmente no Museu de História Natural de Viena (Áustria), leva o nome da cidade (Willendorf) onde foi descoberta em 1908 pelo arqueólogo austríaco Josef Szombathy (1853-1943).



ERICH LESSING/LATINSTOCK



A mulher e a agricultura

[…] Admite-se, normalmente, que a agricultura tenha sido uma descoberta feminina. Ocupado em perseguir a caça ou em apascentar o gado, o homem estava sempre ausente. Pelo contrário, a mulher, ajudada pelo seu espírito de observação, […] tinha ocasião de observar os fenômenos naturais de sementeira e de germinação e de tentar reproduzi-los artificialmente. Por outro lado, pelo fato de ser solidária com outros centros de fecundidade cósmica – a Terra e a Lua –, a mulher adquiria o prestígio de poder influir na fertilidade e de poder distribuí-la. É assim que se explica o papel preponderante desempenhado pela mulher nos começos da agricultura – sobretudo no tempo em que esta técnica era apanágio das mulheres –, papel que continua a desempenhar em certas civilizações. […]

ELIADE, M. Tratado de história das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 208.

A DOMESTICAÇÃO DO ESPAÇO

Os pequenos agrupamentos haviam se transformado em aldeamentos permanentes. A vida sedentária favoreceu o aperfeiçoamento da construção de moradias mais sólidas, capazes de acomodar famílias cada vez mais numerosas. Eram construídas, geralmente, de barro misturado com palha, modelado em forma de madeira e seco ao sol.

Em geral, a área plantada ficava bem próxima ao aldeamento, facilitando a locomoção das mulheres e das crianças, que também eram recrutadas para os trabalhos agrícolas. A ampliação da produção favoreceu ainda mais a tendência de crescimento demográfico.

As subdivisões das aldeias ocorriam quando a extensão de terras cultiváveis, ou a forma de organização da produção, não era capaz de satisfazer o crescimento populacional do grupo. Geralmente os homens mais jovens se retiravam com suas mulheres para criar uma nova aldeia, nas quais estavam livres da autoridade e do controle dos mais velhos. Tal processo de subdivisões e deslocamentos favoreceu amplamente a difusão da agricultura e do pastoreio para as mais diversas regiões, para onde eram levadas as técnicas e os conhecimentos necessários para o desenvolvimento dessas atividades.

Nos mais diversos tipos de povoado surgidos desse processo de difusão, a unidade básica de produção era a família. A aldeia tornava-se uma espécie de associa-


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ção permanente de famílias e vizinhos, áreas de cultivo e criação, casas, fornos, silos, celeiros e oficinas.

A concentração de produtores e técnicas nas aldeias, por sua vez, favoreceu o aperfeiçoamento e a fabricação de ferramentas e utensílios. Os machados deram lugar às enxadas e foices, que permitiam, além da derrubada das árvores e do preparo da terra para o plantio, o corte e a transformação da madeira, o que viria a desenvolver uma marcenaria rudimentar. A armazenagem de grãos foi aperfeiçoada pelo aparecimento de silos e depósitos, possível graças ao desenvolvimento da marcenaria e das edificações. Por outro lado, o cozimento dos cereais requeria utensílios resistentes ao calor e à água. O período da revolução agrícola é também a época da proliferação dos vasos, jarros, potes e tinas de cerâmica.

As comunidades do Neolítico também aprenderam a converter as fibras naturais em fios e estes em tecidos.

Mais leves que as roupas feitas com peles de animais, as vestimentas de lã, linho e algodão eram mais apropriadas para o trabalho na lavoura. A tecelagem envolve um conjunto complexo de conhecimentos, desde a seleção das matérias-primas adequadas até a invenção dos teares, conhecimentos que, como tantos outros, estiveram relacionados com a Revolução Agrícola iniciada por volta de 10000 a.C.

Assim, as aldeias tendiam para a autossuficiência, pois a comunidade produzia o alimento de que necessitava, utilizava matérias-primas disponíveis nas vizinhanças, seus membros fabricavam ferramentas e utensílios necessários à realização das diferentes tarefas, o que não excluía os intercâmbios com outros grupos. Ao levar seus rebanhos para os pastos, os pastores de uma aldeia podiam se encontrar com os de outra. Desses intercâmbios começou a surgir uma forma rudimentar de comércio.





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