Oficina de história: volume 1



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Cio da terra

Professor(a): É possível estudar o funcionamento das sociedades e o desenvolvimento de importantes características a partir da alimentação. Veja, por exemplo, o texto "Milho, batata, pimentas, tomate", à p. 191.

Trigo, cevada, painço, arroz, milho, inhame, batatadoce. O cultivo dessas plantas constitui, até os dias atuais, a dieta básica de diversas populações espalhadas por todo o planeta. A domesticação de cereais silvestres, como o trigo e a cevada, ofereceu as bases para as grandes transformações das comunidades humanas. Esses cereais proporcionam diversas vantagens: são altamente nutritivos, os grãos podem ser armazenados sem dificuldade e têm ótimo rendimento. É certo que o preparo da terra, o plantio e a colheita exigiam esforço coletivo dos grupos humanos, mas esse trabalho permitia intervalos regulares (antes e depois da semeadura) que lhes davam oportunidade de dedicar-se a outras ocupações.



ÁREAS AGRÍCOLAS A PARTIR DE 9000 a.C.

MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em BLACK, J. (Org.). World history atlas. London: Dorling Kindersley, 2008.
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A DOMESTICAÇÃO DE PLANTAS E ANIMAIS

Após milênios de acúmulo de observações e experiências, os seres humanos passaram a dominar conhecimentos elementares de agricultura. O aproveitamento de terrenos irrigados pelas cheias dos rios e o armazenamento ainda precário de água das chuvas permitiram o desenvolvimento da horticultura, o plantio de tubérculos e cereais nas mesmas áreas onde eram anteriormente coletados.

Ao lado das pequenas hortas e terrenos de cultivo começou a combinar-se, também, a criação de animais, desenvolvida igualmente de maneira mais ou menos ocasional, possivelmente pela entrega de filhotes de animais caçados aos cuidados das mulheres e dos filhos do bando. Cães, aves, porcos, renas, camelos, ovelhas, cavalos e bois podem ter sido os primeiros animais a serem domesticados, e isso permitiu o abastecimento mais regular e abundante de carnes, peles e leite. Além da dieta, os animais possibilitaram uma nova força muscular, como montaria ou tração para transporte e para os trabalhos da terra, ampliando a capacidade produtiva das atividades humanas.

A DOMESTICAÇÃO DO SER HUMANO

O novo tipo de produção favoreceu o aumento populacional provocado pela relativa fartura e regularidade de oferta de alimentos. A convivência de um número maior de seres humanos, no entanto, foi possibilitada por um longo processo de domesticação dos instintos e da sexualidade.

Os grupos humanos pré-agrícolas subdividiamse sempre que havia crescimento do bando. A dispersão dos seus integrantes oferecia maiores condições para o sustento do grupo através da coleta e da caça, e também evitava a disputa pelas mulheres do bando, provocada pelos machos mais jovens com relação aos mais velhos.

A criação de vínculos de solidariedade mais permanentes ocorreu juntamente com a regulamentação das relações sexuais: proibições para parentes próximos (incesto) e definição do número de casamentos admitidos (poligamia).

Tais transformações revelam a passagem do acasalamento natural e selvagem para a união social e cultural. Ou seja, da fecundação realizada durante o período de cio das fêmeas, que podiam (e deviam) ser copuladas por vários machos, para a constituição de regras e restrições para as práticas sexuais.

No lugar das disputas violentas pelas fêmeas nos bandos e da expulsão dos filhos machos crescidos, as regulamentações estabeleceram proibições, rituais, privilégios e subordinações, contribuindo para a ordenação da convivência e para o fortalecimento dos laços familiares. No lugar da competição entre os machos, estabeleceram-se formas de cooperação e a afirmação da autoridade masculina, como tendência geral. No lugar de unidades familiares fechadas e isoladas, foram criados vínculos e alianças entre grupos diversos através da circulação das mulheres.

A divisão sexual do trabalho

Nesse novo contexto, intensificavam-se as diferenças entre os papéis desempenhados por homens e mulheres. Até então, os homens encarregavam-se da caça e da fabricação das ferramentas, e as mulheres, da coleta e do cuidado com os filhos. Essa tendência foi incrementada com o estabelecimento da autoridade masculina e com o desenvolvimento da agricultura.

A concentração dos conhecimentos teóricos e práticos relativos à caça e à violência armada contribuiu também para o exercício de uma primeira forma de dominação: o controle sobre as mulheres. Mas foi a construção social das relações de parentesco e das alianças masculinas que definiu o lugar das mulheres. A partir de então, passaram a ser objetos de troca e instrumentos da política e do poder simbólico dos homens.

É por isso que, como tendência geral, ao mesmo tempo que se ampliava a divisão do trabalho, se construía a valorização das atividades masculinas em relação às femininas. A derrubada de árvores, a preparação da terra, o cuidado dos animais e a proteção do grupo cabiam aos homens. Tais práticas eram vistas, no Período Neolítico, como as mais importantes. Por seu lado, as mulheres semeavam, colhiam, preparavam os alimentos, fiavam, teciam, fabricavam utensílios de cerâmica e, principalmente, cuidavam dos filhos. Atividades consideradas necessárias, mas não tão decisivas quanto aquelas desempenhadas pelos homens.

Nessas comunidades primitivas, compostas já de várias famílias, a propriedade da terra era coletiva. Não havia ainda classes sociais, nem diferenças econômicas entre seus membros. As relações eram igualitárias.
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A produção de bens não era destinada à troca, e sim à subsistência de seus integrantes. A propriedade individual limitava-se aos bens de uso pessoal. O produto do esforço coletivo era dividido entre todos os integrantes desses grupos. As diferenças entre os membros da comunidade baseavam-se na capacidade militar, nas funções religiosas, na sabedoria ou no conhecimento. Ou, então, nos papéis definidos pela divisão sexual do trabalho.






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