Oficina de história: volume 1



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ANÁLISE DE IMAGEM

REPRESENTAÇÃO RUPESTRE



O Saara no Neolítico

Material: Pintura sobre suporte rochoso

Datação: c. 10 000-8 000 a.C.

Sítio Arqueológico Tadrart Akakus, Ghat, Líbia



Área inscrita na Unesco como Patrimônio Mundial em 1985

PATRICK POENDL/DREAMSTIME.COM

Após cerca de 250 mil anos de resfriamento, em mais um Período Glacial, o planeta Terra experimentou uma fase de aquecimento global que provocou diversas alterações no meio ambiente em torno de 10000 a.C. O derretimento das geleiras que cobriam grande parte do globo elevou o nível dos mares, que passaram a ocupar grandes superfícies. O degelo também favoreceu a formação de rios e lagos de água doce. Com o aumento da umidade atmosférica, as chuvas passaram a precipitar-se com maior regularidade.

Para o continente africano, esse foi um período de grandes mudanças. O deserto do Saara, até então seco e inóspito, conheceu períodos de chuvas, que reduziram sensivelmente sua área. Os grandes maciços do Tibesti e do Hoggar, hoje rochas sem vegetação, eram cobertos, nesse período, por florestas de carvalho e nogueiras. As encostas mais baixas, como de Tassili, ao norte, Ennedi e Air, ao sul, eram forradas de oliveiras e pinheiros. Novos rios, lagos, lagunas e regatos apareceram. A pesca abundante permitiu que populações estabelecessem moradas fixas junto aos cursos fluviais e às margens dos lagos.



REGIÃO DO SAARA ENTRE 8000-6000 a.C.

MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em SELLIER, J. Atlas dos povos da África. Lisboa: Campo da Comunicação, 2004.

Não foram somente os peixes que se multiplicaram. A região também ficou repleta de elefantes, hipopótamos, rinocerontes, crocodilos, aves aquáticas, girafas, búfalos e leões. Nesse rico habitat, além de contar com a caça e a pesca, os povos do Saara colhiam ervas e cereais silvestres, que passaram a ter função cada vez mais importante. O


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modo de vida das populações ribeirinhas pode ter feito dessa região o cenário de transição final da coleta para o cultivo deliberado.

Tal situação ofereceu às comunidades humanas oportunidades de estabelecer outras maneiras de se apropriar da natureza e criar novas organizações sociais. Além de produzir ferramentas, enfeites e amuletos, de dominar o fogo, de criar linguagens, crenças e rituais, de estabelecer vínculos afetivos e até mesmo inventar o amor, os seres humanos desenvolveram o trabalho, ou seja, o conjunto de atividades voltadas à transformação da natureza.

Na verdade, modificava-se o sentido das atividades humanas. Ao lado do esforço complementar e secundário à dinâmica da natureza, representado pela caça, pesca e coleta, passava-se a praticar a agricultura, uma intervenção no meio natural com fins produtivos. Mediado por relações sociais e por divisões no interior das comunidades, o trabalho surge como o resultado do processo de constituição da humanidade e acabará por se tornar uma característica da própria condição humana. Por meio do trabalho, os seres humanos desenvolveram, nessa época (por volta de 10000 a.C.), uma série de transformações consideradas revolucionárias por muitos estudiosos. Trata-se da chamada Revolução Neolítica (do grego, neo: novo e lithos:pedra).

O Período Neolítico também é chamado de Idade da Pedra Polida.




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