Oficina de história: volume 1


II.6 - Trocas e empréstimos com outros campos disciplinares



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II.6 - Trocas e empréstimos com outros campos disciplinares

O alargamento do objeto da nova HC não se produziu isolada ou internamente à disciplina, mas constitui uma resposta a um processo de trocas e empréstimos com outros campos disciplinares correlatos. É o caso da renovação da história da ciência, que tem se voltado para a dimensão material, técnica, econômica e discursiva das produções científicas. Em artigo sobre a nova história social e cultural da ciência, Dominique PESTRE (1995) inventariou novos objetos e abordagens com os quais podemos relacionar trabalhos específicos de HC, como a história dos instrumentos, das práticas científicas, dos protocolos de prova, e das instituições [...]

Parte significativa da nova HC é também um desdobramento das novas abordagens da história do imperialismo e do nacionalismo, inscritas nos chamados estudos pós-coloniais. Nessa produção revisionista, os empreendimentos cartográficos são analisados como processos estratégicos do estado-nação moderno que visavam a construção de territórios e o controle dos seus recursos, fossem populacionais ou naturais. O livro de Jeremy BLACK, Maps and history (2000), insere-se nessa gama de estudos que tomam a cartografia como instrumento político, estratégico no processo de expansão do nacionalismo e seu desdobramento, o imperialismo. O livro trata dos atlas históricos, ou seja, do mapeamento e da mapeabilidade do passado. Usualmente considerados como obras de referência (como dicionários, cronologias e enciclopédias), na obra de Black os atlas históricos ganham estatuto de fonte documental. São analisados como imagens visuais que concorreram na criação e sustentação de determinadas situações históricas, como na emergência das nações modernas como comunidades políticas imaginadas [...]

A forte tendência dos novos estudos, que inserem os mapas nos seus contextos socioeconômicos, atinge também disciplinas como a história da arte, por muito tempo um campo refratário às mudanças. Não é mais suficiente, também para os historiadores da arte, estudar os mapas nos quadros das chamadas national


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schools; agora é necessário considerar o desenvolvimento econômico, social e cultural que permitiu o aparecimento das formas cartográficas.




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