Oficina de história: volume 1


O historiador e seu ofício



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O historiador e seu ofício

Segundo Michel de Certeau (1982), o historiador padece de uma frustração originária. Suas pretensões são políticas, na mesma medida que seu ofício e labor. Não é senão por acaso que o historiador deixa o palco para os sindicatos, classes sociais, grupos revolucionários, líderes religiosos e se encerra, a contragosto, nos bastidores do grande teatro do mundo.

Em seu recolhimento, o historiador reconstrói a vida coletiva, identifica a lógica de determinados sistemas, busca as conexões entre os fenômenos de ordem religiosa e as bases econômicas que sustentam o meio social. De tal modo que “fazer história” traz embutido um duplo sentido: a ação do sujeito que opera o conhecimento e a ação individual e/ou coletiva que foi considerada relevante e transformadora para a vida social em determinada época.

Salientar tal característica do ofício do historiador permite-nos repensar o papel da subjetividade na construção do objeto de análise. Há muito tempo, a História, bem como as outras ciências sociais, abandonaram a concepção positivista de uma verdade calcada na exposição e encadeamento de fatos. Sabemos que a História não significa uma mera exposição de datas, acontecimentos, nomes e grandes vultos e heróis.

Não se trata de retornar a uma velha e já ultrapassada discussão. Cabe, no entanto, buscar e definir o sentido político e social de nossa ação como historiadores, como elaboradores de discursos e selecionadores de determinados conteúdos que implicam um determinado percurso reflexivo a ser trilhado por nossos colegas e alunos. Ou seja, explicitar nossa intervenção política na sociedade, que não descarta nossa participação efetiva nos sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais. Pelo contrário, complementa-a.

Nosso trabalho, como historiadores, não é meramente técnico. Não se restringe ao ambiente acadêmico nem à exploração de nossos diversificados campos documentais. Não se trata de uma especialidade divorciada das tramas sociais e políticas que dão sentido à nossa sociedade no tempo presente. Pelo contrário. Em nossas aulas, em nossas leituras, em nossas pesquisas, em nossos livros, em nossas apostilas e em nossos textos produzimos “saberes” que têm implicações políticas e ideológicas.






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