Oficina de história: volume 1



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Capítulo 7 360
Sugestões pedagógicas 360
Material complementar 360
Bibliografia específica 361
Gabaritos 361
Capítulo 8 367
Sugestões pedagógicas 367
Material complementar 367
Bibliografia específica 368
Gabaritos 368
Capítulo 9 372
Sugestões pedagógicas 372
Material complementar 372
Bibliografia específica 372
Gabaritos 373
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Apresentação

Não vês que o olho abraça a beleza do mundo inteiro? É a janela do corpo humano, por onde a alma especula e frui a beleza do mundo, aceitando a prisão do corpo que, sem esse poder, seria um tormento.
Leonardo da Vinci

O livro é um pássaro com mais de cem asas para voar.
Ramón Gómez de la Serna

Se quiséssemos estabelecer uma história dos sentidos humanos, ao olhar seria destinado um lugar especial, sem dúvida alguma. Talvez o mais espiritual dos sentidos, o olhar estimulou a elaboração das mais belas metáforas e analogias da cultura ocidental. Olhares perigosos como os da Medusa. Olhares punitivos como os de Édipo. Olhares contemplativos como os de São Bento de Núrsia. Olhares destemidos como os de Giordano Bruno. Olhares furtivos como os de Shakespeare.

Pintores renascentistas chegaram a revelar que enquanto olhavam sentiam-se vistos pelas coisas. Locke, no século XVII, afirmava que nós conhecemos o mundo porque as partículas dos objetos ferem os nossos olhos. Merleau-Ponty acreditava que a pintura possuía uma fala própria, através da qual se comunicava conosco.

De um modo muito especial, nossos olhares situam-se numa espécie de fronteira entre nós e o mundo, entre nós e os outros. Do abade Suger, o célebre arquiteto medieval das catedrais repletas de vitrais, a Bill Gates, o proeminente construtor de janelas virtuais contemporâneas, a cultura ocidental sustenta-se numa contínua educação do olhar. A escola é, assim, uma importante instituição de fronteira. Um posto avançado nas múltiplas rotas e caminhos da cultura.

No seu dia a dia, cada disciplina procura refinar o olhar dos estudantes com base em práticas e teorias específicas. Não foi por acaso que o termo grego theoria foi traduzido por contemplatio pelos romanos, que significa “olhar por admiração”.

No cotidiano, os agentes envolvidos e comprometidos com o processo de educação procuram ampliar o olhar dos estudantes sobre si mesmos, sobre os outros, sobre as relações que definem os lugares sociais e os pontos críticos de nosso país e de nossa época.

O ensino de História é indispensável à qualificação e à sofisticação desses olhares, aos quais procuramos revelar o que talvez esteja menos aparente ou despertar para perspectivas diversas e questionadoras.

Referimo-nos a belezas e tristezas. Elementos que estimulam o riso ou provocam o choro, como a comédia e a tragédia, as duas máscaras justapostas que representam o teatro e que têm a função de comover o ser humano e levá-lo a reconhecer suas virtudes e suas potencialidades.

Olhar é reconstruir o real, é emancipar cores, decifrar enigmas, provocar vertigens na mente. Não importa se o foco é um pôr de sol, uma onda perfeita, um passo de balé, uma jogada de futebol, uma situação de injustiça social, uma crise política ou a desigualdade frequentemente aceita.

O que importa é aprender a olhar o mundo através dessas muitas janelas que compõem a existência humana. E conservar a indignação diante das injustiças, mesmo quando a indignação se torna cada vez mais fora de moda.

O olhar deseja sempre mais do que lhe é dado ver. E o papel de um livro crítico é o de estimular desejos. Desejos por olhares mais diversos, mais profundos, mais surpreendentes, mais livres, mais críticos, despidos de intolerâncias. Desejos que não se confundam com a satisfação pura e simples de prazeres individuais, mas que estejam orientados e limitados pelas precondições da vida coletiva.

Em 1962, o escritor Umberto Eco estabelecia o conceito de “obra aberta” para referir-se à estética contemporânea. Grosso modo, essa “abertura” na definição remetia para a possibilidade de se ampliar a capacidade de indagação e questionamento das obras artísticas e literárias. No lugar de uma leitura predeterminada do texto, o estímulo à intervenção do leitor, a valorização da sua capacidade criativa, interpretativa e analítica.

Nesta coleção, procuramos oferecer uma obra aberta, cuja intenção é contribuir para o processo de formação dos estudantes do Ensino Médio sem considerá-los meros receptores de informações e definições.

Tentamos desenvolver múltiplas possibilidades de compreensão, que superassem uma explicação causal linear e/ou determinada a um único nível de existência humana. Procuramos estimular uma diversificação do olhar. E, nesse sentido, utilizamos uma vasta gama de documentos históricos, balizados por uma perspectiva que não circunscreve tal definição apenas aos documentos escritos, valorizando, também, os documentos visuais.

Ao longo dos capítulos inserimos um grande volume de orientações aos(às) professores(as). Trata-se de um conjunto de propostas de encaminhamento para as ativi-
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dades, informações complementares, lembretes sobre a distribuição dos conteúdos e até eventuais demarcações historiográficas. É um papo aberto, comentários e conversas sobre possibilidades de desenvolvimento e utilização do material didático. Com tais observações e sugestões, acreditamos que seja possível ao(à) professor(a) estimular os alunos a estabelecer outras relações para o desenvolvimento e ampliação da compreensão de determinadas situações e processos históricos.

Procuramos elaborar uma Assessoria Pedagógica que mantivesse tal diálogo e que servisse de ferramenta aos(às) professores(as) para uma intervenção ativa no processo de transformação educacional em curso no Brasil.

Assim, na primeira parte, oferecemos os conteúdos conceituais associados às ciências humanas e que permitem avaliar a programação de conteúdos da nossa coleção. Na segunda parte, A História numa conjuntura crítica, estabelecemos um balanço resumido das atuais tendências da historiografia. Evidentemente, tal balanço é apenas uma pequena contribuição para um intrincado debate sobre o qual não nos furtamos de um posicionamento.

A seguir, apresentamos algumas reflexões a respeito da questão da cidadania hoje, o papel do ensino de História, o sentido do letramento digital e acerca da História da África e sua historiografia.

Na quarta parte apresentamos nossa proposta de ensino de História e oferecemos um panorama da estrutura da coleção, suas seções e o quadro de conteúdos desenvolvidos ao longo dos três volumes.

A seguir, apresentamos um conjunto de textos suplementares, divididos em textos de apoio para História da África e textos teóricos e metodológicos. No primeiro caso, fizemos uma seleção de obras (excertos) que podem contribuir para a formação dos(as) professores(as) numa área na qual os estudos acadêmicos, a produção intelectual e a circulação bibliográfica são relativamente recentes. No segundo caso, como nossa coleção oferece atividades baseadas numa vasta diversidade de documentos históricos, procuramos enriquecer as discussões e o aproveitamento dessas operações por meio de textos específicos, alguns considerados clássicos, outros mais recentes. Evidentemente, tais textos são um convite para que os colegas examinem as obras citadas com maior profundidade e extensão e que possam também confrontar seus postulados e perspectivas com trabalhos de outros pesquisadores sobre tais assuntos.

Na sexta parte desta Assessoria listamos algumas referências bibliográficas divididas em: educação e ensino de História, História da África e teoria, metodologia e historiografia.

Por fim apresentamos os Gabaritos e a complementação das orientações pedagógicas correspondentes aos capítulos da coleção. Para cada capítulo oferecemos algumas sugestões de abordagem e aproveitamento de textos, quadros, mapas, imagens e/ou infográficos e propomos algumas atividades complementares e bibliografia específica para o(a) professor(a). Quando possível, destacamos como os conteúdos relativos à História da África e à temática afro-americana foram trabalhados no capítulo.

Esse papo aberto que pretendemos estabelecer completa-se com o desejo dos autores desta coleção em receber críticas e sugestões dos(as) colegas professores(as) que vierem a tomar contato e/ou utilizar nossos livros em sala de aula. Fruto da experiência didática dos seus autores, a coleção atual é também o resultado de uma série de observações, propostas e críticas que chegaram até nós. Em algumas situações, feitas não apenas por professores(as), mas até mesmo por estudantes, que devem também ser considerados produtores de conhecimento e capacitados a avaliar o nosso trabalho.

É desse diálogo que esperamos obter subsídios para superar determinados limites de nosso projeto, corrigir eventuais equívocos e buscar o aprimoramento dessa prática social que é o ensino de História.

Os autores.




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