Oficina de história: volume 1


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(Mackenzie-SP) O Rei Henrique VIII, aclamado defensor da fé pela Igreja Católica, rompeu com o Papa Clemente VII em 1534, por:

a) opor-se ao Ato de Supremacia que submetia a Igreja Anglicana à autoridade do Papa.

b) rever todos os dogmas da Igreja Católica, incluindo a indissolubilidade do sagrado matrimônio, através do Ato dos Seis Artigos.

c) aceitar as 95 teses de Martinho Lutero, que denunciavam as irregularidades da Igreja Católica.

d) ambicionar assumir as terras e as riquezas da Igreja Católica e enfraquecer sua influência na Inglaterra.

e) defender que o trabalho e a acumulação de capital são manifestações da predestinação à salvação eterna como professava Santo Agostinho.

→ DL/CF/H11/H12

→ conforme tabelas das páginas 8 e 9.



Resposta d

Professor(a): A história das mulheres é objeto de discussão em diversas passagens deste livro. A reunião e sistematização desses materiais pode contribuir para desenvolver os importantes questionamentos hoje realizados à supremacia masculina e para embasar outros debates sobre a questão.

MULHERES NO PODER

A ascensão de Maria e de Elizabeth ao trono só foi possível porque Henrique VIII havia assinado, em 1543, o Ato de Sucessão, que autorizava herdeiras do sexo feminino a receber a coroa. Embora o ato sugira uma melhora na posição das mulheres na Inglaterra, ele mantinha a prioridade masculina, assegurando que Eduardo ascendesse ao trono antes das irmãs mais velhas.

Elizabeth I (1558-1603) foi a última Tudor e governou por 45 anos. Sob seu reinado, a Inglaterra viu o florescimento do teatro shakespeariano e o surgimento da doutrina dos dois corpos do rei: um, humano e mortal, e outro, imortal, associado à monarquia e transmissível para os futuros reis da Inglaterra. Elizabeth I estabeleceu um cenário de tolerância religiosa. A nova rainha preocupava-se mais com a unidade do Estado inglês e com a consolidação do poder absoluto do rei do que com a afirmação de uma fé. O anglicanismo voltou a ser a religião oficial inglesa, mas os católicos podiam realizar seus cultos.

O conflito político-religioso com a Igreja de Roma, no entanto, persistiu. Em 1570, o papa Pio V emitiu uma bula, excomungando a rainha inglesa e questionando seu direito ao trono. Ele ainda ameaçava de excomunhão todos que fossem fiéis a Elizabeth e chegava a sugerir a necessidade de sua deposição e execução. A Espanha, principal Estado católico da época, acolheu a conclamação do papa e, em 1588, organizou uma expedição naval para atacar a Inglaterra. Além da questão religiosa, o rei espanhol Felipe II pretendia abalar a capacidade marítima e mercantil do reino inglês, que, há quatro anos, havia estabelecido sua primeira possessão na América, a Virgínia. A "Invencível Armada" espanhola era composta por 130 embarcações e mais de vinte mil militares. A despeito do nome, ela enfrentou problemas na navegação do Canal da Mancha, não resistiu aos poucos ataques ingleses e, após perdas humanas e materiais, foi forçada a retornar à Espanha.

A vitória sobre os católicos espanhóis aumentou o prestígio de Elizabeth I e contribuiu para o desenvolvimento da marinha de guerra inglesa, que viria a assumir o controle dos mares. A Era Elisabetana foi, no conjunto, um período de estabilidade e prosperidade financeira dentro do reino. Mulher, filha indesejada de um rei especialmente cruel com suas esposas, rainha absoluta e chefe da Igreja Anglicana, Elizabeth I foi a principal responsável pela consolidação da Igreja anglicana e pela construção da supremacia militar e econômica da Inglaterra.

Shakespeare em cena

Em 1606, três anos depois do fim do reinado de Elizabeth I, William Shakespeare (1564-1616) apresentou aos londrinos "Antônio e Cleópatra". A peça trazia uma das mais fascinantes personagens femininas do dramaturgo, baseada na Cleópatra histórica, que havia sido uma mulher extremamente culta e poderosa, bastante temida pelos romanos. O crítico Northrop Frye lembra que ela usara sua sexualidade como arma política e chega a comparar a rainha egípcia com Elizabeth


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I, conhecida por sua virgindade. A Cleópatra de Shakespeare é uma heroína trágica, que alterna momentos sublimes com ações fulminantes, capazes de alterar a ordem do mundo. Tal qual a rainha inglesa, ela oferece a perspectiva de um novo papel feminino.

A peça foi apresentada no Globe Theatre, um dos principais teatros da época. O Globe Theatre foi construído três vezes, sempre às margens do rio Tâmisa, no subúrbio londrino de Southwark. A primeira construção foi em 1599, durante o reinado de Elizabeth I. Um incêndio o destruiu em 1613. No ano seguinte, e no mesmo lugar, nasceu o segundo teatro, que foi fechado pelos puritanos em 1642, e demolido poucos anos depois. Finalmente, em 1997, os ingleses homenagearam seu principal dramaturgo e inauguraram o Shakespeare’s Globe Theatre ou New Globe Theatre, a cerca de 200 metros da sede original.

O Globe Theatre não foi o único teatro em que Shakespeare atuou, mas acabou por ser bastante identificado a ele. É possível, inclusive, que o dramaturgo tenha sido um dos sócios da primeira edificação. As representações teatrais eram objeto de frequentes protestos de padres, que as julgavam imorais. O Parlamento também limitava a ação dos dramaturgos, por meio de leis que impediam o uso de determinadas palavras ou expressões nas apresentações. Além disso, até o final do século XVI não era permitida a instalação de teatros em Londres. Eles deviam ficar nas imediações da cidade, em áreas particulares.

Shakespeare, nas suas quase 40 peças, moldou a língua inglesa, contribuindo para sua uniformização e, com isso, para o reforço do sentido de nacionalidade. O patriotismo aparece também em alguns dramas históricos, como "Henrique V" (1599), que narra a batalha de Azincourt, em que a Inglaterra, em clara inferioridade numérica, derrotou a França, durante a Guerra dos Cem Anos. Embora alguns críticos a considerem um dos textos mais fracos de Shakespeare e outros afirmem que sua interpretação do patriotismo é irônica, ela teve grande importância política na época e, ainda hoje, é bastante encenada e celebrada.




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