Oficina de história: volume 1


Ataque de Francis Drake a São Domingos



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Ataque de Francis Drake a São Domingos, Giovani Battista Boazio. Cartografia, 1586.

Apesar da derrota, o Império espanhol ainda se mantinha como o mais poderoso da época.

O ABSOLUTISMO NA FRANÇA

A França do final do século X resumia-se a pouco mais que o território de Paris. Nos séculos seguintes, os monarcas conseguiram expandir os limites do reino e, gradualmente, centralizar o poder em suas mãos, impondo-se aos senhores feudais. A influência política dos nobres continuava, porém, bastante grande, e os governantes dependiam de seu apoio para agir. O principal instrumento da obtenção de endosso e legitimidade para as decisões reais eram os Estados-Gerais. Eles foram criados em 1302 e reuniam representantes das três ordens sociais: o clero, a nobreza e os setores urbanos e rurais que não pertenciam às duas ordens anteriores e englobavam desde a burguesia ascendente até trabalhadores despossuídos.

A Guerra dos Cem Anos e as lutas religiosas do século XVI provocaram a necessidade de manter e comandar um exército permanente e ofereceram ao rei a opor-
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tunidade de se isolar no comando militar e político. Ele tornava-se detentor do monopólio da força e conseguia, dessa maneira, submeter os nobres e o clero ao seu poder. Passava a ser o líder na luta contra inimigos que viviam dentro e fora das fronteiras francesas e simbolizava a unidade nacional, contra os interesses ingleses e as ameaças trazidas pelos ideais da Reforma.

A centralização do poder monárquico francês, que desembocaria no absolutismo, desenhava-se como um esforço de garantir a continuidade da aliança entre a aristocracia e a Igreja. O rei defendia a soberania francesa sobre seu território e a hegemonia católica no país. Com esse intuito, Francisco I (1515-1547) desencadeou violenta repressão ao protestantismo. Foi nesse período que Calvino fugiu para a Suíça.

A luta religiosa e a luta política misturaram-se quase até o final do século. Conscientes dos riscos que enfrentavam, os huguenotes (calvinistas franceses) recolhiam-se à clandestinidade, contestavam a autoridade real e defendiam o direito à rebelião contra as injustiças cometidas pelo monarca. Em agosto de 1572, Paris assistiu a um dos episódios mais sangrentos da repressão ao protestantismo: a Noite de São Bartolomeu, quando huguenotes foram assassinados por representantes da monarquia católica. Nas noites seguintes, os massacres ultrapassaram as fronteiras da capital francesa e atingiram os protestantes do interior, resultando em milhares de mortes.

As perseguições religiosas na França só acabaram nos últimos anos do século XVI, durante o reinado de Henrique IV (1553-1610). Protestante, ele havia se convertido ao catolicismo para assumir o trono. Foi coroado em 1589 e, nove anos depois, assinou o Édito de Nantes, que reafirmava o catolicismo como religião oficial do Estado, mas autorizava os calvinistas a praticarem seus cultos.

Bodin e o conceito de soberania

Na Idade Média, o Estado não era soberano: o rei dividia o comando com outros nobres, poderosos locais. O conceito de soberania só surgiu no século XVI, com um pensador francês chamado Jean Bodin, na obra Os seis livros da República. Para ele, os Estados-Gerais não tinham soberania e o rei devia exercer o poder de forma absoluta, como uma forma de assegurar a paz e a estabilidade. Para tanto, o povo tinha que transferir todo o poder ao soberano, fazendo com que o Estado se tornasse um centro de autoridade, capaz de arbitrar disputas, resolver pendências e assumir todas as decisões.

Esse Estado passaria a ordenar a sociedade, por meio de direitos que só ele possuía e que determinavam sua soberania: criar leis sem consultar os súditos e sem depender de seu consentimento, declarar a guerra e assinar a paz, recolher tributos e impostos, estabelecer privilégios.

O poder absoluto do governante, no entanto, não lhe permitia alterar as regras de sucessão ao trono, nem incorporar a seu patrimônio pessoal as riquezas públicas.

Jacques Bossuet e o caráter divino da monarquia






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