Oficina de história: volume 1


Sírios: sacos para transporte de farinha ou cereais. Esfaimando



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Sírios: sacos para transporte de farinha ou cereais.

Esfaimando: morrendo de fome.

Apud HANSEN, J. A. A sátira e o engenho. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. p. 136.


Página 216

A América francesa

A monarquia francesa, rejeitando a partilha do mundo pelos ibéricos, procurou estabelecer núcleos colonizadores na América do Sul. Em 1555, Nicolau Durand de Villegaignon, enviado pelo rei Henrique II, fundou a França Antártica, na região da baía de Guanabara. A maior parte dos colonizadores era composta de protestantes franceses que fugiam das perseguições dos católicos em sua terra natal. Entre os conquistadores encontravam-se o católico André Thevet e o calvinista Jean de Léry, que escreveram dois dos mais interessantes documentos sobre as características das terras americanas e seus primeiros habitantes no século XVI.

Em pouco tempo, as divergências entre seguidores das duas religiões também se manifestaram no Novo Mundo, provocando disputas e dissidências em nome da fé. Com a notícia das tensões religiosas vividas nas terras de além-mar, outros colonos sentiram-se desestimulados a atravessar o Atlântico, o que dificultou o desenvolvimento da colônia francesa.

As primeiras expedições portuguesas para a expulsão dos franceses iniciaram-se em 1560. Sob o comando do governador-geral Mem de Sá, os franceses foram vencidos e obrigados a se refugiar no sertão.

Constatou-se, mais uma vez, que a única possibilidade de defender a região dos franceses e dos indígenas Tamoio, seus aliados, seria o povoamento. Com esse objetivo, em 1565, Estácio de Sá, sobrinho do governador, fundou a vila de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Os confrontos prolongaram-se por mais dois anos, quando tropas comandadas por Mem de Sá derrotaram definitivamente os franceses.

A JUSTIÇA COLONIAL

Estabelecer a Justiça portuguesa nos domínios americanos não era tarefa fácil. A maior parte dos conquistadores logo se sentia atraída pelas indígenas. A ausência de mulheres europeias e as práticas e regras sexuais nativas, menos restritivas que aquelas pregadas pela moral cristã, levaram muitos portugueses a se entregar aos prazeres sensuais. Os governadores-gerais e seus auxiliares na área da Justiça, os ouvidores, tentavam, sem muito sucesso, conter a licenciosidade sexual que predominava nesses domínios. Os representantes do clero, mais decididos nessa causa, procuravam combater o que consideravam depravação e sugeriam que se enviassem mais moças portuguesas para a América. Como alternativa, buscavam implementar os princípios do matrimônio cristão, promovendo casamentos dentro das comunidades indígenas e de portugueses com as nativas, no intuito de diminuir as práticas consideradas pecadoras.

Além disso, a ocupação portuguesa foi realizada por um vasto contingente de degredados, cujos delitos eram punidos com a obrigação de se estabelecerem no território colonial. Pobres, mendigos e indivíduos marginalizados da Metrópole eram enviados à força para cumprirem serviços militares nas possessões de além-mar. Mesmo parte do contingente de religiosos que desembarcava para a missão apostólica tinha sua conduta afetada pelo ambiente da Colônia. O padre Manuel da Nóbrega reclamava, em 1549, que "cá há clérigos, mas é a escória que de lá vem".






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