Oficina de história: volume 1


Ritual de produção do cauim, anônimo. Gravura extraída do manuscrito



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Ritual de produção do cauim, anônimo. Gravura extraída do manuscrito La cosmographie universelle, André Thevet, Paris, 1575.

SERVIÇO HISTÓRICO DA MARINHA, VINCENNES, FRANÇA



Canibalismo, Theodore de Bry. Gravura, 1592.

BIBLIOTECA NACIONAL, PARIS, FRANÇA



Os canibais. Ilustração extraída do manuscrito Ensaios, Michel de Montaigne, Paris, 1580.
Página 207

a palavra cristã aos negros da terra muito antes de 1500. Num de seus escritos de 1549, o jesuíta Manuel da Nóbrega afirmou: "Dizem eles que S. Tomé, a quem eles chamam de Zomé, passou por aqui, e isto lhes ficou por dito de seus antepassados e que suas pisadas estão sinaladas junto de um rio; as quais eu fui ver por mais certeza da verdade e vi com os próprios olhos, quatro pisadas mui sinaladas com seus dedos, as quaes algumas vezes cobre o rio quando enche...".

O mito do dilúvio indígena foi registrado como indício do conhecimento do dilúvio judaico-cristão descrito na Bíblia. Para Nóbrega, ainda em 1549, a memória era falsa "porque dizem que, cobrindo-se a terra d'água, uma mulher com seu marido subiram em um pinheiro e, depois de minguadas as águas, se desceram, e destes procederam todos os homens e mulheres".

O francês André Thevet, poucos anos mais tarde, também descreveria a presença do mito diluviano: "Dizem eles que as águas subiram tanto que chegaram a cobrir até mesmo as montanhas mais altas dessa terra, fazendo com que todas as pessoas perecessem afogadas. Acreditam nisso tão firmemente quanto nós no que se refere aos fatos narrados pelas Sagradas Escrituras. Entretanto, sua história é bastante suscetível de conter erros, visto que não sabem escrever para guardar a memória dos fatos, e todo o seu conhecimento não vai além dos relatos que escutaram de seus pais".

Desde o primeiro relato produzido após a chegada de Cabral – a conhecida carta de Pero Vaz de Caminha –, a postura dos portugueses era bastante clara. Chocavam-se com a nudez daqueles que "não cobrem suas vergonhas" e mostravam-se surpresos com a "preguiça": "não lavram, nem criam. Não há boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha", nem outro animal de criação para a alimentação dos homens. As terras, apesar de não se saber da existência de metais e pedras preciosas, possuíam "bons ares", "águas infindas" e solos férteis, onde tudo poderia ser plantado. Apesar disso, Caminha chegou a insinuar a semelhança com o Paraíso Terrestre: "a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria menor". Mas, ainda segundo o escrivão de Cabral, "o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".

Os mínimos sinais da natureza eram compreendidos como indícios de mensagens de Deus aos conquistadores. No céu, a existência da constelação Cruzeiro do Sul era interpretada como a evidência da bênção de Deus sobre a terra. A existência de aves falantes – os papagaios – era mais um sinal da proximidade das novas terras com o Paraíso Terreal, onde os animais comunicavam-se com os homens.

A abundância dos recursos naturais era relacionada às descrições medievais do Jardim do Éden. A fertilidade do solo, o clima fresco e a diversidade da fauna e da flora eram salientados nos relatos, criando uma espécie de edenização das novas terras. Tal deslumbramento produziu uma série de impressões que definiam a América portuguesa como o melhor lugar do mundo e, em vários depoimentos, como o próprio Paraíso Terrestre.

Professor(a): A discussão sobre cartografia reaparece em outras passagens do livro – por exemplo, às p. 60, 160 e 193.

Brasil

"Um fenômeno dos mais interessantes na história da cartografia é uma ilha chamada Brasil. Não se pode descartar de todo a possibilidade de existir uma ligação entre o nome da ilha Brasil, situada em frente ao litoral da Terra Nova, e uma eventual viagem de irlandeses para a América, depois dos vikings. Essa ilha Brasil aparece comprovadamente pela primeira vez como pedaço de terra firme a oeste do extremo sul da Irlanda, no mapa de Ângelo Dalorto. Desde então reaparece vez por outra com as grafias mais diversas (Brasil, Bersil, O'Brassil, Breasdil etc.)."



DREYER-EIMBCKE, O. O descobrimento da Terra: história e histórias da aventura cartográfica. Trad. São Paulo: Edusp/Melhoramentos, 1992. p. 59.

BIBLIOTECA NACIONAL, FLORENÇA, ITÁLIA






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