Oficina de história: volume 1


A leiteira, Johannes Vermeer. Óleo sobre tela, 1658-1660



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A leiteira, Johannes Vermeer. Óleo sobre tela, 1658-1660.

Expansão do protestantismo e guerras religiosas

Os ideais calvinistas propagaram-se rapidamente a partir da experiência em Genebra. A Reforma espalhava-se pelo continente, assumindo feições e propostas variadas e renovando a Igreja e o cristianismo. Na França, no centro e no norte da Europa, o papado perdeu parte importante de sua influência. O rei inglês Henrique VIII também aderiu às reformas, criou a Igreja Anglicana e acrescentou, à sua liderança política, o poder religioso. Calcula-se que, até o final do século XVI, quase a metade dos europeus tenha se convertido às novas igrejas.

Enquanto isso, Portugal, Espanha e os reinos e as repúblicas da península Itálica passaram a ser as bases principais do poder papal e da interferência do catolicismo romano. A reação do papado e dos reis que se mantinham fiéis a Roma foi violenta. No decorrer do século XVI, ocorreram guerras de religião em diversos países europeus e em suas possessões de além-mar.

A REFORMA CATÓLICA

A Igreja Católica viu-se obrigada a promover mudanças internas, em resposta tanto ao movimento protestante como à necessidade de se adaptar aos novos tempos e corrigir algumas condutas.

O conjunto dessas mudanças ficou conhecido como a Reforma Católica, ou Contrarreforma, e incluiu reformulações de ordem doutrinal e administrativa. Naquele contexto as metas da Igreja passaram a ser o combate à heresia protestante – e à proliferação da nova religião no continente europeu –, a reafirmação dos dogmas da Igreja e a vigilância sobre as práticas religiosas dos fiéis.

Essa nova orientação foi decidida no Concílio deTrento, assembleia de religiosos que se reuniu de 1545 a 1563. Dispôs-se nessa reunião também sobre o que não sofreria mudança: manteve-se o latim como a língua litúrgica e dos textos bíblicos e reafirmaram-se a infalibilidade do papa, a proibição do casamento para padres e freiras e a importância das práticas piedosas e da participação nos sacramentos para a salvação da alma (batismo, crisma, eucaristia, matrimônio, confissão, ordem, extrema-unção).

Além disso, restabeleceu-se o Tribunal do Santo Ofício (a Inquisição), responsável por julgar católicos acusados de atos considerados contrários à fé, e elaborou-se o Index librorum prohibitorum, lista de livros proibidos que podiam ser retirados de circulação e queimados e cujos autores eram submetidos a julgamento.

Na lista dos livros proscritos figurava O príncipe, de Maquiavel, entre outros. Os tribunais da Inquisição contavam com o apoio de alguns Estados monárquicos na medida em que estes se encarregavam de prender, degredar e por vezes até executar os condenados.

A Reforma Católica pôde contar, ainda, com a Companhia de Jesus, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Seus membros, os jesuítas, destacavam-se por seu papel missionário na América, África e Ásia e pela ação educativa desenvolvida em seus colégios. Eram conhecidos também por seguir uma disciplina rígida, que lembrava a das organizações militares.

No Novo Mundo, os jesuítas incumbiam-se da cristianização dos nativos. Para os reinos ibéricos, a expansão de seus territórios implicava também a ampliação das fron-


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teiras da fé, por meio da inclusão de milhares de novos seguidores e da afirmação das instituições eclesiásticas. A participação dos jesuítas, encarregados da catequese dos indígenas, da formação de religiosos e da educação dos colonos laicos, foi decisiva nesse sentido.

Assim, ao mesmo tempo que fortaleciam a combatida Igreja Católica, as Coroas de Portugal e da Espanha assumiam definitivamente o papel de instrumentos para a salvação da humanidade. Evidentemente isso representava um reforço ao poderio monárquico. Seus reis, de forma semelhante ao que ocorria com os papas, começaram a ser definidos como "vice-cristos", delegados de Deus na Terra.

O verbo escutar

O papel do discurso oral como meio propagador da doutrina foi destacado tanto pelos protestantes quanto pelos católicos. Na cultura protestante, o sermão podia consumir horas, numa experiência emocional que envolvia a participação da audiência, com exclamações, suspiros ou lágrimas dos membros da congregação.

O sermão era o gênero literário predominante e a cerimônia social de maior relevo; todas as classes sociais eram instruídas pela sua pregação.

Sua contrapartida imediata era a escuta. Escutar era o verbo evangélico por excelência. Era escutando a palavra divina que o homem religava-se a Deus.

A Reforma fez-se, em grande parte, em nome da escuta: o templo protestante era, exclusivamente, um lugar de escuta. A própria Contrarreforma, não ficando atrás, colocou o púlpito no centro da igreja (nas construções dos jesuítas), transformando os fiéis em ouvintes.

Entre os membros da Sociedade de Jesus, conhecedores de diversas línguas nativas, tanto no Oriente como no Novo Mundo, a comunicação oral era o instrumento mais apto e próximo para a conquista das almas.




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