Oficina de história: volume 1



Baixar 10.24 Mb.
Página281/556
Encontro08.10.2019
Tamanho10.24 Mb.
1   ...   277   278   279   280   281   282   283   284   ...   556
ANÁLISE DE IMAGEM RETÁBULO

Martinho Lutero pregando em uma igreja na cidade de Wittenberg

Material: Óleo sobre madeira

Artista: Lucas Cranach, o Velho

Datação: c. 1547-1553



Exposto atualmente na Igreja Saint Marien de Wittenberg (Alemanha).

AKG-IMAGES/LATINSTOCK


Página 203

ro, politicamente conservador e dependente dos príncipes germânicos que o mantinham protegido da perseguição do papa, rejeitou qualquer vínculo de suas propostas com a luta popular.

Independentemente de sua situação e de sua posição política, o programa reformista já ultrapassara suas preocupações pessoais e tornava-se cada vez mais forte e amplo. Na metade do século XVI, quase todo o norte da atual Alemanha havia sido convertido ao protestantismo e outras regiões da Europa debatiam as ideias reformistas.

O CALVINISMO E A PREDESTINAÇÃO

Enquanto alguns europeus adotavam as orientações de Lutero e de seus primeiros seguidores, outros mantinham-se fielmente ligados à Igreja de Roma. Na França, os protestantes eram reprimidos com violência e perseguidos pelo poder real e pelo poder eclesiástico. O teólogo e humanista francês João Calvino (1509-1564) converteu-se ao luteranismo aos 24 anos e precisou sair de seu país para escapar à repressão.

Calvino exilou-se em Genebra, a convite do pregador Guilherme Farel, que havia divulgado os preceitos reformistas na cidade. Genebra transformara-se numa república havia pouco tempo e era controlada por um conselho geral. O conselho adotara o protestantismo, confiscara as propriedades da Igreja e, com as receitas obtidas com o confisco, havia implantado um amplo sistema de instrução pública e organizado obras de assistência social.

Apesar de ter enfrentado a oposição de alguns setores burgueses da cidade, Calvino conseguiu, após 1541, iniciar uma ampla reestruturação eclesiástica e religiosa. Ele defendia a absoluta soberania de Deus e a completa submissão dos homens a Ele. À semelhança do que Lutero havia afirmado, Calvino também acreditava que a virtude, as boas ações, o arrependimento e as penitências não facilitavam o ingresso no reino do Céu. Era a escolha divina que permitiria, a alguns, o acesso ao Paraíso. Para Calvino, a igreja dividia-se em dois segmentos. De um lado, a "igreja invisível", que reunia aqueles que estavam predestinados à salvação. De outro, a "igreja visível", que incluía todos os que aguardavam a morte para conhecer seu destino maravilhoso ou terrível. Nenhuma pessoa sabia previamente o que Deus havia determinado para seu destino, por isso, era necessário atuar na "igreja visível", sem saber se pertencia à "invisível".

A igreja calvinista impunha disciplina e conduta social rigorosas, em público e na intimidade. As atitudes individuais revelavam o esforço de combater o mal dentro e fora de si e de agir conforme as convicções religiosas.

A ética do trabalho

O trabalho era tratado, por Calvino e seus seguidores, como um valor supremo. Ele representava a capacidade que os homens tinham de administrar os bens de Deus na Terra. O sucesso nas atividades profissionais demonstrava, assim, a competente e cuidadosa observação da vontade divina. Segundo essa lógica, certas práticas condenadas pelos católicos, como a obtenção de lucro e a cobrança de juros, deviam ser permitidas e respeitadas. A própria riqueza individual, também rejeitada no catolicismo, assumia a conotação de sinal da graça divina.

Com seus preceitos, a doutrina calvinista facilitava e justificava a atuação dos comerciantes e dos banqueiros. Em virtude disso, alguns pensadores afirmaram que o calvinismo oferecia a ética religiosa adequada para o desenvolvimento do capitalismo.

A DIFUSÃO DA REFORMA NO SÉCULO XVI



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em DUBY, G. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987.
Página 204

Professor(a): O(A) professor(a) de Artes pode colaborar bastante na análise da imagem, discutindo, por exemplo, o emprego de cores e luzes na tela, característico da obra do artista holandês. É interessante, também compará-la com outra tela de Vermeer, reproduzida na p. 235 deste livro.

Professor(a): O estudo das Reformas religiosas e da Contrarreforma permitem a introdução de um debate sobre a diversidade e a tolerância religiosa, tema transversal importante e bastante atual.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   277   278   279   280   281   282   283   284   ...   556


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal