Oficina de história: volume 1


O ovo de Colombo, Theodore de Bry. Gravura extraída da obra



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O ovo de Colombo, Theodore de Bry. Gravura extraída da obra As viagens de De Bry, Frankfurt, 1594.
Página 186

No breve período de quinze anos, entre a retomada de Granada e a oficialização da "descoberta" da América, Castela havia passado da incerteza da luta contra os mouros à expansão transoceânica.

Portugal, simultaneamente, havia conquistado as terras que originariam o Brasil e aberto, a partir da expedição de Vasco da Gama (1497-1498), o sonhado caminho alternativo para as Índias. As rivalidades entre os dois países ibéricos acentuaram-se e acabaram por levar a uma curiosa partilha do mundo, ratificada pelo papa, pela qual todas as demais monarquias europeias ficavam excluídas. O rei francês Francisco I, de forma irônica, alegava desconhecer a cláusula do "testamento de Adão" que excluía a França das terras do Novo Mundo. Como a inglesa, a monarquia francesa promoveu uma série de incursões aos domínios considerados ibéricos e utilizou a pirataria para se apoderar dos produtos coloniais.

A partilha do mundo pelos ibéricos

Desde meados do século XV, os conflitos entre Portugal e Espanha culminaram na arbitragem do Papado. Inicialmente, com a justificativa da evangelização dos gentios e da guerra santa aos infiéis, os portugueses obtiveram o monopólio da navegação no oceano Atlântico. Mesmo assim as tensões entre portugueses e espanhóis não cessaram e acabaram por desencadear, em 1474, uma guerra na qual as possessões atlânticas transformaram-se em alvo de agressões e postos de combate.

Ao final do conflito, em 1479, o Tratado de Alcáçovas definia o domínio espanhol sobre as ilhas Canárias e na parte litorânea próxima a elas. Aos portugueses destinava-se o Marrocos, os arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé, e o controle sobre as terras e mares descobertos e ainda por descobrir ao sul das Canárias. Após a primeira viagem de Colombo, Portugal reivindicou, com base nesse tratado, a posse dos domínios recém-descobertos pelo navegador genovês.

Uma nova arbitragem papal estabeleceu, com a Bula Inter Coetera, em 1493, a divisão do oceano Atlântico por um meridiano localizado a 100 léguas do arquipélago dos Açores. Os domínios portugueses localizariam-se a leste da demarcação, com exceção das ilhas Canárias. A oeste figurariam as terras e os mares espanhóis. Apesar dos protestos portugueses, outras bulas papais anulavam os antigos privilégios concedidos a Portugal, transferindo-os à Coroa espanhola, acirrando ainda mais a rivalidade luso-espanhola, o que quase levou a um novo confronto armado.

Em 1494, foi firmado o Tratado de Tordesilhas, que demarcava as áreas de influência por um meridiano situado a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. Resguardavam-se os antigos domínios espanhóis e portugueses e abria-se a estes últimos a possibilidade de lançar seus estandartes nas terras do Novo Mundo. Em 1529, o Tratado de Saragoça definia as áreas de influência luso-espanholas no continente asiático.



MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em KONSTAM, A. Historical atlas of exploration, 1492-1600. New York: Checkmark, 2000; NOVAIS, F. (Org.). Saga: a grande história do Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1981. v. 1.




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