Oficina de história: volume 1


Casamento de d. João I e d. Felipa de Lencastre. Iluminura extraída do manuscrito



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Casamento de d. João I e d. Felipa de Lencastre. Iluminura extraída do manuscrito Anciennes chroniques d'Angleterre, Jehan Wavrin, século XV.

A AGRICULTURA, O COMÉRCIO E AS CIDADES

Apesar da tendência à autossuficiência dos senhorios, as atividades mercantis nunca cessaram completamente. As trocas efetuavam-se em feiras, estabelecidas em geral nas proximidades de castelos, também chamados de burgos. Com a permissão da aristocracia senhorial, as feiras podiam instalar-se e até recebiam proteção em troca de taxas e tributos pagos aos senhores. Restritas a determinados locais e de frequência irregular, as transações comerciais garantiam o abastecimento de gêneros fundamentais, que não eram produzidos em todas as regiões – como o sal e os metais –, ou de artigos de luxo consumidos pela aristocracia.

A paz vivida na Europa a partir do século XI, com o fim das invasões dos vikings, muçulmanos e magiares, favoreceu as atividades comerciais. As rotas terrestres e marítimas tornaram-se menos perigosas. A diminuição da mortandade forneceu um maior número de braços para os trabalhos agrícolas, o que, num primeiro momento, representou um crescimento geral da produção. Novas técnicas permitiram melhor aproveitamento das terras existentes e a incorporação de outras áreas até então não cultivadas, com a derrubada de bosques, a drenagem de pântanos e a construção de diques e barragens para maior aproveitamento de terrenos junto ao mar. Entre os séculos XI e XIV, a Europa experimentava uma expansão do sistema feudal.

Com tudo isso, as trocas ocasionais começaram a se tornar mais constantes, transformando alguns pontos de encontro de comerciantes e feiras em locais permanentes de transações comerciais: as cidades.

Além de verdadeiras aglomerações de comerciantes, as cidades desenvolveram os diversos ramos do artesanato e toda uma série de serviços para receber e alojar os negociantes. Um provérbio medieval dizia: "O ar das cidades traz a liberdade". De fato, encravadas no mundo feudal e resultantes do desenvolvimento dessa economia, as cidades acabaram por acelerar as alterações sociais do período. A vida urbana atraía parte dos trabalhadores rurais, estimulando a fuga de servos e o estabelecimento de artesãos. Pelo costume da época, em muitas regiões europeias, os servos que permanecessem um ano e um dia em determinada cidade, sem que seu senhor os reclamasse de volta ao seu domínio, passavam a ser considerados livres. O trabalho assalariado começava então a se desenvolver, minando um dos pilares da sociedade feudal.

As inovações técnicas

Entre as inovações técnicas medievais destaca-se o emprego da charrua, um arado de ferro desenvolvido pelos conhecimentos metalúrgicos dos povos germânicos. Pelo seu peso e resistência, cortava profundamente a terra, permitindo o cultivo até mesmo dos pesados solos úmidos do norte da Europa, que ofereciam grande resistência ao arado leve. Outro progresso foi a invenção da coalheira – arreio em forma de coleira para os cavalos, ao qual se atavam as peças do arado. Uma nova atrelagem também proporcionou a melhor utilização dos cavalos (cabresto amarrado às costas do animal) em lugar da canga frontal, mais indicada para o caso dos bois. Duas outras invenções, o moinho-d'água e o moinho de vento, vieram facilitar a moagem do grão e contribuíram para o melhor aproveitamento da produção agrícola.

Os trabalhos agrícolas eram realizados em campos abertos. Cada camponês recebia um pequeno lote em cada um desses campos. O trabalho em conjunto aumentava a produtividade. O aparecimento gradual do sistema de agricultura de três campos fez crescer a produção. No sistema de dois campos, adotado anteriormente, enquanto metade da terra era cultivada, a outra metade permanecia em repouso, para recuperar a fertilidade.

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A partir do século XI, os campos passaram a ser divididos em três partes. A cada ano, um desses campos permanecia em repouso enquanto os demais eram cultivados.

Assim, ao final do período de três anos, alternava-se o cultivo de cereais e garantia-se um ano de descanso para o solo. Entre uma safra e outra, os campos em repouso tornavam-se áreas coletivas de pastagens para o gado.

Tais inovações, que só foram utilizadas gradualmente, aumentaram de forma acentuada a produção e, com ela, a população europeia, que saltou de cerca de 20 milhões de habitantes no século X para cerca de 54 milhões no início do século XIV.




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