Oficina de história: volume 1


Todos os caminhos levam a Roma



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Todos os caminhos levam a Roma

A construção da Via Ápia iniciou-se em 312 a.C. e ligava Roma a Cápua, numa distância de 300 quilômetros. Posteriormente foi ampliada até o sul da península Itálica.



SCALA/GLOW IMAGES



Via Ápia, construída c. 312-308 a.C. Rocha basáltica, Roma, Itália, 2012.

IRAKITE/DREAMSTIME.COM



Conjunto arquitetônico Villa Adriana. Tívoli, Itália, 2009. (detalhe)

A Villa Adriana foi construída entre 118 e 138 d.C. para o imperador Adriano. Concebida como uma cidade ideal, combinava elementos egípcios, gregos e romanos.



G. DAGLI ORTI/DE AGOSTINI/GETTY IMAGES



Coliseu, Ítalo Gismondi. Maquete em plástico da Roma antiga, 1937. (detalhe)

Para comemorar o nascimento do imperador Otávio Augusto, Benito Mussolini mandou construir uma maquete da cidade de Roma na época de Constantino, quando a cidade atingiu seu apogeu. A gigantesca maquete de 17 metros de diâmetro foi construída entre 1933 e 1937.

Aquedutos, sistema de esgotos, estradas, termas, portos, anfiteatros, fóruns, arenas, templos, obeliscos, arcos de triunfos. As riquezas geradas pelas conquistas permitiram ao imperador Otávio revestir a cidade de Roma com obras feitas de mármore e possibilitaram a seus sucessores edificar inúmeras obras públicas em todo o Império. Nos muitos arcos de triunfos erguidos eram registradas homenagens aos imperadores romanos e à grandiosidade de Roma. Erguia-se uma arquitetura do poder.

A diversidade cultural dos inúmeros povos que faziam parte dos domínios romanos iria se refletir no estilo arquitetônico heterogêneo, que agregaria influências de diversas regiões, dando continuidade à cultura helenística expressada pelo Império Macedônico, como vimos no capítulo anterior.

ARQUITETURA E CIDADANIA

As cidades-Estado gregas eram limitadas fisicamente pelo espaço ocupado por uma série de edificações dispostas de forma irregular e erguidas, em geral, sobre terrenos acidentados e repletos de colinas. Eram também limitadas politicamente pela cidadania restrita aos naturais da cidade.

Em Roma, porém, a organização urbanística esteve baseada em traçados geométricos e regulares, revelando uma investida da engenhosidade humana frente as bases naturais sobre as quais se assentava a cidade. Talvez se possa dizer que os gregos das póleis expressaram sua engenhosidade por meio da filosofia e das artes, enquanto os romanos o fizeram por meio da arquitetura, do urbanismo e do direito.

Além disso, com Roma alteraram-se também os limites da cidadania. Desde o início da expansão, ainda na Península Itálica, a ampliação da cidadania esteve ligada às negociações e incorporações de povos conquistados. Com a Constituição Antonina, implementada pelo imperador Caracala em 212 d.C. (também conhecida por Édito de Caracala), todos os súditos do Império, portanto todos os homens livres, eram reconhecidos como cidadãos romanos. A urbe (cidade) expandia-se ao limite da orbe (território romano).

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Tal expansão permitiu que representantes de outras partes do Império ocupassem cargos de comando na administração e no exército. Alguns imperadores, como o próprio Caracala, nascido na Gália, não eram originários da Península Itálica.

O Coliseu e os jogos

O Coliseu (palavra que significa colossal), construído entre os anos 70 e 82, tornou-se um dos grandes símbolos da Roma Antiga. Podia abrigar até 45 mil espectadores. Ocorriam ali combates de gladiadores, execução de criminosos por animais selvagens e a encenação de batalhas históricas e mitológicas.

O Coliseu foi expressamente construído para o divertimento dos romanos como um todo e dos plebeus em especial. Para as elites romanas esta seria uma excelente maneira de manter a plebe sob controle do Estado e venerando seu imperador.

Sua arena refletia a hierarquia social da sociedade romana. Os piores lugares, reservados aos mais marginalizados – estrangeiros, mulheres e pessoas escravizadas –, ficavam na parte mais alta. Já o imperador e sua comitiva sentavam-se nas primeiras filas, em assentos elevados.

Também em relação aos jogos haveria uma grande diferença entre Grécia e Roma. Enquanto para os gregos os jogos eram disputados por cidadãos em memória dos deuses (Olímpicos, Píticos, Nemaicos e Ístmicos), em Roma eram disputados por pessoas escravizadas, prisioneiros e estrangeiros, como sacrifício aos deuses, mas, sobretudo, aos cidadãos romanos, como oferta dos seus imperadores e generais.

ALTO IMPÉRIO (I-III D.C.)

A chegada ao poder de Otávio em 27 a.C. representou o desfecho do processo de crise da República e da concentração de poderes por parte dos ditadores e generais romanos. Submetido ao poder imperial, o Senado conferiu a Otávio o título de Augusto, ou seja, divino entre os homens. A partir de então, a condição de divindade passava a ser atribuída ao imperador, que assumia também a chefia da religião romana, como Sumo Pontífice. Todos os imperadores tornaram-se Césares, denominação que passou a ser utilizada pelos sucessores de Otávio.

O imperador tornava-se, assim, o centro do poder romano. Mantiveram-se as eleições dos magistrados e as reuniões das assembleias bem como o controle e a administração do Senado sobre determinadas províncias. Mas, na prática, o Senado estava subordinado aos imperadores.



ÁFRICA, ÁSIA E EUROPA: ROTAS MERCANTIS (SÉCULO I d.C.)

MÁRIO YOSHIDA

Fonte: Elaborado com base em BLACK, J. (Org.). World history atlas. London: Dorling Kindersley, 2008.
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A política do pão e circo

O apoio da grande massa empobrecida de Roma aos imperadores (e também a generais e governantes das províncias) era obtido através da distribuição gratuita de cereais e da promoção de jogos nas muitas arenas do Império. Chegou-se a estabelecer 159 feriados, dias de festividades, nos quais eram travadas as competições e exibições.

Pesquisas recentes indicam que, além da simpatia da massa e dos apoios populares, as arenas dos jogos eram também espaços onde se davam a romanização dos povos que compunham o Império. Ou seja, eram locais onde eram representadas passagens históricas e míticas romanas, onde se afirmavam a autoridade e determinados princípios legais e até mesmo espaços de expressões de descontentamentos sociais por parte da massa popular.

A Paz Romana

A partir do governo de Otávio ocorreu uma diminuição das conquistas territoriais e do expansionismo romano. De certo modo, as fronteiras estabilizaram-se e, com isso, também diminui-se o poder dos generais, fonte de instabilidades políticas durante a República.

A Paz Romana (Pax Romana) era na verdade uma paz armada. As legiões ocuparam-se da defesa das fronteiras contra agressões e invasões de diversos povos e da pacificação de províncias onde houvesse revoltas e rebeliões.

BAIXO IMPÉRIO (III-V D.C.)






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