ObservaçÕes sobre tiana, a primeira princesa negra da disney


Os estereótipos raciais: as imagens que a Disney produz e reproduz



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Os estereótipos raciais: as imagens que a Disney produz e reproduz 

 

Giroux  (2013)  se  refere  a  Disney  Company  (ou  Walt  Disney,  como  é  popularmente 



conhecida) como um excelente exemplo de produtora de estereótipos raciais usados de forma 

a favorecer a política e cultura do país de origem: os Estados Unidos. Com o famoso slogan o 

“lugar  mais  feliz  do  globo”,  divulgado  por  suas  produções,  segundo  o  autor,  os  Estados 

Unidos conseguiram atrair a atenção de diversos investidores/as, trabalhadores/as, empresas e 

turistas,  fortalecendo  e  disseminando  uma  cultura  de  “felicidade  e  inocência”  por  meio  dos 

produtos da Disney.  

Em  análise  das  personagens  do  “maravilhoso  mundo  da  Disney”,  Giroux  (2013) 

identifica  características  homogeneizantes  como  a  valorização  das  tradições,  da  moral  e  da 

família,  o  pertencimento  à  classe  média,  a  soberania  das  pessoas  de  pele  branca  e  corpo 

magro. Essas características foram corporificadas em personagens como Cinderela (1950), 



pequena  sereia  (1989),  A  bela  e  a  fera  (1991),  Enrolados  (2010)  e  Pocahontas  (1995),  que 

são desenhos animados voltados, principalmente, para as crianças. Nesse último, é recontada 

em linguagem infantil, inocente, poética e romântica o massacre dos/as índios/as nativos/as do 

oeste americanos pelos/as brancos/as colonizadores/as. 

 

O  autor  assevera  que  as  narrativas  dos  filmes  e  desenhos  animados  da  Disney 



defendem  valores  hegemônicos  e  transformam  assuntos  sérios  e  polêmicos  em  comédias 

românticas,  nostálgicas  e  “inocentes”  para  o  divertimento  e  distração  do  público.  Tais 

                                                           

1

 O filme foi inspirado na obra literária “O Príncipe Sapo”. 




 

 

estratégias  podem  levar  os/as  telespectadores/as  infantis  ou  até  mesmo  os/as  adultos/as  a 



menosprezarem uma visão histórica e crítica dos fatos.  

Temas como prostituição e guerra civil foram abordados nos filmes Uma linda mulher 

(1990) e  Bom dia  Vietnã  (1987), respectivamente.  Ambos apresentam representações  raciais 

estereotipadas.  Em  Bom-dia,  Vietnã,  a  personagem  principal,  Adrian  Cronauer,  interpretada 

por Robin McLaurin Williams (1951-2014), é um disckjocker enviado ao Vietnã para animar 

as  tropas  e  levantar  a  “moral”  dos  soldados  combatentes.  Assim  como  muitas  personagens 

que  representam  o  homem  estadunidense,  ele  é  inteligente  e  enfrenta  as  autoridades  quando 

necessário, deixando sempre transparecer uma inocência e uma doçura típicas dos contos de 

fadas.  E  o  que  seria  desse  homem  branco  se  não  fosse  seu  servo  negro?  Edward  Garlick, 

interpretado  por  Forest  Steven  Whitaker (1961--)  uma  das  poucas  personagens  negras  do 

filme, é posto como uma figura resmungona e atrapalhada (GIROUX, 2013). 

O filme Uma linda mulher, por sua vez, apresenta três personagens negros que aparece 

na última cena, nos segundos finais do filme. Nessa "linda história de amor", pouco sabemos 

sobre  os  rapazes  negros,  apenas  que,  servem  a  Edward,  o  galã  branco,  interpretado  por 

Richard Tiffany Gere (1949--). Dois dos negros são funcionários do hotel onde Edward está 

hospedado,  inclusive,  um  deles  carrega  as  malas  do  mocinho,  que  mantém  as  duas  mãos 

desocupadas. A terceira personagem negra, o motorista, dirige a limusine branca do mocinho 

branco,  aguardando-o  em  pé,  sorrindo,  enquanto  Edward  entrega  flores  para  sua  amada 

Vivian, 

interpretada por Julia Roberts (1967--).

  

Esses exemplos corroboram os apontamentos de Steinberg e Kincheloe (2001, p. 43) 



de que filmes e animações podem reforçar valores culturais hegemônicos e apresentam heróis 

e  heroínas  primordialmente  brancos/as,  de  classe  média.  Nestes  casos,  os/as  protagonistas 

"[...]  carregam  valores  WASP  (branco,  anglo-saxão,  protestantes)",  como  se  não  houvesse 

variações desse modo de ser. 

 

Quando  não-brancos[/as]  são  convocados[/as],  eles[/as]  são  freqüentemente 



colocados[/as] na periferia (no canto esquerdo da tela da TV) da ação; papéis 

instigantes,  de  líder  do  grupo,  são  para  os[/as]  garotos[/as]  brancos[/as]. 

Personagens  negros[/as]  nos  comerciais  de  crianças  muitas  vezes  dançam  e 

jogam  basquete  [...].  Por  fora  da  realização  consciente  de  seus[/as] 

expectadores[/as], os comerciais de crianças que usam atores [e atrizes] não-

brancos[/as]  reproduzem  hierarquias  raciais  que  privilegiam  os[/as] 

brancos[/as]. (STEINBERG E KINCHELOE, 2001, p.44). 

 

 




 

 

Ainda segundo a autora e o autor, é recorrente nos filmes e animações infantis que os 



vilões e vilãs sejam não-brancos/as. São exemplos os filmes Aladim (1989) e Rei Leão (1994) 

que  representam  de  modo  caricaturado  as  personagens  não-brancos/as  de  cultura  árabe  e 

africana,  respectivamente.  Nestes  filmes  as  personagens  não-brancas-vilãs  apresentam 

características exageradas: barbas longas demais, sotaques carregados demais, narizes grandes 

demais,  cicatrizes  aparentes  demais.  Enquanto  que  os  mocinhos  não  possuem  barbas  nem 

sotaque  carregado,  têm  nariz  pequeno,  pele  lisa  e  clara.  Entendemos  essas  representações 

como  estereótipos  raciais,  uma  vez  que  apresentam  "fórmulas"  e  “modelos”,  conjuntos  de 

características restritas e simplificadas das  raças brancas e não-brancas. 

 

SegundoWortmann  (2005)  discursos  são  grupos  de  ideias,  imagens  e  práticas  que 



compõe várias formas de se falar, conhecer, e de se produzir valores ou condutas que estejam 

associadas  particularmente  às  atividades  sociais.  A  autora  afirma  ainda  que  se  constitui 

discurso tudo o que vemos, lemos ou escutamos em todas as mídias. Em outras palavras, são 

artefatos  que  por  meio  da  linguagem  educam  os  indivíduos  sobre  como  eles  “devem”  se 

comportar. Com base nessas considerações, a seguir discutiremos o filme A Princesa e o Sapo 

(2009) com o objetivo de identificar e problematizar os discursos sobre negritudes divulgados 

por esta animação.  

 


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