O verme docx



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O Verme e a Mãe
Virgília sentia fortes dores de cabeça. Havia limpado toda a casa, fazia de tudo para
preencher o tempo, sempre revezando entre as tarefas e checando se o filho estava bem.
Era desgastante, mas precisava fazer o impossível para mantê-lo bem, para mantê-lo vivo.
Aquilo podia ser chamado de vida? Não sabia, porém tentava se manter firme. Céus, que
difícil! Não fazia ideia de quantas vezes subiu e desceu as escadas. Tudo o que desejava
era dormir. Permitiu-se sentar um pouco no sofá e ver tevê. Tinha em mente que seu
torturador não demoraria em aparecer. Todas as noites tudo se repetia. Riu de uma piada
qualquer que o apresentador fez. Riu tanto que a barriga doeu e uma lágrima escorreu pela
bochecha enrugada.
_ Faz tempo que isso não acontece! - Pensou sobre o choro alegre. De fato, chorava com
frequência, mas de tristeza.


_ Você deveria se livrar disso. - Apareceu.
_ Disso o quê? Não choro porque quero.
_ Não! Não estou falando do choro. - Ela sentia já saber do que o Verme estava falando.
Não seria a primeira vez. - Estou falando dessa vida. Desse sofrimento. Principalmente do
garoto!
_ Não é possível que esteja falando sério!
_ Você faz tudo para melhorar as coisas, Virgília! - Virgília! Em seus ouvidos a voz do
Verme era exatamente igual a do ex-marido. O que tornava tudo ainda pior. - Mas nós
sabemos que nada vai melhorar. Aldo é um caso perdido. Deveria tentar salvar a si mesma
enquanto ainda há tempo.
_ Entenda de uma vez por todas, eu não vou abandonar meu filho!
_ Então sabe qual será seu fim!
_ Se definhar, morrer e desaparecer aos poucos for o que o futuro reserva, se inexistência
for a única saída, se o único jeito disso acabar for a dor da morte, estou pronta. Aldo sabe
que essa hora vai chegar!
_ Você é forte! - A penumbra dava um tom acinzentado ao ser. - Mas será que seu filho é
tão forte assim? Assim que você for para a cova, ele vai atrás. Não há como negar. - Virgília
entrou em desespero só de imaginar aquilo. Doía. Uma dor que a pressionava contra o sofá
e tornava mais difícil respirar. Os olhos queimavam feito brasa, embora vertessem lágrimas.
E chorou. Mais uma vez. A milésima naquela semana. Seguiu novamente o ritual de chorar
copiosamente na sala até pegar no sono. E ele ali, deitado aos seus pés, noite após noite,
tentando convencer que o melhor a se fazer era dar um basta naquela situação. Não
venceu, experimentou mais uma vez o sabor da derrota, que só não descia tão seco porque
conseguia embebedar-se das lágrimas servidas tão naturalmente.

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