O tratado de Petrópolis: interiorização do conflito de fronteiras



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Brasília a. 42 n. 166 abr./jun. 2005

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são econômica junto aos governos do Brasil

e da Bolívia — a instalação de uma chartered

company

 na América do Sul e o livre acesso

de seus produtos para Bolívia, Peru e Nova

Granada pela bacia Amazônica.



2.3. Diplomacia em Vez de Guerra

Quando a controvérsia em torno do



Bolivian Syndicate

 acirrou-se, surgiu na cena

política a figura de José Maria da Silva

Paranhos, o Barão do Rio Branco. Por sua

notória sagacidade e talento para as ques-

tões internacionais, ele foi convidado pelo

Presidente Rodrigues Alves, em 3 de dezem-

bro de 1902, a assumir a pasta do Ministé-

rio das Relações Exteriores e, de imediato,

debruçou-se sobre o delicado tema.

Ao mesmo tempo, como diplomata e po-

lítico, Rio Branco rompeu com o tratamento

geográfico que seus antecessores dispensa-

vam à questão, não mais admitindo passi-

vamente que terras acreanas fossem consi-

deradas alheias. Decidiu interpretar o Tra-

tado de 1867 ao pé da letra, defendendo a

linha de fronteira leste-oeste que passa pelo

paralelo 10º20’ e recusando-se a aceitar o

tracejado da linha oblíqua ao Equador.

Também declarou o território do Acre litigi-

oso com relação ao Brasil e ao Peru, com

quem a Bolívia acabara de firmar um trata-

do para submetê-lo à arbitragem da Argen-

tina.

Esse tirocínio livrava-o de buscar uma



solução arbitrada, pois bem sabia que seria

arriscado ficar à mercê de argumentos jurí-

dicos ou históricos, depois de 36 anos de

entendimento que o Acre era boliviano.

Reconhecer que aquela era uma questão

litigiosa, como declarara a Bolívia inúme-

ras vezes, e lançar-se na negociação de um

tratado foi, então, o caminho escolhido por

Rio Branco para defender os interesses

dos brasileiros que habitavam a área de

confronto.

Retificando erros anteriores, ele telegra-

fou à delegação brasileira em La Paz, em 18

de janeiro de 1903, conforme consta do Ar-

quivo Histórico do Itamaraty, afirmando

energicamente que: “O Governo brasileiro

deu, até aqui, ao Tratado de 1867, uma in-

terpretação contrária à letra e ao espírito do

mesmo, com o único fim de favorecer a Bolí-

via. [...] não podemos concordar que ali pe-

netrem tropas ou autoridades da Bolívia”.

Com o real intento de forçar a Bolívia a

negociar, o Barão apresentou a proposta de

permuta de territórios ou de compra do Acre

pelo Brasil, que assumiria o compromisso

de acertar-se com o Bolivian Syndicate. Em-

bora onerosa, essa era a forma de obter a

cessão de todo o território ocupado por bra-

sileiros, inclusive uma faixa ao sul do para-

lelo 10º20’. Ambas as propostas foram re-

chaçadas pela Bolívia, que se fiava no apoio

dos Estados Unidos.

Entretanto, um outro barão — o de

Rothschild

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 — agente financeiro do Brasil



na Grã-Bretanha, não menos interessado na

questão, tratou de encontrar meios de inter-

mediar uma solução pacífica para o dissí-

dio. Entabulou contatos diretos com os diri-

gentes do sindicato, por meio de um dos seus

sócios, August Belmont, que ,não por acaso,

era também seu representante nos Estados

Unidos.


Cabe salientar que os Rothschild insisti-

ram durante toda a negociação na conveni-

ência de o Brasil entregar a questão à arbi-

tragem da Grã-Bretanha, fazendo insinua-

ções e trazendo notícias de ameaças vela-

das por parte do Presidente americano

Theodore Roosevelt. O Brasil, contudo, man-

tinha-se firme na defesa do diálogo bilate-

ral com a Bolívia e ganhava tempo, respon-

dendo com evasivas à oferta dos ingleses.

Servindo-se de um telegrama endereça-

do a Rodrigues Alves (cf. Bandeira: 2000, p.

166), o Barão de Rothschild informou ao

Governo brasileiro que o Bolivian Syndicate

reclamava uma indenização de US$ 1 mi-

lhão. Pedia brevidade na decisão e autono-

mia “para fechar o negócio rapidamente,

preservados os interesses do seu país” (Ban-

deira: 2000, p. 157).

A pressa externada no texto justificava-

se pelas notícias veiculadas pela imprensa


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