O tratado de Petrópolis: interiorização do conflito de fronteiras



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Revista de Informação Legislativa

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das existentes na África

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, formada com re-



cursos fornecidos pelas seguintes empresas

e pessoas físicas (Bandeira: 2000, p. 165):

Central Trust Co., Varmilye Co., Metropolitan

Life Insurance

 Co., Morton Bliss & Co., Brown



Brothers & Co

., K. Twombly, S. W. Cross, Adrian



Iselin Jr

., E.  Emelen Roosevelt,  Lord Avebury

(do Banco Lubbock) e August Belmont (repre-

sentante da Casa Rothschild).

Pelo contrato, o grupo assumiria, por trin-

ta anos, o controle total sobre a região, in-

cluindo a movimentação alfandegária e mi-

litar. Para os brasileiros, essa era uma situa-

ção intolerável, pois o trânsito livre de es-

trangeiros pelo território nacional significa-

va uma real ameaça às soberanias tanto da

vizinha Bolívia quanto do Brasil.

Tornou-se patente, à época, que o pro-

blema extrapolava o âmbito da mera “con-

trovérsia sobre interesses locais”. Se não

havia declaração de guerra entre as nações,

existia uma firme disposição dos brasilei-

ros ali estabelecidos em defender seus inte-

resses comerciais e patrimoniais, afrontados

pela presença daquele sindicato patronal.

Lembre-se, a propósito, que, embora o

látex existisse em outros países, o extraído

da Hevea Brasiliensis — seringueira somente

encontrada na Amazônia brasileira — era o

de melhor qualidade e também o mais pro-

curado. Por isso, em fins do século XIX, a

região já respondia por 65% da produção

mundial e era sinônimo de borracha.

As tentativas diplomáticas do Governo

brasileiro para conseguir a anulação do con-

trato provocaram a pronta reação das auto-

ridades governamentais em Washington e

Londres, que as tiveram como sinônimo de

violação de direitos adquiridos dos seus

nacionais, pois estavam habituadas ao su-

cesso de suas companhias comerciais no

continente africano.

O Presidente Campos Sales decidiu, en-

tão, fechar o Amazonas e seus afluentes à

navegação, ignorando os protestos dos EUA,

Grã-Bretanha, França e Alemanha. Além de

impedir o fluxo comercial na região, sustou

a tramitação — no Congresso — do projeto

do Tratado de Comércio e Navegação que

celebrara com a Bolívia. Essas resoluções

levaram o Secretário do Departamento de

Estado Norte-americano, John Hay, a decla-

rar que era necessário proteger os “inocen-

tes interesses de cidadãos americanos”, lem-

brando que a Bolívia, um país pobre, não

poderia arcar com indenizações.

As gestões diplomáticas prosseguiam

lentas. Com o fechamento da navegação dos

rios brasileiros, o Bolivian Syndicate não con-

seguia concluir a implementação do empre-

endimento, e o contrato estabelecia o dia 6

de março de 1903 como data limite. Os âni-

mos estavam cada vez mais exaltados, e um

novo movimento insurrecional ganhava

volume, dessa vez capitaneado pelo gaúcho

Plácido de Castro, que participara dos em-

bates da revolução federalista.

A despeito de seus tenros 27 anos, ele

era um homem de rara têmpera e caráter for-

te, capaz de coordenar a resistência às in-

vestidas bolivianas e de levá-la a termo, gra-

ças a seus conhecimentos como agrimensor

e militar. Ao inteirar-se do arrendamento do

Acre ao Bolivian Syndicate, com o aval dos

proprietários de seringais e do Governo do

Amazonas, Plácido tratou de organizar o

levante que passaria para a história como a

Revolução Acreana. Em 6 de agosto de 1902,

sob seu comando, brasileiros armados ata-

caram uma guarnição militar boliviana, ba-

seada às margens do rio Xapuri, um afluente

do Acre. Entrementes, na Capital do País, as

autoridades federais temiam as conseqüên-

cias dessa campanha, que ele prometera bre-

ve, mas que já se alongava por algum tempo

e poderia ter resultados imprevisíveis.

A essa altura, o fabrico da borracha ha-

via sido interrompido em todo o rio, os se-

ringueiros haviam deixado as estradas de

seringa para formar as hostes revolucioná-

rias e os maiores inimigos não estavam no



front

, e sim em Nova York e Londres, aten-

tos à evolução dos preços da borracha. Eram

os grandes financistas, sobretudo america-

nos e ingleses, acostumados a polpudos lu-

cros e determinados a garantir — pela pres-



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