O reizinho mandão



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O reizinho mandão

Eu vou contar pra vocês uma história que o meu avô sempre contava.

Ele dizia que essa história aconteceu há muitos e muitos anos, num lugar muito longe daqui.

Nesse lugar tinha um rei, daqueles que têm nas histórias. Da barba branca batendo no peito, da capa vermelha batendo no pé.

Como esse rei era rei de história, era um rei muito bonzinho, muito justo... E tudo o que ele fazia era para o bem do povo.

Vai que esse rei morreu, porque era muito velhinho, e o príncipe, filho do rei, virou rei daquele lugar.

O príncipe era um sujeitinho muito mal-educado, mimado, destes que as mães deles fazem todas as vontades, e eles ficam pensando que são os donos do mundo.

Eu tenho uma porção de amigos assim. Querem mandar nas brincadeiras... Querem que a gente faça tudo o que eles gostam...

Quando a gente quer brincar de outra coisa, ficam logo zangados. Vão logo dizendo: "Não brinco mais!"

E quando as mães deles vêm ver o que aconteceu se atiram no chão e ficam roxinhos, esperneiam e tudo.

Então as mães deles ficam achando que a gente está maltratando o filhinho delas.

Então, como eu estava contando, o tal do príncipe ficou sendo o rei daquele país.

Precisa ver que reizinho chato que ele ficou! Mandão, teimoso, implicante, xereta!

Ele era tão xereta, tão mandão, que queria mandar em tudo o que acontecia no reino.

Quando eu digo tudo, era tudo mesmo!

A diversão do reizinho era fazer leis e mais leis. E as leis que ele fazia eram as mais absurdas do mundo.

Olhem só esta lei:

"Fica terminantemente proibido cortar a unha do dedão do pé direito em noite de lua cheia!"

Agora, por que é que o reizinho queria mandar no dedão das pessoas, isso ninguém jamais vai saber.

Outra lei que ele fez:

"É proibido dormir de gorro na primeira quarta-feira do mês".

Agora, por que é que ele inventou essas tolices, isso ninguém sabia.

Eu tenho a impressão de que era mesmo mania de mandar em tudo.(...)

Ruth Rocha. O reizinho mandão. São Paulo, Quinteto Editorial, 1997.





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