O mínimo que se exige de um historiador é que seja capaz de reflectir sobre a história da sua



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Society e L’enfant et la vie familiale sous l’An-

cien Régime. Estas obras tornar-se-ão referências

centrais no trabalho da nova geração de historia-

dores. Por razões distintas, é verdade, mas sob

um fundo comum de crítica às perspectivas his-

toriográficas até então dominantes. 

O revisionismo dos anos 60 está muito longe

de ser um movimento homogéneo e, ao longo de

duas décadas, sucedem-se trabalhos e investiga-

ções que partem de bases teóricas, filiações

ideológicas e perspectivas metodológicas muito

diferentes. A primeira vaga de revisionistas (Bai-

lyn, Ariès, etc.) é ideologicamente conservadora

e constrói a sua crítica no interior de argumentos

estritamente históricos; a segunda vaga (Katz,

Furet, etc.) inspira-se em teorias marxistas e é

claramente influenciada por um pensamento

sociológico; a terceira vaga (Kaestle, Julia, etc.)

situa-se numa tensão entre as perspectivas his-

tóricas e sociológicas, alicerçando o seu trabalho

numa espécie de «teorias de médio alcance».

O ataque de Bernard Bailyn, formulado a

partir do interior da comunidade histórica, diri-

ge-se principalmente aos «pedagogos», que, se-

gundo ele, reduziram tudo aos contextos esco-

lares, produzindo uma História da Educação

presentistaparoquial evangélica. A sua pro-

posta renovadora organiza-se em torno de duas

ideias principais: a história da educação é parte

da história total e, por isso, deve abandonar

uma perspectiva institucional estreita e integrar o

conjunto das dimensões sociais, políticas e eco-

nómicas; a história da educação tem de adoptar

metodologias e paradigmas científicos, recusan-

do a narrativa gloriosa de um progresso contínuo

assegurado pela escola (Harrigan, 1986; Silver,

1985). Há uma ruptura clara com a história-ce-

lebração e a adopção de uma história social crí-

tica, atenta ao conjunto dos processos e dos valo-

res educativos, menos prisioneira de uma abor-

dagem interna às instituições escolares e às

ideias dos pedagogos.

Contrariamente a Bailyn, Philippe Ariès não

escreveu um ensaio historiográfico. Contraria-

mente a Bailyn, Philippe Ariès não era um histo-

riador de profissão. O seu livro vai ter, no entan-

to, efeitos muito semelhantes, abrindo a porta às

perspectivas da história social, tal como era pra-

ticada pela Escola dos Annales: a longa duração,

a história das estruturas e das mentalidades, os

métodos seriais e quantitativos, o desejo de uma

«história total», passam a fazer parte do repertó-

rio da História da Educação (Gadoffre, 1987; Le

Goff, 1978). Novos problemas, novas aborda-

gens, novos objectos: a trilogia de Jacques Le



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Goff e Pierre Nora (1974) pode ser aplicada à

«nova» História da Educação. Opera-se, então,

um conjunto de mudanças na investigação histó-

rico-educativa, bem tipificadas por Antoine Léon

(1980): a passagem de uma história-narrativa a

uma história-problemas; o abandono de uma

história puramente descritiva e «objectivista»; a

transição de uma perspectiva unilinear para uma

perspectiva interaccionista. 

A segunda vaga revisionista vai prolongar a

abertura temática e conceptual da História da

Educação, graças à adopção de um pensamento

marcadamente sociológico, influenciado pelas

ideias marxistas. Nos Estados Unidos da Améri-

ca, Michael Katz e Joel Spring são duas das figu-

ras de proa deste movimento. Em obras como






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