O livro de Urântia



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3. O Manifesto de Lúcifer

(603.2)


 

53:3.1


 Quaisquer hajam sido as origens primeiras do desacerto nos corações de Lúcifer e

de Satã, a explosão final tomou forma na Declaração de Liberdade de Lúcifer. A causa dos

rebeldes foi declarada sob três pontos principais:

(603.3)


 

53:3.2


 1. A realidade do Pai Universal. Lúcifer alegou que o Pai Universal não

existe realmente, que a gravidade física e a energia do espaço são inerentes ao universo e

que o Pai seria um mito, inventado pelos Filhos do Paraíso, no fito de capacitá-los a

manter o governo dos universos em nome Dele. Negou que a personalidade fosse uma

dádiva do Pai Universal. E chegou a sugerir, até mesmo, que os finalitores estivessem

juntos, em conspiração, com os Filhos do Paraíso, para impor tal fraude a toda a criação,

posto que nunca chegavam trazendo uma idéia suficientemente clara da personalidade



autêntica do Pai, tal como se pode discerni-la no Paraíso. Lúcifer lidava com a

reverência como se esta fora uma ignorância. A acusação foi radical, terrível e blasfema.

E esse ataque velado contra os finalitores, sem dúvida, foi o que influenciou os cidadãos

ascendentes, então em Jerusém, levando-os a permanecerem firmes e manterem-se

constantes, resistindo a todas as propostas rebeldes.

(603.4)


 

53:3.3


 2. O governo universal do Filho Criador — Michael. Lúcifer sustentava que

os sistemas locais deveriam ser autônomos. Protestava contra o direito do Filho Criador,

Michael, de assumir a soberania de Nébadon, em nome de um Pai do Paraíso hipotético,

bem como de exigir de todas as personalidades que reconhecessem lealdade a esse Pai

nunca visível. Afirmava que todo o plano de adoração seria um esquema sagaz para o

engrandecimento dos Filhos do Paraíso. Estava disposto a reconhecer Michael como o

seu Pai-Criador, mas não como o seu Deus, nem como o seu governante de direito.

(603.5)


 

53:3.4


 Lúcifer atacou, com profunda amargura, o direito dos Anciães dos Dias —

“potentados estrangeiros” — de interferir nos assuntos dos sistemas e universos locais. A

esses governantes, ele os denunciou como tiranos e usurpadores. E exortou seus

seguidores a acreditarem que nenhum desses governantes poderia fazer algo que

interferisse na operação de conquista de um governo autônomo, desde que homens e

anjos tivessem tão só a coragem para afirmar-se a si próprios bem como, de modo

ousado, reclamar os seus direitos.

(603.6)


 

53:3.5


 Argumentou que os executores dos Anciães dos Dias poderiam ser impedidos

de funcionar nos sistemas locais; para tanto bastava que os seres nativos afirmassem a

sua independência. Sustentava que a imortalidade era inerente às personalidades do

sistema, que sendo natural e automática, a ressurreição, todos os seres viveriam

eternamente, não fossem os atos arbitrários e injustos dos executores a mando dos

Anciães dos Dias.

(604.1)

 

53:3.6



 3. O ataque ao plano universal de aperfeiçoamento dos ascendentes

mortais. Lúcifer sustentava que um tempo longo demais e uma energia excessiva estavam

sendo despendidos no esquema de instruir e preparar tão cuidadosamente os mortais

ascendentes, nos princípios da administração do universo, princípios estes que, ele

alegava, seriam sem ética e malsãos. Protestava contra o programa, com a duração de

idades, de preparo dos mortais do espaço para um destino desconhecido; e apontou a

presença do corpo de finalitores em Jerusém como prova de que tais mortais haviam

despendido tempo excessivo na preparação para algum destino que era pura ficção.

Indicava, ridicularizando, que os finalitores haviam encontrado um destino não mais

glorioso do que o de serem reenviados a esferas humildes, semelhantes às da sua origem.

Sugeria que os finalitores haviam sido corrompidos por excesso de disciplina e

aperfeiçoamentos prolongados e que, na realidade, eram uns traidores dos seus

companheiros mortais, pois que estavam agora cooperando com o esquema de

escravização de toda a criação às ficções de um destino eterno mítico para os mortais



ascendentes. Advogava que os seres ascendentes deveriam desfrutar da liberdade da

autodeterminação individual. E, condenando-o, desafiava todo o plano de ascensão

mortal, tal como estava sendo fomentado pelos Filhos de Deus do Paraíso e mantido pelo

Espírito Infinito.

(604.2)

 

53:3.7



 E foi com uma Declaração de Liberdade como essa que Lúcifer desencadeou a sua

orgia de trevas e de morte.





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