O livro de Urântia



Baixar 9.33 Mb.
Pdf preview
Página121/675
Encontro29.07.2021
Tamanho9.33 Mb.
1   ...   117   118   119   120   121   122   123   124   ...   675
6. A Bondade de Deus

(40.5)


 

2:6.1


 No universo físico podemos ver a beleza divina, no mundo intelectual é-nos possível

discernir a verdade eterna, mas a bondade de Deus é encontrada somente no mundo espiritual

da experiência religiosa pessoal. Na sua verdadeira essência, a religião é a fé feita de

confiança na bondade de Deus. Para a Filosofia, Deus poderia ser grande e absoluto e, de

algum modo, até inteligente e pessoal; mas, para a Religião, é necessário também que Deus

seja moral; Ele deve ser bom. O homem poderia temer a um Deus grande, mas ama e confia

apenas em um Deus de bondade. Essa bondade é parte da personalidade de Deus, e a Sua

plena revelação surge apenas na experiência religiosa pessoal dos filhos que crêem em Deus.

(40.6)

 

2:6.2



 A religião requer que o supramundo da natureza do espírito seja conhecedor das

necessidades fundamentais do mundo humano e que seja sensível a elas. A religião

evolucionária pode tornar-se ética, mas apenas a religião revelada é moral e espiritual de um

modo verdadeiro. O conceito antigo de que Deus é uma Deidade dominada por uma

moralidade majestática foi elevado por Jesus até aquele nível afetuoso e tocante da

moralidade familiar íntima, própria da relação pai-filho. E, na experiência mortal, não há

nenhuma relação mais terna e bela.

(41.1)


 

2:6.3


 A “riqueza da bondade de Deus leva o homem que errou ao arrependimento”. “Toda

a boa dádiva e toda a dádiva perfeita vêm do Pai das luzes.” “Deus é bom; Ele é o refúgio

eterno das almas dos homens.” “O Senhor Deus é misericordioso e pleno de graças. Ele é

paciente e abundante, em bondade e em verdade.” “Provai e vede como o Senhor é bom!

Abençoado seja o homem que confia Nele.” “O Senhor é cheio de graça e de compaixão. Ele é

o Deus da salvação.” “Ele alivia o coração dos infelizes e cura as feridas da alma. Ele é o

Benfeitor Todo-Poderoso do homem”.

(41.2)


 

2:6.4


 O conceito de um Deus rei-juiz, ainda que haja colaborado para desenvolver um

padrão elevado de moralidade e criado um povo respeitador das leis enquanto grupo, deixava

o indivíduo crente em uma posição triste, de insegurança com relação ao próprio status no

tempo e na eternidade. Os profetas hebreus, mais recentes, proclamaram Deus como um Pai

para Israel; Jesus revelou Deus como o Pai de cada ser humano. Todo conceito que os mortais

fazem de Deus foi transcendentalmente iluminado pela vida de Jesus. O altruísmo é inerente ao

amor paternal. Deus ama, não à maneira de um pai, mas como Pai. Ele é o Pai, no Paraíso, de

todas as personalidades do universo.




(41.3)

 

2:6.5



 A retidão indica que Deus é a fonte da lei moral do universo. A verdade exibe Deus

como um Revelador, como um Mestre. Mas o amor dá afeto e anseia por afeto, procura a

comunhão compreensiva, tal como existe entre pai e filho. A retidão pode ser própria do

pensamento divino, mas o amor é a atitude de um pai. A suposição errônea de que a retidão de

Deus fosse irreconciliável com o amor altruísta do Pai celeste, pressupôs a ausência de

unidade na natureza de Deus e levou diretamente à elaboração da doutrina da expiação, que é

uma violentação filosófica tanto da unidade, quanto do livre-arbítrio de Deus.

(41.4)


 

2:6.6


 O Pai celeste afetuoso, cujo Espírito reside nos Seus filhos da Terra, não é uma

personalidade dividida — uma, a da justiça, e outra, a da misericórdia. E também Ele não

requer um mediador para assegurar o seu favorecimento ou o perdão de Pai. A retidão divina

não é dominada pela estrita justiça de retribuição; Deus, enquanto um Pai, transcende Deus,

enquanto juiz.

(41.5)


 

2:6.7


 Deus nunca é irado, vingativo ou enraivecido. É verdade que a sabedoria, muitas

vezes, restringe o Seu amor, assim como a justiça condiciona a Sua misericórdia rejeitada. O

Seu amor pela retidão não pode evitar que, com a mesma intensidade, seja manifestado como

ódio ao pecado. O Pai não é uma personalidade incoerente; a unidade divina é perfeita. Na

Trindade do Paraíso há uma unidade absoluta, a despeito das identidades eternas dos

coordenados de Deus.

(41.6)

 

2:6.8



 Deus ama o pecador e odeia o pecado: tal afirmação é verdadeira filosoficamente;

contudo, Deus é uma personalidade transcendental, e as pessoas apenas amam e odeiam às

outras pessoas. O pecado não é uma pessoa. Deus ama o pecador porque ele é uma realidade

de personalidade (potencialmente eterna), enquanto, em relação ao pecado, Deus não assume

nenhuma atitude pessoal; pois o pecado não é uma realidade espiritual, não é pessoal;

portanto, apenas a justiça de Deus toma conhecimento da existência dele. O amor de Deus

salva o pecador; a lei de Deus destrói o pecado. Essa atitude da natureza divina mudaria,

aparentemente, se o pecador afinal se identificasse completamente com o pecado, da mesma

forma que a mente mortal pode também se identificar totalmente com o espírito Ajustador

residente. Um mortal, assim identificado com o pecado, tornar-se-ia então inteiramente não-

espiritual, na sua natureza (e, portanto, pessoalmente irreal), e por fim experimentaria a

extinção do seu ser. A irrealidade, e mesmo a incompletude da natureza da criatura, não pode

existir para sempre, em um universo progressivamente mais real e crescentemente mais

espiritual.

(42.1)

 

2:6.9



 Perante o mundo da personalidade, Deus é descoberto como uma pessoa de amor;

perante o mundo espiritual, Ele é o amor pessoal; na experiência religiosa, Ele é ambos. O

amor identifica o arbítrio volitivo de Deus. A bondade de Deus permanece no cerne do livre-

arbítrio divino — a tendência universal para amar manifesta misericórdia, demonstra

paciência e ministra o perdão.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   117   118   119   120   121   122   123   124   ...   675


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal