O guarani e Iracema


II.1 A CRÍTICA A JOSÉ DE ALENCAR



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II.1 A CRÍTICA A JOSÉ DE ALENCAR


Como diz Massaud Moisés:

"poucos escritores há na Literatura Brasileira que tenham suscitado juízos tão contraditórios como José de Alencar. Ora o julgam "genial", "magistral", "figura descomunal, fundida com as montanhas e entestando com as nuvens", ora fazem dele um secundário contador de patranas de índios e vaqueiros. Algumas vezes elogiam-lhe o estilo, seu amor à "língua brasileira", outras, irritam-se diante da colocação dum pronome ou do açucaramento e exuberância das imagens."13

E mais a frente diz o mesmo autor:

"Em suma: diante dele, parece que não se conhecem meias tintas nem serenidade judicativa. E se os juízos negativos podem atribuir-se a caturrices de gramáticos e filólogos, os elogios desmesurados induzem muitos a considera-lo um ficcionista para adolescentes. Acabaram por transforma-lo num contador de histórias de passatempo para leitores de idade pueril…"14

Alencar sempre viveu sob a pressão da crítica, ele próprio tinha sido muito crítico de grandes autores, como Gonçalves Magalhães, e isso trouxe-lhe atenção, mas também uma certa hostilidade de opiniões, inclusivamente a opinião do Imperador Pedro II que escreveu sob pseudónimo o "Outro amigo do poeta" para defender Gonçalves Magalhães das críticas de Alencar. Mas Alencar sempre se defendeu diretamente da crítica. Autores como José Feliciano de Castilho e Franklin Távora nas Cartas de Cincinato a Semprônio foram especialmente duros nas críticas a Alencar conforme realça António Edmilson Martins Rodrigues. Castilho chegou mesmo a acusar Alencar de por em risco a influência da cultura portuguesa no Brasil15.

A crítica a Alencar era de tal forma significativa que o mesmo nos seus romances criticava e justificava as suas obras quer nos prefácios, quer em notas ou em apêndices. Alencar enquanto dramaturgo também não teve muito sucesso. Por exemplo em 1858, Alencar apresentou As Asas de um Anjo, peça que foi censurada por imoralidade pelo Conservatório Dramático e proibida pela Polícia, após três dias de representações16.A própria vida de escritor não deu maior respeitabilidade a Alencar, como diz Brito Broca:



"Já na Camara dos Deputados a sua condição de romancista, em lugar de eleva-lo aos olhos dos confrades, oferecia motivo para a chacota dos adversários.... O Visconde de Taunay, nas suas Memórias, alude a um deputado do Rio Grande do Norte (...) que fazia alarde de nunca haver lido romances. "Decerto, Sr. Presidente — dizia ele em dada ocasiões — nunca saíram da minha imaginação tipos como os que engendrou o Sr. José de Alencar, nenhum guarani, à guisa do célebre..." E interrompeu neste ponto, não atinando com o nome. "Como é que se chama o tal índio?" — perguntou a dois colegas ao lado, e como estes respondessem, um após o outro, Peri, continuou muito alto: "Como o célebre Peri-Peri..." o que provocou enorme gargalhada no recinto. Também naquela casa, - acrescenta Taunay — entre mais de cem representantes da mentalidade brasileira apenas uns cinco ou seis teriam lido O Guarani."17.

Mas, não se nega que embora a classe política desprezasse a qualidade de romancista, a burguesia educada leu O Guarani, como diz ainda Brito Broca:



"Todo o Brasil, de norte a sul, leu o Guarani... as figuras de Ceci e Peri popularizaram-se e o autor, que se escondera sob o anonimato, tornou-se famoso de um momento para o outro. Era, talvez, o primeiro grande êxito literário no Brasil, numa época em que o comércio editorial ainda não dispunha de aparelhamento de publicidade”18.


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