O guarani e Iracema



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INTRODUÇÃO


Embora o projeto indianista de José de Alencar seja composto de uma trilogia: O Guarani, Iracema e Ubirajara, a minha análise centra-se nas obras: O Guarani e Iracema. Não que a obra Ubirajara não seja importante, mas sim porque a minha intenção é procurar identificar a evolução do índio após contato com o colonizador, e verificar de que modo é que Alencar produz o brasileiro como resultado do contato entre o colonizador-colonizado, algo que não seria possível através da abordagem da obra Ubirajara uma vez que esta obra focasse apenas nas tribos brasileiras antes da invasão do colonizador branco1. Para além do objetivo anteriormente citado, também verificar se Alencar apresentou a evolução do índio desde o primeiro momento da relação com o estrangeiro colonizador ou se Alencar não apresenta qualquer evolução no perfil do índio nessas duas obras. Por outro lado, para além do enfoque nas personagens principais ou heróis dessas obras, Peri em O Guarani, e Iracema, em Iracema, irei analisar como é que outros índios e como é que as tribos são apresentadas nas obras em análise, e verificar se há diferenças relevantes nas diversas tribos. Como diz Alencar, O Guarani, é um romance histórico, e o que se pretende com o romance histórico é apresentar fatos grandiosos do passado, ou como diz o próprio Alencar, o romance histórico:

"representa o consórcio do povo invasor com a terra americana, que dele recebia a cultura, e lhe retribuía nos eflúvios de sua natureza virgem e nas reverberações de um solo esplendido. Ao aconchego dessa pujante criação, a tempera se apura, toma asas a fantasia, a linguagem se impregna de módulos mais suaves; formam-se outros costumes, e uma existência nova, pautada por diverso clima, vai surgindo. É a gestação lenta do povo americano, que devia sair da estirpe lusa, para continuar no novo mundo as gloriosas tradições de seu progenitor. Esse período colonial terminou com a independência. A ele pertencem o Guarani ..."2

Iracema é uma obra típica do indianismo, que é integrada pelo autor no período primitivo da literatura romântica:

A primitiva, que se pode chamar de aborígene, são as lendas e mitos da terra selvagem conquistada; são as tradições que embalaram a infância do povo, e ele escutava como o filho a quem a mãe acalenta no berço com as canções da pátria, que abandonou. Iracema pertence a essa literatura primitiva, cheia de santidade e enlevo, para aqueles que veneram na terra da pátria a mãe fecunda; alma mater, e não enxergam nela apenas o chão onde pisam”3 .

Como se vê na própria descrição feita por Alencar há diferenças de fundo entre estas duas fases da literatura romântica, e eu pretendo evidenciar possíveis diferenças na forma como Alencar representa o índio, isto é, na forma como o descreve quer física, quer psicologicamente quer numa fase inicial da colonização, isto é, em Iracema, quer durante o processo da colonização, em O Guarani.



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