O filme na sala de aula: o projeto cena aberta



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Textos Completos: II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí: História e Mídia – ISSN 2178-1281 



Anais do II Congresso Internacional de História da UFG/ 

Jataí 

– Realização Cursos de História, Letras, Direito e 



Psicologia 

– ISSN 2178-1281 



O FILME NA SALA DE AULA: O PROJETO CENA ABERTA 

 

Rafael Abner Oliveira Resende



1

 

Orientador: Dr. Marcos Antonio de Menezes-UFG 



 

 

Esta comunicação propõe pensar a Educação através do cinema como fonte 



de  pesquisas,  bem  como  apontar  alguns  dos  filmes  apresentados  no  ano  de  2010 

pelo Projeto Cena Aberta do Curso de História do Campus de Jataí da Universidade 

Federal de Goiás. Descreveremos algumas das características deste Projeto e quais 

objetivos  levaram  o  mesmo  a  ser  idealizado  e  posto  em  prática  desde  o  ano  de 

2006.  Queremos  trazer  um  paralelo  nas  discussões  sobre  a  validade  do  uso  de 

mídias  audiovisuais  Objetivamos  abrir  mais  discussões  sobre  a  necessidade  de 

possibilitar  meios  que  nos  permitem  pensar  sobre  as  diferentes  formas  de  ver  e 

escrever a História a partir de perspectivas como a Mídia audiovisual que tem papel 

expressivo  na  formação  de  pensamento  da  sociedade  como  um  todo  e  que  tem 

como  um  dos  atributos,  formas  de  se  representar  as  “realidades”  que  se  configura 

nos imaginários 

– nos conceitos sobre símbolos – na cultura e saberes diversos que 

reproduzem  a  diversidade  dos  cotidianos  de  um  mundo  que  apesar  da 

“globalização”,  apresenta  contrastes  sociais  -  econômicos  -  culturais  bastante 

convidativos a sejam investigados. 

 

O  Projeto  Cena Aberta,  foi  idealizado  no  ano  de  2006  e  coordenado  desde 



então  pelo  professor  Marcos  Antonio  de  Menezes

2

  até  a  presente  data.  Como  e 



onde  funcionam  as  sessões  de  cinema  do  Projeto  Cena  Aberta?  Elas  são 

apresentadas no salão central da própria UFG/Jataí, em um sábado de cada mês no 

período noturno sendo acessível à comunidade acadêmica e a sociedade. Trabalha 

sempre com uma temática específica; e tem como objetivo principal, levar através do 

uso  da  linguagem  do  cinema,  olhares  de  pessoas  que  estão  dispostas  a  repensar 

valores  ou  mesmo  ideologias  e  por  fim,  trazer  discussões  que  permitam  buscar 

entendimentos diversos sobre o tema que tenha sido proposto.  

 

Segundo  o  coordenador  do  Projeto,  O  Cena  Aberta  tem  positivamente, 



possibilitado  uma  maior  inserção  de  uma  parcela  da  sociedade  que  ansiava  há 

bastante  tempo,  pela  oportunidade  de  também  estar  na  universidade  não  somente 

de maneira passiva, porém ativa.  

 

Os  acadêmicos  que  fazem  parte  do  Projeto  pesquisam  sobre  os  filmes  a 



serem  assistidos  e  se  reúnem  para  debater  ideias  preferencialmente  aos  sábados. 

Fazem o convite a uma pessoa que tenha conhecimento mais aprofundado na área 

a  ser  discutido,  o  que  possibilita,  muitas  das  vezes,  conhecer  pontos  de  vista  de 

acadêmicos que atuam não somente no Curso de História, mas também em outros 

Cursos.  

 

Após  a  exibição  do  filme  ao  convidado,  o  mesmo  abre  as  discussões  com 



abordagens como, as técnicas que foram utilizadas na produção cinematográfica, o 

propósito  e  o  público  que  o  filme  ou  documentário  queria  atingir,  as  diferentes 

concepções  de  intelectuais  sobre  o  mesmo  assunto  e  por  fim  faz  suas 

                                                           

1

  Integrante do Projeto Cena Aberta. Graduando do Curso de História UFG/Jataí 



2  Doutor  em  História  pela  Universidade  Federal  do  Paraná.  Autor  de:  Olhares  sobre  a  cidade: 

narrativas  poéticas  das  metrópoles  contemporâneas.  São  Paulo:  Cone  Sul,  2000.  Professor  da 

Universidade Federal de Goiás/Campus Jataí.  



 

 

Textos Completos: II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí: História e Mídia – ISSN 2178-1281 



Anais do II Congresso Internacional de História da UFG/ 

Jataí 

– Realização Cursos de História, Letras, Direito e 



Psicologia 

– ISSN 2178-1281 

considerações  finais;  a  partir  daí  se  abre  espaço  para  todos  abordarem  aspectos 

que  lhes  sejam  relevantes  e  levantar  questões  que  não  tenham  sido  tão  bem 

compreendidas. 

 

Os  filmes  que  foram  apresentados  no  ano  de  2010  estiveram  pautados  em 



biografias  de  personalidades  da  música  mundial,  daremos  destaque  às  duas 

produções  cinematográficas  deste  ano,  são  eles:  Amadeus,  de  1984,  dirigido  por 

Milos Formam e The Doors de 1991 e dirigido por Oliver Stone. Os dois filmes que 

tem enredos biográficos de músicos que tiveram seus nomes escritos na História, o 

primeiro  faz  um  passeio  pela  música  clássica  de  Mozart  e  trabalha  com 

representações  bastante  criativas  sobre  uma  ficção-biográfica  do  compositor.  O 

segundo filme apresenta o rock de Jim Morrison, interpretado por Val kilmer e mostra 

a  inconstância  da  personagem  e  sua  musicalidade  genial  que  o  fez  se  tornar  um 

ícone do rocking roll bastante emblemático. 

 

 



 

O  filme,  Mozart  e  The  Doors,  apesar  de  não  serem  obras  científicas  (no 

sentido  do  método  dalinguagem  utilizada),  possibilitam  aos  expectadores 

aproximação com as músicas clássica e rock e serve além de tudo, como uma forma 

prazerosa de se aprender não somente com a leitura da escrita, como também com 

a do audiovisual. 

 

Através  das  “metáforas”  sobre  a  vida  do  compositor  Mozart,  pode  se 



despertar no expectador um interesse maior em ter mais aprofundamento, se não o 

tiver  com  pesquisas  que  podem  fazer  surgir  novos  saberes;  pode  servir  como 

ferramenta para a construção de olhares e escrita vindos de fontes alternativas que 

podem  ser  trabalhadas  para  além  das  linearidades  historiográficas  e  das 

construções dos discursos sobre “Verdade”. 

 

O que objetivamos não é descrever como é o enredo dos dois filmes, mas sim 



trazer  para  apreciação  elementos  que  permitam  pensar  o  cinema  na  sala  de  aula 

como algo totalmente funcional, desde que se atente para a necessidade de se ter 

olhares críticos como diz Marcel Fonseca Carvalho (2009, p. 115): 

 

O cinema, portanto surge como uma possibilidade e um elo para melhorar o 



ensino e aprendizagem do conteúdo escolar como um aliado nas atividades 

pedagógicas  da  sala  de  aula.  Vale  salientar  que,  para  isso, é  necessário  o 

professor  ou  a  professora  lerem  e  interpretaram  criticamente  as  imagens/ 

mensagens dos filmes exibidos para trabalhar um determinado conteúdo. 

 

 

E  não  somente  os  professores  devem  estar  atentos  para  ler  e  interpretar, 




 

 

Textos Completos: II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí: História e Mídia – ISSN 2178-1281 



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– ISSN 2178-1281 

como  também  têm  que  estimular  seus  alunos  a  buscar  principalmente  na  leitura 

mais arcabouços teóricos para fazer leituras mais completas das representações dos 

filmes que venham ser a serem assistidos e discutidos na sala de aula.  

 

O Projeto Cena Aberta, tem nesse sentido veicular filmes temáticos e antes de 



tudo,  procurar  sempre  estimular  seus  participantes  e  integrantes  a  iniciarem 

pesquisas  sobre  as  produções  cinematográficas  utilizando  fontes  como  a 

historiografia, jornais, revistas, internet e outros. 

 

Aqui,  fazemos  apontamentos  para  possíveis  olhares,  que  não  queiram  ser 



determinantes,  mas  sim,  que  busquem  na  dinâmica  do  conhecimento 

epistemológico, arcabouços para se pensar as possíveis novas formas de construir 

discursos  científicos,  que  não  estejam  embasados  somente  no  que  é  tido  como 

científico  e  sim  que  seja  abrangente  e  consiga  olhar  e  perscrutar  para  todas  as 

direções  através  de  não  somente  poucas,  mas  várias  metodologias,  para  que  não 

haja  homogeneização  do  conhecimento  que  é  um  gesso  para  a  diversidade  dos 

saberes que possam surgir. 

 

O uso de audiovisuais, por muito tempo foram desprezados como fonte séria 



de  pesquisas  por  Historiadores  e  mesmo,  atualmente,  apesar  de  sua  inegável 

difusão,  ainda  há  relutância  da  parte  de  Historiadores  mais  tradicionalistas  em 

reconhecer  nesses  recursos  a  importância  deles  como  fonte  de  pesquisa  e  até 

mesmo como possíveis ferramentas para serem utilizadas na sala de aula. 

 

A  sala  de  aula  vem  incorporando,  e  sofrendo  a  intervenção  dos  meios  de 



comunicação de massa com a utilização de jornais, revistas, programas de televisão. 

Está  realidade  não  nos  permite  ficar  omissos  sobre  o  quão  é  necessário,  não 

somente a utilização, mas também pensar a crítica sobre o uso destas ferramentas 

de modo epistemológico objetivando ter uma didática que esteja adaptada ao tempo 

e espaço da realidade que estamos vivendo. 

 

As  inovações  tecnológicas  dos  séculos  XX  -  XXI,  como  por  exemplo,  os 



computadores e uso da internet, condicionaram novas formas de enxergar o mundo. 

A  linearidade  (começo 

–  meio  –  fim)  tem  sofrido  transformações  que  trazem  a 

necessidade  de  se  estudar  e  buscar  entendimento  sobre  o  mundo  hodierno;  e  é 

extremante importante a busca por adequar-se aos novos instrumentos que advém 

com  essas  novas  tecnologias.  NADAI  (1993,  p.  84)  alerta  para  o  uso  da  didática 

pedagógica  e  alerta  sobre  como  os  jovens  tem  visto  as  práticas  de  ensino  mais 

tradicionalistas: 

 

 

   



 

[…]  a  relação,  de  ódio,  da  juventude  para  com  a  disciplina;  a  decoração 

como  atividade  precípua  de  aprendizagem;  o  conhecimento  acabado  e,  o 

reconhecimento  de  que  é  necessário  buscar  a  superação  da  teoria  e  de 

práticas que tradicionalmente informam o exercício da disciplina histórica. 

 

 



Cada  vez  mais  se  torna  essencial,  que  o  professor  tenha  conhecimento  de 

qual  as  melhores  formas  de  utilização  das  tecnologias  audiovisuais,  e  para  isso 

ocorrer, é preciso também que busque ter mais intimidade com estas. 

 

O  professor  que  se  forma  e  mesmo  o  que  já  está  atuando  na  sala  de  aula, 



encontrará,  certamente,  dificuldades  se  além  de  dominar  a  linguagem  formal,  não 

souber  também  as  linguagens  referentes  às  tecnologias  como  a  informática  por 

exemplo.  Isso  porque  a  criança  e  o  jovem  da  atualidade,  mesmo  os  mais  pobres, 

cada  vez  mais  tem  tido  acesso  a  este  mundo  que  por  sinal  é  bastante  fascinante. 

Sabemos  que  ainda  não  há  democratização  na  área  da  informática,  ainda  existem 



 

 

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Anais do II Congresso Internacional de História da UFG/ 

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Psicologia 

– ISSN 2178-1281 

crianças pobres sem condições de ter acesso  a estas novas tecnologias. Porém,  o 

Mercado  de  trabalho  se  torna  cada  vez  mais  exigente  em  relação  aos 

conhecimentos da informática, o que vem corroborar para a importância  que há de 

ter essas ferramentas nas instituições de ensino; e a partir do uso do cinema na sala 

de aula pode-se também, procurar aproximar esse perfil de aluno, de forma a fazer 

este  se  interessar  em  aprender,  mesmo  que  minimamente,  a  utilizar  destas 

ferramentas que poderão fazer com que ele esteja mais integrado na sociedade em 

que está inserido. 

 

Pensar  a  Educação,  através  do  uso  do  cinema  na  sala  de  aula  é  um  dos 



meios que tem funcionado no Projeto Cena Aberta. Geralmente, dentre os aparelhos 

que  são  utilizados  temos  o  computador  e  Data  Show,  para  fazer  a  projeção  da 

imagem no telão. Os encontros, nestes cinco anos já renderam várias produções de 

artigos  e  tem  preparado  e  capacitado  alunos  na  sua  formação  curricular  para  o 

exercício  de  atividades  que  procuram  estar  acompanhando  as  transformações  dos 

processos históricos que são contínuos e fazem com que acreditemos que a própria 

História, enquanto método científico, não deve estar acabada, mas sim em constante 

transformação,  ou  seja,  aberta  para  novas  ideias  que  venham  contribuir  para 

formação dos profissionais de ensino. 

 

Um  dos  ex-integrantes  do  projeto, Adriano  Freitas  Silva,  produziu  pesquisas 



interessantes  sobre  o  Projeto  Cena  Aberta.  Em  2008,  escreveu  o  artigo  CENA 

ABERTA: UMA EXPERIÊNCIA COM A SÉTIMA ARTE que em suas abordagens fala 

sobre as relações do cinema e História e discorre acerca dessa nova linguagem para 

o  ensino  da  História.  Ele  é  um  dos  exemplos  de  participantes  do  Projeto  que  se 

interessaram fazer pesquisas na área. 

 

Estas  possíveis  ações  concernentes  à  Educação  através  do  cinema  na  sala 



de aula é que tem motivado a continuidade do Projeto Cena Aberta, que nestes anos 

tem  passado  sempre  por  dificuldades  principalmente  por  falta  de  patrocínio,  sendo 

que  a  estrutura  física  e  manutenção  dos  equipamentos  obriga  que  se  tenham 

recursos financeiros. Porém, nestes anos todos, entre vitórias e fracassos o projeto 

tem angariado bastante prestígio por parte da sociedade. 

 

Convidamos  colaboradores  que  queiram  também de  alguma forma  participar 



deste Projeto que por sinal pode ser estendido ou mesmo integrado a outros que já 

existam, pois acreditamos que a Educação precisa estar sempre integrada para que 

as força sejam somadas e façam com que se tenha cada vez mais solidez em suas 

propostas. 

 

Pensar  o  cinema  na  sala  de  aula  como  importante  instrumento  de  ensino  é 



uma  das  possibilidades,  é  necessário  discutir  também  outros  métodos  alternativos 

de  ensino  sempre  tendo  como  meta  principal,  incentivar  os  estudantes  a  serem 

produtores  de  novos  saberes.  Pensemos  na  Educação  não  como  ciência 

salvacionista, mas sim como método que precisa ser sempre melhorado e adaptado 

ao tempo e espaço em que está situado.  

 




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